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Após dias de intensa presença de fumaça na atmosfera, Manaus apresentou sinais de alívio na manhã desta terça-feira (20), segundo relato do epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia. A melhora percebida ocorre em meio às chuvas recentes na região e ao reforço das operações de combate aos incêndios florestais. Apesar disso, a redução da fumaça não significa que a qualidade do ar tenha voltado aos níveis considerados seguros.
A capital amazonense enfrentou, nas últimas semanas, episódios graves de poluição atmosférica provocados principalmente pela fumaça de queimadas no interior do estado e em regiões vizinhas. Em 17 de outubro, uma reportagem do UOL informou que a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³), evidenciando a gravidade do episódio.
A concentração dessas partículas representa um risco à saúde, sobretudo para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Governo federal reforça combate aos incêndios
O enfrentamento à crise ambiental mobiliza diferentes órgãos federais, estaduais e municipais. Em comunicado divulgado no domingo (18), o governo federal anunciou o reforço das operações das Forças Armadas, a instalação de um Estado-Maior Conjunto em Manaus e a ampliação do apoio aos municípios atingidos.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 16 aeronaves estão à disposição das operações. O governo também informou que R$ 14 milhões já haviam sido disponibilizados para apoiar as ações no estado e nos municípios.
As investigações sobre possíveis incêndios criminosos seguem em andamento, com participação de órgãos de segurança e fiscalização ambiental. A identificação de responsabilidades depende da apuração das autoridades competentes.
Força Nacional do SUS inicia atividades em Manaus
Outro avanço ocorreu nesta terça-feira (20), com o início das atividades da base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus.
De acordo com o Ministério da Saúde, a estrutura tem como objetivo apoiar a organização da rede de atendimento, monitorar a disponibilidade de insumos médicos e auxiliar os gestores locais na resposta aos impactos das queimadas.
O trabalho inclui o acompanhamento das necessidades dos municípios afetados e o planejamento da distribuição de materiais e recursos para os serviços de saúde.
A iniciativa busca fortalecer a capacidade de atendimento diante do aumento dos riscos associados à exposição prolongada à fumaça.
Qualidade do ar exige monitoramento contínuo
Embora a ocorrência de chuvas possa contribuir para reduzir temporariamente a concentração de partículas suspensas no ar, as condições atmosféricas podem mudar novamente conforme os ventos, a precipitação e a continuidade dos incêndios.
Em boletim publicado em 15 de outubro, o Ministério Público de Contas do Amazonas alertou que a redução de registros de focos de calor não era suficiente para comprovar o controle dos incêndios ou a normalização da qualidade do ar.
Por isso, a melhora visual observada em Manaus precisa ser acompanhada por medições atualizadas dos poluentes atmosféricos.
Veja como se proteger da fumaça
O epidemiologista Jesem Orellana recomenda que a população mantenha os cuidados preventivos mesmo diante de sinais de melhora.
Entre as principais orientações estão:
- Evitar atividades ao ar livre, principalmente exercícios físicos e permanência prolongada em locais com fumaça.
- Reduzir a exposição em áreas de tráfego intenso, onde outros poluentes também podem agravar a qualidade do ar.
- Manter uma boa hidratação e, sempre que possível, permanecer em ambientes internos com menor entrada de fumaça.
- Utilizar respiradores PFF2 ou N95, quando disponíveis, para reduzir a inalação de partículas finas.
- Redobrar os cuidados com grupos vulneráveis, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
- Não realizar queimadas e evitar atividades que produzam fumaça, inclusive fogueiras e churrasqueiras, durante episódios críticos de poluição.
O uso de umidificadores não substitui a filtragem do ar nem elimina os poluentes. A prioridade é reduzir a entrada de fumaça no ambiente e, quando possível, utilizar filtragem adequada.
Sintomas exigem atenção
Tosse seca, irritação na garganta, congestão nasal, rouquidão, dor de cabeça, náuseas e mal-estar podem estar relacionados à exposição à fumaça.
Em caso de falta de ar, dor no peito, sensação de desmaio ou agravamento dos sintomas, a orientação é procurar atendimento de saúde imediatamente.
Alívio momentâneo não significa fim da crise
A redução da fumaça percebida em Manaus representa um possível alívio para a população, mas a situação exige cautela. O controle efetivo da crise depende da redução dos incêndios, da fiscalização, do monitoramento ambiental e da capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Enquanto persistirem focos de queimadas e condições favoráveis ao transporte de fumaça, a população deve manter as medidas de proteção e acompanhar os boletins oficiais sobre a qualidade do ar.
Fontes: Ministério da Justiça e Segurança Pública; Ministério da Saúde; Ministério Público de Contas do Amazonas; UOL.

Declarações e recomendações atribuídas ao epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia.
