Internacional

Vladimir Putin pode declarar formalmente guerra à Ucrânia


A Rússia pode declarar formalmente guerra à Ucrânia neste mês, marcando uma nova fase na guerra. A declaração ocorreria em 9 de maio, conhecido na Rússia como “Dia da Vitória”, que marca a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O presidente russo, Vladimir Putin, pode declarar formalmente guerra à Ucrânia em 9 de maio, uma medida que permitiria a mobilização total das forças de reserva da Rússia, à medida que os esforços de invasão continuam a falhar, acreditam autoridades americanas e ocidentais.

Continua depois da Publicidade

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, mas Putin e autoridades russas se recusam a definir o conflito como “guerra” e utilizam o termo “operação especial”.

Segundo um relatório das autoridades ocidentais, a estratégia da Rússia de declarar guerra permitiria a mobilização total de forças de reserva num momento em que os esforços de controlar regiões ucranianas continuam a falhar. Em 9 de maio é comemorado o Dia da Vitória na Rússia, marcando a derrota dos nazistas em 1945. Não é a primeira vez que autoridades ocidentais sugerem que Putin vai aproveitar o significado simbólico e o valor de propaganda da data para anunciar uma conquista militar na Ucrânia.

O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, declarou que  Vladimir Putin, “está preparando o terreno para poder dizer ‘olha, agora é uma guerra contra os nazistas, e o que eu preciso é de mais pessoas’”. Por outro lado, o Kremlin nega que isso vá realmente acontecer. Nesta quarta-feira, 4, durante entrevista coletiva diária, o porta-voz russo, Dmitry Peskov, falou que isso “é um absurdo”.

Essa declaração vem logo após o serviço de inteligência ucraniano divulgar que os russos estão se preparando para celebrar o feriado de 9 de maio na devastada cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia. Segundo a Direção Geral de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia, Moscou teria escolhido a cidade portuária sitiada para esta celebração no lugar de Donetsk – região localizada no leste do país e reconhecida como independente por Putin.

A inteligência ucraniana afirma que “Sergey Kirienko, vice-chefe da administração presidencial russa e responsável pelos assuntos internos da Federação Russa, chegou à cidade devastada de Mariupol”. A principal tarefa desse funcionário de Vladimir Putin é preparar as “celebrações cerimoniais” para 9 de maio em Mariupol, depois de abandonar a ideia de fazê-las na cidade ocupada de Donetsk. Os atos incluiriam um desfile militar.

Mariupol é um das cidades mais devastadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia que já dura três meses. A cidade, que está às margens do Mar de Azov, e que também faz parte de Donetsk, inicialmente tinha uma população de quase meio milhão de habitantes.

Ela está totalmente devastada e, segundo as autoridades ucranianas, 10 mil civis ainda permanecem na região esperando para serem libertados. O local está sem água, comida, eletricidade e produtos básicos. Os russos dizem já ter conquistado o controle de toda a cidade, com exceção do complexo siderúrgico Azovstal. As autoridades ucranianas não confiram.

Mesmo que a declaração oficial de guerra não ocorra em 9 de maio, é certo que o evento neste 2022, com a guerra na Ucrânia superando dois meses, pode dar pistas de quais são os planos oficiais do Kremlin a partir de agora.

Na contramão de anunciar oficialmente o conflito, há ainda uma outra possibilidade, segundo os rumores: o fim da guerra.

A situação entrou no radar após declaração do papa Francisco ao italiano Corriere della Sera. O pontífice diz ter ouvido de Viktor Orbán, premiê da Hungria, que a Rússia planejava encerrar o conflito no Dia da Vitória. Os dois se encontraram em 21 de abril.

Embora a Hungria faça parte da União Europeia, Orbán é visto como relativo aliado de Putin e defende neutralidade europeia na guerra. O premiê húngaro de extrema-direita foi reeleito em abril e é acusado de medidas antidemocráticas para se perpetuar no poder.

O papa Francisco também afirmou que enviou à Rússia um pedido para se encontrar com Putin, mas não obteve resposta.

Ele diz ter recebido convites para ir a Kiev, capital da Ucrânia, mas negou temporariamente porque afirma que o ideal seria ir a Moscou primeiro.

Além do papa, a Ucrânia também citou o 9 de maio como data crucial para a estratégia de guerra russa. Em comunicado em março, as Forças Armadas da Ucrânia afirmaram que “o trabalho de propaganda” russo impõe “a ideia de que a guerra precisa terminar antes do 9 de maio”.

A Rússia nega que haja mudança de planos prevista para 9 de maio. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, disse neste mês que “os militares não ajustarão artificialmente as suas ações a qualquer data, incluindo o Dia da Vitória”.

Redação: Portal CINCO