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Governo do Amazonas nega recusa de ajuda federal contra queimadas e afirma que prioridade era receber aeronaves

CBMAM diz que solicitou reforço aéreo em setembro; Ministério do Meio Ambiente afirma que houve dispensa de equipes terrestres. Com fumaça intensa e emergência decretada em 36 municípios, crise ambiental amplia pressão por atuação conjunta.


O Governo do Amazonas afirma que sempre esteve, e permanece, aberto a receber toda forma de cooperação que contribua para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios florestais e nega que tenha recusado qualquer tipo de apoio do Governo Federal – Foto: Reprodução

 

O Governo do Amazonas negou que tenha recusado qualquer tipo de apoio do Governo Federal para combater os incêndios florestais no estado. Em nota divulgada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a corporação afirmou que formalizou, em 18 de setembro, um pedido de reforço para as operações, com prioridade para a disponibilização de aeronaves.

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O esclarecimento ocorre em meio a uma divergência pública entre os governos estadual e federal sobre a condução das ações contra as queimadas. Enquanto o CBMAM afirma que a principal necessidade era ampliar a capacidade de combate aéreo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) sustenta que o estado dispensou equipes terrestres mobilizadas em setembro.

A discussão ganhou importância diante do agravamento recente da situação ambiental. Em 10 de outubro, o Governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios por causa dos incêndios florestais. A medida foi reconhecida pelo Governo Federal no mesmo dia, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Bombeiros afirmam que pedido priorizava aeronaves

De acordo com a nota do CBMAM, a solicitação de apoio foi encaminhada ao Governo Federal em 18 de setembro e reiterada durante uma reunião por videoconferência realizada em 25 de setembro.

Segundo a corporação, durante o encontro foi discutida a possibilidade de mobilizar bombeiros militares de outros estados por meio do Plano de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (RESPAD).

O comando dos bombeiros afirma que o envio de profissionais poderia contribuir para as operações, mas ressalta que a necessidade considerada prioritária era o reforço aéreo.

A justificativa está relacionada às características geográficas do Amazonas. As grandes distâncias, as comunidades isoladas e as dificuldades de acesso por estradas e rios tornam o deslocamento das equipes mais complexo, especialmente em áreas remotas atingidas pelo fogo.

O CBMAM também destacou que o RESPAD depende da disponibilidade e da autorização dos governos estaduais para mobilizar bombeiros de outras unidades da Federação. Portanto, segundo a corporação, esse mecanismo não representa um contingente que a União possa disponibilizar automaticamente.

Na nota, o governo estadual reafirmou que permanece aberto a receber apoio de todas as esferas administrativas para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios.

Governo Federal apresenta outra versão sobre a mobilização

Em comunicado publicado em 9 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu uma solicitação de apoio do Governo do Amazonas em 23 de setembro.

Segundo o ministério, foram acionados combatentes do RESPAD e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).

O MMA acrescentou que, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle de parte dos focos de incêndio, o governo estadual comunicou que não precisava mais do apoio do RESPAD, dispensando a equipe antes de seu deslocamento para o campo.

A divergência não significa necessariamente que as duas versões sejam inteiramente incompatíveis: o governo estadual enfatiza a necessidade de aeronaves para combater o fogo, enquanto o ministério destaca a mobilização de equipes terrestres e de outros recursos. Entretanto, os relatos apontam para uma discussão sobre quais recursos foram solicitados, quais estavam disponíveis e quais chegaram a ser efetivamente mobilizados.

Além disso, uma reportagem do portal Amazon News informou que um ofício da Secretaria Nacional de Segurança Pública, assinado em 1º de outubro, comunicou a impossibilidade de atender naquele momento ao pedido do CBMAM por aeronaves e outros recursos. A existência desse documento reforça a necessidade de distinguir a mobilização de determinadas equipes da resposta específica ao pedido de apoio aéreo.

Governo anuncia seis aeronaves e 290 brigadistas

Em meio à intensificação dos incêndios, o Ministério do Meio Ambiente anunciou o reforço das operações com seis aeronaves e 290 profissionais brigadistas.

O pacote informado pelo ministério inclui quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo, e dois helicópteros destinados ao apoio logístico e ao transporte de equipes para regiões de difícil acesso.

O MMA também informou que, desde o início da temporada de incêndios, o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas e continuava atuando no combate a outros 20 incêndios ativos, conforme balanço divulgado em 9 de outubro.

Os números se referem às operações federais informadas pelo órgão e não devem ser confundidos com o total de focos de calor detectados por satélites ou com o conjunto de incêndios registrados em todo o estado.

Paralelamente, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou, em 9 de outubro, que havia solicitado ao Ministério da Defesa duas aeronaves para combate aos incêndios, com combustível, pilotos e autonomia de voo para atuar nas áreas críticas.

No dia seguinte, o governo federal reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo Amazonas em 36 municípios.

Fumaça provoca suspensão de atividades em Manaus

A crise ambiental também afeta diretamente a população da capital amazonense.

Nos últimos dias, a fumaça das queimadas voltou a encobrir Manaus, prejudicando a qualidade do ar. Reportagens publicadas em 9 e 11 de outubro registraram a suspensão de atividades presenciais em instituições de ensino e o cancelamento temporário de eventos ao ar livre como medidas preventivas.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas, registrou concentrações elevadas de material particulado na atmosfera, com picos que ultrapassaram os níveis considerados seguros.

A exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes. A Defesa Civil também emitiu alertas para orientar a população sobre os cuidados necessários durante o episódio.

A situação demonstra que os incêndios não representam apenas um problema de conservação ambiental. Seus efeitos alcançam a saúde pública, o funcionamento de escolas, a mobilidade e as atividades cotidianas de milhares de moradores.

Financiamento e prevenção também entram no debate

Além das medidas emergenciais, o Ministério do Meio Ambiente informou que o Governo Federal apoia o fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros do Amazonas por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia.

Segundo o ministério, o projeto conta com R$ 45 milhões destinados ao fortalecimento da corporação e às ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas. Os recursos, portanto, integram uma iniciativa de apoio estrutural e não devem ser confundidos com a disponibilização imediata de aeronaves para uma operação específica.

O ministério também afirmou ter orientado o governo estadual a formalizar pedidos de recursos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), mecanismo que pode ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência.

A efetividade dessas medidas depende da coordenação entre as autoridades, da definição clara das necessidades operacionais e da rapidez na mobilização dos recursos.

Integração entre governos é decisiva

A controvérsia sobre o apoio aéreo e o envio de equipes evidencia a importância de protocolos claros para o enfrentamento de incêndios florestais em regiões de difícil acesso.

No Amazonas, a distância entre municípios, a extensão territorial e a dependência de deslocamentos fluviais tornam fundamental o planejamento antecipado de recursos, especialmente aeronaves, equipes especializadas, combustível e equipamentos.

Uma resposta mais eficiente exige que os governos estadual e federal compartilhem informações operacionais, definam quais recursos são prioritários e estabeleçam prazos para atendimento das solicitações. Também é importante manter registros públicos das demandas apresentadas, das respostas recebidas e dos recursos efetivamente enviados.

Enquanto as autoridades esclarecem as divergências sobre a mobilização de setembro, o desafio imediato permanece: ampliar a capacidade de combate aos incêndios, proteger as comunidades e reduzir os efeitos da fumaça sobre a população.

O Governo do Amazonas afirma que continua aberto à cooperação federal. O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, informa que mantém equipes e recursos mobilizados para enfrentar os incêndios no estado.

Diante da emergência em 36 municípios, a articulação entre União, estado e prefeituras será fundamental para coordenar as operações e evitar que divergências administrativas atrasem a chegada de recursos necessários às áreas atingidas.

 

NOTA DO GOVERNO DO AMAZONAS

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) esclarece que não procede a informação de que o Governo do Amazonas teria recusado qualquer tipo de apoio do Governo Federal para o combate aos incêndios florestais no estado.

A corporação ressalta que já havia formalizado, no dia 18 de setembro, uma solicitação de apoio ao Governo Federal para reforçar as operações de combate às queimadas, especialmente com a disponibilização de aeronaves. O pedido foi reiterado durante reunião por teleconferência, com representantes do Governo Federal, realizada no dia 25 de setembro, ocasião em que o CBMAM esclareceu que o envio de efetivo por meio do Plano RESPAD poderia contribuir com as operações, mas destacou que a principal necessidade do estado era o reforço aéreo.

A prioridade decorre das particularidades geográficas do Amazonas, onde grandes distâncias, áreas isoladas e dificuldades de acesso terrestre e fluvial limitam o deslocamento das equipes, tornando o emprego de aeronaves fundamental para alcançar determinados focos de incêndio.

O CBMAM esclarece, ainda, que o Plano RESPAD prevê a mobilização de bombeiros militares de outros estados, condicionada à disponibilidade e à autorização dos respectivos governos estaduais, não se tratando de um recurso disponibilizado diretamente pela União.

O Governo do Amazonas reafirma que sempre esteve, e permanece, aberto a receber toda forma de cooperação que contribua para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios florestais. Reitera, ainda, que a atuação integrada entre os governos federal, estadual e municipais é fundamental para enfrentar os desafios impostos pelas condições geográficas e climáticas da região.