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Fumaça em Manaus: veja como proteger crianças em dias de ar insalubre

Qualidade do ar atingiu níveis críticos na capital; especialistas e autoridades recomendam reduzir a exposição à fumaça, manter ambientes protegidos e reforçar a hidratação


Imagem criada digitalmente (ChatGPT)

A fumaça das queimadas voltou a encobrir Manaus e levou a qualidade do ar a níveis críticos na manhã desta quarta-feira (23). Crianças estão entre os grupos que exigem maior atenção durante episódios de poluição atmosférica, especialmente por apresentarem maior sensibilidade às alterações na qualidade do ar.

Dados do aplicativo Selva, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram níveis classificados como “péssimos” em oito das 11 estações de monitoramento instaladas na capital. Na região entre o Distrito Industrial e o Buriti, na Zona Sul, um dos sensores registrou concentração de 551,2 µg/m³ por volta das 5h.

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O episódio foi apontado como o pior registro de qualidade do ar em Manaus em 2026 até aquele momento. Moradores de diferentes áreas da cidade relataram cheiro forte de fumaça e irritação nos olhos e nas vias respiratórias.

Por que as crianças precisam de atenção especial?

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) inclui crianças entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da combinação de fumaça, calor e baixa qualidade do ar.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a exposição pode provocar irritação nos olhos e nas vias aéreas, desidratação e agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares. A orientação é reduzir a exposição nos períodos em que a qualidade do ar estiver mais comprometida.

Em dias de fumaça intensa, atividades que aumentam a frequência respiratória, como corrida, ciclismo e outras atividades físicas ao ar livre, devem ser evitadas.

O que fazer dentro de casa?

A principal estratégia é reduzir a entrada de poluentes no ambiente doméstico durante os períodos de maior concentração de fumaça.

O Ministério da Saúde recomenda:

  • Manter portas e janelas fechadas nos horários de maior concentração de poluentes.

  • Permanecer, sempre que possível, em ambientes fechados e bem protegidos.

  • Utilizar ar-condicionado com filtros adequadamente limpos quando disponível.

  • Aumentar a ingestão de água e outros líquidos para manter as membranas respiratórias hidratadas.

  • Acompanhar os índices de qualidade do ar antes de decidir sair de casa.

A Prefeitura de Manaus também recomenda manter os ambientes livres de poeira e fuligem e evitar outras fontes de fumaça dentro de casa, como cigarros, incensos e queimadas de lixo.

E os umidificadores?

A umidificação pode proporcionar conforto em ambientes muito secos, mas não deve ser tratada como uma forma de remover a fumaça ou os poluentes do ar. O mais importante é impedir a entrada de fumaça e, quando possível, utilizar ambientes com filtragem adequada.

Também é importante manter aparelhos de ar-condicionado e ventiladores limpos, já que filtros sujos podem prejudicar a qualidade do ar dentro da residência.

Criança pode brincar na rua?

Em períodos de fumaça intensa, a recomendação das autoridades de saúde é reduzir a permanência ao ar livre e suspender atividades físicas externas.

Isso vale especialmente para exercícios que aumentam a frequência respiratória. A orientação da Semsa é evitar caminhada, corrida, ciclismo e outras atividades físicas quando houver muita fumaça.

Quais sintomas devem preocupar os pais?

A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Tosse persistente;

  • Irritação ou ardência nos olhos;

  • Lacrimejamento;

  • Coriza;

  • Chiado ou dificuldade para respirar;

  • Cansaço fora do habitual;

  • Piora de sintomas em crianças que já apresentam problemas respiratórios.

Se a criança apresentar dificuldade para respirar, piora importante do estado geral ou sinais de esforço respiratório, os responsáveis devem procurar atendimento médico imediatamente.

Fumaça pode voltar mesmo quando o céu melhora?

Sim. A concentração de poluentes pode variar ao longo do dia conforme as condições meteorológicas e a circulação dos ventos.

A Prefeitura de Manaus já havia registrado episódios de fumaça provocados pelo transporte de poluentes provenientes de áreas de queimadas no Amazonas e em estados vizinhos. Em 17 de setembro, por exemplo, a concentração média de partículas finas (MP2,5) chegou a 94,7 µg/m³ na capital, índice classificado como “muito ruim”.

Por isso, a melhora visual do céu não significa necessariamente que a qualidade do ar tenha voltado ao normal. O ideal é acompanhar os dados dos sistemas de monitoramento.

Onde levar uma criança em caso de emergência?

A rede estadual de saúde mantém hospitais pediátricos de urgência e emergência com atendimento 24 horas em diferentes regiões de Manaus.

Hospital e Pronto-Socorro da Criança – Zona Sul

Endereço: Avenida Codajás, 26, Cachoeirinha
Atendimento: 24 horas
Telefone: (92) 3612-2350.

Hospital e Pronto-Socorro da Criança – Zona Oeste

Endereço: Avenida Brasil, Compensa
Atendimento: 24 horas
Telefone: (92) 3672-2705.

Hospital e Pronto-Socorro da Criança – Zona Leste (Joãozinho)

Endereço: Alameda Cosme Ferreira, s/nº, São José I
Telefone: (92) 3249-9010.

Em uma emergência respiratória, a orientação é não esperar os sintomas se agravarem para procurar atendimento.

Alerta para pais e responsáveis

Durante períodos de fumaça intensa, a combinação de ar contaminado, calor e baixa umidade pode aumentar o desconforto e os riscos à saúde. A recomendação das autoridades é acompanhar a qualidade do ar, reduzir a exposição das crianças, evitar atividades físicas ao ar livre e garantir hidratação adequada.

Para situações de maior poluição, proteger a criança significa principalmente diminuir o tempo de exposição e evitar que ela respire diretamente o ar contaminado.