
O plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas – Foto: reprodução
Sob uma atmosfera de profunda incerteza, chefes de Estado, governantes e ministros de 193 países iniciam nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, as reuniões da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Tradicionalmente responsável por abrir a sessão de debates, o Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve usar o palanque para fazer uma defesa enfática do multilateralismo e criticar o avanço de políticas isolacionistas no cenário global.
O encontro ocorre em um momento crítico de inflexão. Alvo de constantes ataques e cortes severos de financiamento — impulsionados principalmente pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump —, a própria Organização das Nações Unidas utilizará o evento para fazer um apelo histórico pela sua sobrevivência e relevância institucional. De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o objetivo é moldar uma organização que “reflita o mundo de 2026, e não o de 1945”, sob o risco de a instituição deslizar definitivamente para a decadência diante de um planeta classificado por diplomatas como conturbado e imprevisível.
Principais Temas no Centro dos Debates

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Guerra e Conflitos Geopolíticos
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- Crise de Credibilidade: Países como Rússia, Israel e os próprios EUA têm ignorado ativamente as resoluções do Conselho de Segurança e mandados de prisão internacionais. Guterres alertou que a impunidade das superpotências faz com que outros países questionem a força do direito internacional.
- Proposta de “Encolhimento”: Diante de uma crise financeira aguda, analistas internacionais e artigos da Foreign Affairs defendem que a ONU “volte ao básico”, tornando-se mais enxuta e focada estritamente em ajuda humanitária e mediação de conflitos.
- Escalada Global: A guerra na Ucrânia ultrapassa quatro anos sem sinais de trégua. No Oriente Médio, o conflito contínuo após o ataque conjunto de EUA e Israel contra Teerã envolve quase toda a região e bloqueou rotas marítimas vitais. Soma-se a isso a recente operação militar americana na Venezuela.
Inteligência Artificial Descontrolada
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- Regulação Global: O avanço acelerado e o desenvolvimento sem controle da inteligência artificial entraram formalmente na pauta prioritária dos líderes globais.
- Diplomacia Tecnológica: Comitivas buscam alinhar os discursos de potências tecnológicas para estabelecer parâmetros de segurança e evitar riscos cibernéticos ou armamentistas derivados da IA.
- Alianças Marginais: Diplomatas pretendem usar as reuniões bilaterais nos bastidores do evento para costurar os primeiros consensos sobre governança digital internacional.
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Mudanças Climáticas e Choques Ambientais
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- Eventos Extremos: O impacto direto do aquecimento global causado pela ação humana pauta os debates após enchentes de grandes proporções no Nepal e no Tibete.
- Catástrofes Naturais: Terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia acenderam alertas sobre a vulnerabilidade de infraestruturas locais a desastres ambientais.
- Resiliência e Financiamento: A ONU discute a urgência de financiamento para conter os danos climáticos em comunidades vulneráveis, interligando a crise ambiental com crises de saúde pública emergentes.
Expectativas para os Discursos
As atenções do plenário estarão voltadas para os pronunciamentos de figuras centrais do cenário político atual, incluindo o presidente norte-americano Donald Trump, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, e o líder iraniano Masoud Pezeshkian. Autoridades do Golfo e representantes europeus manifestaram que o principal objetivo da semana é tentar restaurar um nível mínimo de previsibilidade e segurança nas relações internacionais.
