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Investigação

“A Turma” e fotos íntimas: o que a PF já encontrou no celular de Daniel Vorcaro

Perícia reúne mensagens, contatos, registros pessoais e outros arquivos; investigação ainda analisa o conteúdo e não estabelece relação entre todos os dados encontrados e as suspeitas do caso Banco Master.


Foto montgem: Contém reproduções de fotos vazadas em março de 2026

 

A Polícia Federal encontrou cerca de 5 mil arquivos relacionados a nudez e conteúdo sexual nos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo informações divulgadas neste domingo (20) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, o material inclui imagens de nudez e registros de sexo explícito.

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Os arquivos fazem parte de um conjunto de aproximadamente 500 GB de dados extraídos dos aparelhos de Vorcaro. O material foi encaminhado pela PF a ministros do Supremo Tribunal Federal para análise. Até o momento, não foram divulgadas oficialmente as identidades das pessoas que aparecem nos arquivos nem foi estabelecida, publicamente, relação entre a existência desse conteúdo e eventuais crimes investigados no caso Banco Master.

“A Turma”

A análise do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornou-se uma das principais fontes de informação das investigações conduzidas pela Polícia Federal. O aparelho reúne mensagens, contatos, documentos, fotografias e outros registros que vêm sendo utilizados para reconstruir relações pessoais, empresariais e políticas mantidas pelo empresário.

Entre os elementos identificados está o grupo chamado “A Turma”, apontado pela Polícia Federal como uma estrutura ligada ao monitoramento e à intimidação de pessoas consideradas adversárias dos interesses de Vorcaro. O aparelho também contém arquivos pessoais e imagens de natureza íntima, mas a existência desses arquivos, por si só, não estabelece qualquer relação deles com as suspeitas investigadas.

A apuração sobre o conteúdo do telefone continua, e parte dos dados já foi utilizada em diferentes frentes do caso Banco Master.

O que era “A Turma”

Segundo a investigação da Polícia Federal, “A Turma” era formada por pessoas próximas a Vorcaro e teria atuado para levantar informações sobre indivíduos considerados ameaças aos interesses do empresário.

O grupo foi identificado a partir das mensagens armazenadas no celular do ex-banqueiro. Entre os integrantes citados pelas investigações estão Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e outras pessoas ligadas ao círculo de Vorcaro.

As apurações indicam que o grupo teria sido utilizado para monitorar adversários, jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas consideradas problemáticas para o empresário. A PF também investiga o uso de informações obtidas de forma irregular e ações de intimidação.

Uma decisão judicial e documentos da investigação descrevem uma estrutura de vigilância e coerção privada. Essas são, contudo, conclusões e acusações constantes dos autos, que devem ser diferenciadas de uma condenação definitiva.

Mensagens revelaram pedidos de monitoramento

Um dos episódios que ajudaram a PF a identificar a estrutura ocorreu depois que Vorcaro demonstrou preocupação com um drone que sobrevoava sua residência em Minas Gerais.

A investigação apontou posteriormente que o equipamento pertencia a um vizinho que procurava um cachorro desaparecido. A apuração do episódio, entretanto, levou os investigadores a identificar Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado pela PF como uma das figuras centrais da estrutura.

Segundo os investigadores, a partir daí foram encontradas outras mensagens que ajudaram a revelar a organização e suas atividades.

Pedido de apoio ao PCC

Outro episódio revelado pelas mensagens ocorreu quando Vorcaro estava preso no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, em novembro de 2025.

Segundo a investigação divulgada pelo UOL, integrantes de “A Turma” teriam buscado apoio de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para garantir a segurança do empresário dentro da prisão. As mensagens tratariam Vorcaro como alguém que contava com o apoio financeiro do grupo.

O episódio integra as apurações sobre a atuação da estrutura e sobre os contatos mantidos por seus integrantes.

Quanto o grupo recebia

Documentos relacionados à investigação também apresentam informações sobre repasses financeiros.

Segundo material atribuído à PF, Luiz Phillipi Mourão teria recebido valores mensais de Vorcaro e distribuído parte do dinheiro entre integrantes da estrutura. Uma análise policial citada em documentos públicos calcula que Mourão recebeu pelo menos R$ 24 milhões e que “A Turma” recebeu aproximadamente R$ 9,6 milhões ao longo do período investigado.

Os valores e a finalidade dos pagamentos são objeto da investigação e devem ser analisados em conjunto com outros elementos reunidos pela Polícia Federal.

E as fotos íntimas encontradas no celular?

O aparelho de Vorcaro também contém arquivos pessoais, incluindo imagens de natureza íntima. A circulação de informações sobre esse tipo de conteúdo, entretanto, exige cuidado.

Até o momento, não foi localizada confirmação independente ou documento oficial consultado pela reportagem que permita afirmar como fato a informação de que a PF encontrou exatamente 5 mil itens classificados como “Score nudez”.

Por isso, esse número não deve ser tratado como uma conclusão comprovada da perícia.

Também não há base para afirmar que a simples existência de fotografias íntimas no aparelho tenha relação com as suspeitas criminais investigadas no caso Banco Master.

A presença de arquivos pessoais em um telefone submetido à perícia é diferente da identificação de elementos que tenham relevância probatória para a investigação.

Conteúdo pessoal aparece em meio aos dados analisados

A perícia de um telefone apreendido pode reunir informações de naturezas muito diferentes. Além de mensagens relacionadas às investigações, os aparelhos podem armazenar fotografias, conversas privadas, documentos, contatos, arquivos temporários e dados de aplicativos.

No caso de Vorcaro, a PF conseguiu recuperar inclusive informações de conversas que utilizavam o recurso de mensagens de visualização única do WhatsApp. Segundo a investigação, o empresário tinha o hábito de escrever algumas mensagens no bloco de notas do aparelho, fazer uma captura de tela e enviar a imagem pelo aplicativo. Esse padrão deixou rastros que ajudaram os peritos a reconstruir parte dos diálogos.

Mensagens com autoridades também foram recuperadas

A perícia encontrou registros relacionados a contatos de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas a integrantes do Judiciário.

Um dos casos que ganhou maior repercussão envolve mensagens atribuídas a conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, os investigadores conseguiram reconstruir parte desses diálogos a partir de capturas de tela e outros vestígios encontrados no aparelho.

Outras mensagens analisadas pela PF mencionam contatos com diferentes autoridades, advogados e pessoas ligadas ao meio político e jurídico.

A presença de uma pessoa em mensagens, fotografias ou contatos do telefone, contudo, não significa, isoladamente, que ela tenha cometido qualquer irregularidade.

Advogada citada em mensagens recebeu R$ 33 milhões

Entre os conteúdos analisados também aparecem mensagens relacionadas à advogada Dalide Corrêa.

Segundo reportagem baseada no material da investigação, a profissional recebeu R$ 33 milhões em 2024 e era mencionada internamente por integrantes do Banco Master como alguém com acesso ao Supremo Tribunal Federal.

O ministro Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negam que ela fosse sócia do magistrado. Segundo as explicações divulgadas, a relação existente era profissional e ligada ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Mendes.

Conteúdo do celular ainda é analisado

A dimensão do material encontrado no aparelho ajuda a explicar por que novas informações continuam aparecendo meses depois do início da perícia.

Em março, a CNN informou que apenas aproximadamente um terço do conteúdo do celular havia sido analisado pela Polícia Federal naquele momento. A primeira etapa já havia fornecido elementos considerados relevantes para a investigação e para decisões judiciais.

Com o avanço da perícia, novas mensagens e registros passaram a ser incorporados aos autos.

O que já está comprovado e o que ainda é investigado

Até agora, os dados divulgados permitem afirmar que o celular de Daniel Vorcaro continha uma grande quantidade de informações pessoais e profissionais e que a PF encontrou nele elementos usados para investigar a estrutura conhecida como “A Turma”, além de contatos e conversas com diversas pessoas.

Já a interpretação de cada conversa, pagamento ou contato depende do contexto e da análise das autoridades.

Da mesma forma, não é possível afirmar que todos os arquivos pessoais encontrados no aparelho tenham relação com o caso Banco Master.

A investigação continua, e os dados extraídos do celular permanecem entre os elementos utilizados pelas autoridades para esclarecer as relações de Vorcaro, a atuação de pessoas próximas a ele e as suspeitas investigadas no âmbito do caso.

 

A matéria inclui informações da CNN Brasil, Agência Brasil, UOL, Novelo e Folha de São Paulo