
Operação Dinastia do Lagomira possíveis irregularidades em contratos públicos relacionados à Prefeitura de Coari, administrada pelo prefeito Adail Pinheiro – Imagem criada por Inteligência Artificial (ChatGPT)
A apreensão de R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo durante uma abordagem no Aeroporto Internacional de Brasília, em maio de 2025, está entre os elementos que deram origem à investigação que levou a Polícia Federal a deflagrar, nesta quarta-feira (16), a Operação Dinastia do Lago.
A ação mira possíveis irregularidades em contratos públicos relacionados à Prefeitura de Coari, administrada pelo prefeito Adail Pinheiro, e alcança também endereços em Manaus.
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Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os policiais federais cumprem 29 mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de servidores públicos.
A investigação apura a possível existência de uma organização criminosa formada por empresários, agentes públicos e terceiros. Entre as suspeitas estão direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro.
Os envolvidos são investigados, em tese, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Mala com R$ 1,25 milhão acendeu alerta
O caso começou a ganhar repercussão em maio de 2025, quando três empresários foram presos pela Polícia Federal após desembarcarem em Brasília em um voo procedente de Manaus.
Com eles foram encontrados aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie.
Os presos foram identificados como César de Jesus Glória Albuquerque, Vagner Santos Moitinho e Erick Pinto Saraiva. Na ocasião, a origem do dinheiro passou a ser investigada pelas autoridades.
A partir da apreensão, investigadores passaram a analisar empresas, contratos públicos e movimentações financeiras relacionadas aos empresários.
Empresa ligada a empresário tinha contratos milionários
Um dos nomes que aparecem no núcleo da investigação é o de César Albuquerque, empresário cuja empresa manteve contratos com administrações municipais do Amazonas.
Em Coari, a Comercial CJ Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., ligada ao empresário, foi contratada pela prefeitura para serviços relacionados à limpeza pública. O contrato citado em reportagens publicadas à época tinha valor estimado em R$ 9,3 milhões.
O acordo previa a disponibilização de máquinas e equipamentos, incluindo caminhões, retroescavadeiras e escavadeiras hidráulicas.
A empresa também teve contrato para fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual destinados à estrutura municipal.
A existência dos contratos não significa, por si só, que tenham ocorrido irregularidades. A possível relação entre esses contratos e os fatos investigados pela PF é justamente um dos pontos que precisam ser esclarecidos pela investigação.
Manaus também aparece no radar
A empresa também manteve contratos com órgãos da Prefeitura de Manaus.
Entre os registros citados em reportagens anteriores estão contratos para fornecimento de alimentos à Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas e para fornecimento de produtos destinados à alimentação escolar da rede municipal.
Um dos contratos relacionados à merenda escolar foi estimado em aproximadamente R$ 3,5 milhões, segundo levantamento publicado anteriormente.
Por isso, além de Coari, a operação desta quarta-feira também tem como alvo endereços localizados em Manaus.
Investigação mira possível caminho do dinheiro
O foco da Operação Dinastia do Lago não está apenas nos contratos públicos.
Os investigadores também procuram identificar como os recursos teriam sido movimentados, quem seriam os eventuais beneficiários e se valores obtidos de contratos públicos foram utilizados para pagamentos ilícitos ou posteriormente ocultados.
A suspeita de lavagem de dinheiro envolve justamente a possível tentativa de esconder a origem ou o destino final de recursos que poderiam ter sido obtidos ilegalmente.
Documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante as buscas poderão ajudar a PF a reconstruir as relações entre empresários, empresas e agentes públicos.
Relação entre empresários e políticos
A investigação que antecedeu a operação também levantou informações sobre relações entre os empresários e políticos do Amazonas.
Reportagens publicadas após a apreensão do dinheiro apontaram vínculos empresariais e políticos envolvendo os investigados, inclusive doações eleitorais realizadas nas eleições municipais de 2024.
Essas relações, entretanto, não comprovam isoladamente a prática de qualquer crime e precisam ser analisadas dentro do conjunto de provas reunido pela investigação.
Prefeito é alvo da investigação
A operação desta quarta-feira coloca a administração de Adail Pinheiro no centro da apuração sobre possíveis irregularidades em contratos e licitações.
As medidas determinadas pelo STF atingem pessoas e endereços relacionados à investigação, mas a operação ainda está na fase de coleta de provas.
A PF deverá analisar o material apreendido para determinar se houve efetivamente direcionamento de licitações, desvio de recursos, corrupção ou lavagem de dinheiro e qual teria sido a participação individual de cada investigado.
Até a conclusão das apurações e eventual julgamento, os investigados são considerados suspeitos, e não condenados.
O que acontece agora
Com o cumprimento dos mandados, a expectativa é que os investigadores aprofundem a análise de documentos, contratos, computadores, celulares e movimentações financeiras eventualmente apreendidos.
O material poderá subsidiar novas diligências e, caso sejam identificados elementos suficientes, futuras medidas judiciais.
A operação desta quarta-feira representa uma nova etapa de uma investigação iniciada após a apreensão do dinheiro em Brasília, em 2025.
A Polícia Federal ainda deverá esclarecer o volume total de recursos públicos que teria sido eventualmente desviado, quais contratos estão diretamente relacionados às suspeitas e o papel de cada pessoa investigada.
