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Tensão aumenta em Ceuta na Espanha após entrada em massa de migrantes

Moradores protestam quase diariamente, enquanto governo espanhol amplia centros de acolhimento e tenta administrar crise migratória


Acampamento montado na praia de Benítez, em Ceuta, na Espanha, em 13 de setembro de 2026 – Foto: Ana Beltran/REUTERS

 

A tensão voltou a crescer em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, após a entrada em massa de migrantes ocorrida no fim de julho. Mais de 70 mil pessoas chegaram ao enclave depois de cruzarem a fronteira a nado. A maioria já retornou ao Marrocos, mas estimativas apontam que entre 5 mil e 8 mil ainda permanecem no território. O número não foi confirmado oficialmente pelo governo espanhol.

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A situação tem provocado manifestações quase diárias de moradores, que cobram das autoridades uma solução e o retorno à normalidade. No domingo (13), o governo espanhol inaugurou um novo centro de acolhimento com capacidade para 864 migrantes.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez trabalha para acomodar os migrantes que continuam em Ceuta. Atualmente, existem cerca de 4.300 vagas disponíveis nos centros de acolhimento, e a meta das autoridades é ampliar a capacidade para 6 mil pessoas.

Moradores relatam medo e insegurança

Cerca de um mês e meio após a chegada em massa, a presença dos migrantes continua provocando forte reação entre moradores. Praias, parques, terrenos baldios e outros pontos da cidade passaram a ser utilizados por pessoas que ainda aguardam uma definição sobre sua situação.

Parte da população afirma sentir medo e insegurança diante da permanência dos migrantes. Ao mesmo tempo, os próprios migrantes denunciam episódios de xenofobia e agressões.

O episódio de julho deixou dezenas de mortos e desaparecidos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional.

Mais de 5 mil pessoas já retornaram ao Marrocos

Segundo o ministro da Política Territorial e Memória Democrática da Espanha, Ángel Víctor Torres, 5.321 pessoas haviam retornado voluntariamente ao Marrocos desde 10 de agosto, conforme dados divulgados em 13 de setembro.

As autoridades espanholas também precisaram identificar os migrantes que permaneceram durante semanas no território para verificar quem poderia ter direito ao pedido de asilo.

Entre os casos que exigem tratamento específico estão os menores desacompanhados, que não podem ser expulsos. Ainda segundo Torres, 90 pessoas desistiram dos pedidos de proteção internacional, enquanto quase mil aguardam o registro necessário para que os procedimentos de retorno sejam concluídos.

Marrocos nega envolvimento na crise

A crise também provocou tensão diplomática entre Espanha e Marrocos.

No dia 10 de setembro, o governo marroquino afirmou que não existe qualquer elemento que responsabilize o país pelo fluxo migratório em direção a Ceuta. Rabat rejeitou a possibilidade de ser transformado em um “bode expiatório” em disputas políticas espanholas.

Em comunicado divulgado pela agência oficial MAP, o Ministério das Relações Exteriores do Marrocos declarou que nenhum dado, fato ou relatório apontaria envolvimento das autoridades marroquinas na chegada dos migrantes.

Ceuta, juntamente com Melilla, é um dos dois únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre na África, o que torna a região um dos principais pontos de pressão migratória entre o continente africano e o território europeu.