
A reabertura da Cripta Imperial reuniu uma fila de curiosos na tarde desta segunda-feira, feriado do Dia da Independência – Rubens Cavallari/Folhapress
A história do Brasil ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (7), feriado da Independência. A Cripta Imperial, localizada no subsolo do Monumento à Independência, no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, voltou a receber o público após quase quatro anos fechada para obras de restauração e melhorias.
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O espaço abriga os restos mortais do imperador dom Pedro I, responsável pela proclamação da Independência do Brasil, além das imperatrizes Maria Leopoldina, sua primeira esposa, e Dona Amélia, sua segunda esposa.
A reabertura atraiu curiosos e moradores que formaram fila para conhecer o espaço revitalizado justamente na data em que o país comemora os 204 anos da Independência.
Reforma recebeu R$ 5,3 milhões
Segundo a Prefeitura de São Paulo, foram investidos R$ 5,3 milhões nas obras de reforma e conservação que envolveram a Cripta Imperial, o Monumento à Independência e a Casa do Grito. O conjunto de intervenções buscou preservar elementos históricos e, ao mesmo tempo, melhorar a estrutura para receber visitantes.
Na cripta, foram instalados novos banheiros, sistema de climatização e recursos de acessibilidade. Também houve melhorias no espaço expositivo, conservação do bronze próximo aos sarcófagos e fechamento do teto com mármore amarelo.
O Monumento à Independência e a Casa do Grito também passaram por serviços de conservação, incluindo limpeza, pintura, reparo de trincas e melhorias nos acessos.
A Prefeitura informa ainda que, desde 2022, o Parque da Independência recebeu mais de R$ 13,5 milhões em investimentos. Desse total, mais de R$ 8,2 milhões foram destinados à ampliação, conservação e zeladoria do parque, incluindo a incorporação de uma nova área de aproximadamente 45,3 mil metros quadrados.
Restos mortais permaneceram na cripta durante as obras
Apesar do longo período de intervenção, os restos mortais de dom Pedro I, Maria Leopoldina e Dona Amélia permaneceram em seus locais originais durante a execução dos trabalhos. A cripta ficou fechada por aproximadamente três anos e nove meses.
A Cripta Imperial foi inaugurada em 7 de setembro de 1952, três décadas depois da inauguração do Monumento à Independência, ocorrida em 1922 durante as comemorações do centenário da Independência.
O espaço passou a concentrar os restos mortais da família imperial em diferentes momentos do século 20.
Como os restos mortais chegaram a São Paulo
Maria Leopoldina foi a primeira a ocupar a cripta. Após sua morte, a imperatriz havia sido sepultada no Rio de Janeiro. Seus restos foram posteriormente transferidos para São Paulo durante as comemorações do quarto centenário da cidade.
Dom Pedro I chegou ao Brasil em 1972, durante as celebrações dos 150 anos da Independência. Antes disso, seu corpo estava sepultado no Panteão dos Braganças, em Lisboa, enquanto seu coração permaneceu na cidade do Porto, em Portugal.
A transferência foi realizada após um acordo entre os governos brasileiro e português. Os restos mortais do imperador atravessaram o Atlântico a bordo de um navio e passaram por diferentes capitais brasileiras antes de chegar a São Paulo.
Já Dona Amélia, segunda esposa de dom Pedro I, teve seus restos mortais transferidos de Lisboa para a Cripta Imperial em 1982, passando a repousar ao lado do marido.
Em 2012, os corpos passaram por estudos e exumação. A análise revelou, entre outros aspectos, o bom estado de preservação dos restos mortais de Dona Amélia.
Exposição conta a história do monumento
A reabertura também marcou a inauguração da exposição “Representações da Nação: O Monumento à Independência e a Cripta Imperial”, com curadoria da historiadora Marly Rodrigues.
A mostra apresenta a história da construção do monumento e da cripta e discute como esses espaços foram concebidos para reforçar símbolos e marcos da história nacional.
A exposição é composta por painéis e resulta de um concurso internacional promovido pela Prefeitura de São Paulo.
No mesmo complexo histórico, a Casa do Grito também conta com a exposição “Da Independência ao Grito: história de uma casa de pau a pique”, dedicada à história da construção e à relação do imóvel com a famosa pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo.
Monumento é um dos principais símbolos da Independência
O Parque da Independência ocupa uma área histórica às margens do Riacho do Ipiranga, local associado ao episódio de 7 de setembro de 1822.
O Monumento à Independência foi inaugurado em 1922, durante o centenário da Independência, enquanto a cripta foi aberta três décadas depois.
O conjunto formado pelo monumento, pela cripta, pela Casa do Grito e pelo Museu do Ipiranga transformou o bairro do Ipiranga em um dos principais polos de preservação da memória da Independência do Brasil.
Além da importância histórica, o espaço passou a receber melhorias de infraestrutura. A ampliação do parque entregue em 2023 acrescentou cerca de 45,3 mil metros quadrados à área pública, com equipamentos como pista de skate, academia ao ar livre, playground, áreas de convivência e novos caminhos.
Visitação é gratuita
Após a programação especial de reabertura nesta segunda-feira, a Cripta Imperial passa a funcionar regularmente de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.
A visitação é gratuita. A Prefeitura também oferece atividades educativas e mediação cultural no complexo histórico. Para visitas educativas específicas à cripta, é necessário realizar agendamento prévio.
Serviço
Cripta Imperial
📍 Parque da Independência — Praça do Monumento, s/nº, Ipiranga, São Paulo
🕘 Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17h
🎟️ Entrada: gratuita
🏛️ Local: subsolo do Monumento à Independência
A reabertura representa a retomada de um dos espaços históricos mais simbólicos de São Paulo e amplia o acesso do público a um local diretamente ligado à memória da Independência e à história da família imperial brasileira.
