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Flávio Bolsonaro transforma ato de 7 de Setembro em palanque eleitoral e intensifica ataques a Moraes

Candidato do PL associa Lula ao ministro do STF, defende André Mendonça e diz que haverá tentativa de interferência nas eleições; ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas na Avenida Paulista.


Ato na paulista: Flávio Bolsonaro, acompanhado da esposa Fernanda e do pastor Silas Malafaia, durante ato no centro de São Paulo – Bruno Santos/Folhapress

 

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) transformou o ato de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira (7) na Avenida Paulista, em São Paulo, em um dos principais eventos de sua campanha eleitoral. Diante de milhares de apoiadores, o parlamentar direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e procurou associá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto.

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Durante o discurso, Flávio afirmou que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes” e declarou que o ministro “vai cair”. O candidato também disse existir um suposto “consórcio” entre Lula e Moraes e afirmou que, caso seja eleito, pretende trabalhar para recuperar, segundo ele, a credibilidade do Supremo.

O discurso ocorreu em meio à crescente crise envolvendo ministros do STF e aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. A controvérsia ganhou força após a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, além da atuação do ministro André Mendonça no caso.

 

A manifestação reuniu aproximadamente 28,5 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP, do Cebrap e da organização More in Common. O cálculo foi realizado a partir de imagens aéreas e ferramentas de análise por inteligência artificial – Foto: Eduardo Knapp/FolhaPress

 

Apoio a André Mendonça ganha espaço no ato

Uma das características do protesto foi a mudança de foco de parte dos ataques ao Supremo. Ao mesmo tempo em que manifestantes exibiam cartazes com críticas a Alexandre de Moraes, também havia mensagens de apoio a André Mendonça, ministro indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mendonça é relator de investigações relacionadas ao caso Banco Master e determinou medidas envolvendo informações obtidas pela Polícia Federal. O ministro retirou o sigilo de documentos relacionados à investigação, aumentando a tensão entre integrantes da Corte.

Relatórios e documentos internos da PF passaram a ser utilizados no embate entre os ministros. Segundo informações divulgadas nos últimos dias, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, material que levanta questionamentos sobre a atuação de Mendonça. Especialistas, contudo, divergem sobre a validade das medidas adotadas e sobre eventuais irregularidades no procedimento.

A crise institucional também envolve a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Reportagens recentes apontaram divergências entre autoridades sobre a forma como as investigações deveriam ser conduzidas.

Flávio evita citar diretamente o Banco Master

Apesar de o caso estar no centro da mobilização bolsonarista contra Moraes, Flávio Bolsonaro não citou diretamente Daniel Vorcaro ou o Banco Master em seu discurso.

O senador, entretanto, também enfrenta questionamentos relacionados ao banqueiro. Segundo informações já divulgadas, Flávio teria procurado Vorcaro para obter recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro.

O episódio entrou no radar das investigações da Polícia Federal. Flávio nega irregularidades e afirmou anteriormente que apresentaria documentos para esclarecer a destinação dos recursos.

 

Fotos: Reprodução/FolhaPress

 

Críticas ao STF e defesa de Bolsonaro

Além de Moraes, outros nomes da direita utilizaram o palco da Paulista para atacar integrantes do Judiciário e defender o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pastor Silas Malafaia fez críticas duras ao ministro Alexandre de Moraes e defendeu uma reação institucional do Supremo. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL) atacou Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também participou do ato e relacionou o resultado da eleição presidencial ao futuro político de Jair Bolsonaro.

Entre os presentes estavam ainda o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Sergio Moro, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e outros parlamentares e lideranças da direita.

Tarcísio adotou tom mais institucional e defendeu uma resposta do Supremo às suspeitas envolvendo Moraes. Segundo ele, a Corte precisa apurar os fatos e apresentar uma resposta à sociedade.

Público ficou abaixo dos atos anteriores

O número ficou abaixo dos públicos registrados nos atos bolsonaristas realizados na Paulista em anos anteriores. Segundo a mesma metodologia, a manifestação de 2025 reuniu cerca de 42,2 mil pessoas, enquanto a de 2024 teve aproximadamente 45,4 mil.

Mesmo com a mobilização menor, o evento serviu como importante demonstração eleitoral para Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar-se como principal representante do campo bolsonarista na corrida presidencial.

Ato teve confronto antes do início

Antes do comício, houve um confronto entre grupos de manifestantes de esquerda e pessoas que se dirigiam ao ato da direita. O episódio ocorreu nas proximidades das alamedas Peixoto Gomide e Santos.

A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana intervieram para separar os grupos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o uso de bombas de gás lacrimogêneo durante a confusão.

Durante a manifestação, apoiadores exibiram bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel, além de cartazes contra Moraes e mensagens de apoio a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Um boneco inflável do presidente norte-americano Donald Trump também apareceu entre os manifestantes.

Eleição presidencial se aproxima

O ato ocorreu um mês antes do primeiro turno das eleições de 2026 e em um momento de disputa mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 8%. O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 125 municípios, entre 1º e 3 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, o petista aparece numericamente à frente por 46% a 44%, resultado considerado empate técnico dentro da margem de erro.

Com a campanha entrando em uma fase decisiva, Flávio aposta na mobilização de rua e na exploração política da crise envolvendo o STF como estratégia para ampliar sua base eleitoral e reduzir a vantagem de Lula.

O 7 de Setembro, tradicionalmente associado a manifestações cívicas e militares, acabou, assim, dividido entre dois eventos de forte conteúdo político: enquanto Lula participou do desfile oficial em Brasília, Flávio Bolsonaro reuniu apoiadores na Paulista em uma manifestação marcada por críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal.