
Carlos Cesare, conhecido como Pablo do Qual É a Música?, morreu aos 60 anos em São José dos Campos – Foto: Reprodução
O ator, palhaço e artista plástico Carlos Cesare morreu aos 60 anos em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Conhecido nacionalmente por ter interpretado um dos “Pablos” do programa “Qual é a Música?”, apresentado por Silvio Santos, ele morreu no último domingo (16).
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O velório e o sepultamento foram realizados nesta segunda-feira (17), na cidade. A causa da morte não havia sido oficialmente detalhada pelas autoridades, mas uma publicação relacionada ao trabalho artístico de Cesare informou que foram constatados congestão e edema pulmonares, além de falência cardíaca.
Cesare iniciou a carreira artística no teatro em 1986, quando passou a atuar como o Palhaço Cotonete. No mesmo ano, aos 20 anos, chegou ao programa “Qual é a Música?”, do SBT, onde interpretou um dos artistas que deram vida ao personagem Pablo.
Segundo informações publicadas pelo UOL, Carlos Cesare assumiu o personagem após o primeiro intérprete, Augusto Rodriguez. Ele permaneceu no programa entre 1986 e 1990.
Quem era Pablo?
Pablo se tornou um dos personagens mais reconhecidos de “Qual é a Música?”, programa comandado por Silvio Santos no qual participantes tentavam identificar músicas e intérpretes.
O personagem era apresentado com maquiagem carregada e figurino característico e não tinha apenas um intérprete. Ao longo dos anos, diferentes artistas desempenharam o papel.
Carlos Cesare foi o segundo intérprete de Pablo. Depois dele, outros artistas assumiram a função, entre eles Aníbal Beltran, Felipeh Campos e Alberto Goya.
A presença dos “Pablos” ajudou a transformar o quadro em uma das marcas visuais do programa, que atravessou diferentes fases da televisão brasileira.
Do palco da TV para as ruas de São José dos Campos
Depois da passagem pela televisão, Carlos Cesare concentrou boa parte da carreira no teatro e nas apresentações para o público infantil e familiar.
Um de seus trabalhos mais conhecidos foi “Armazém do Eugênio”, espetáculo de teatro de rua criado por ele e apresentado sob a persona do palhaço Eugênio.
A montagem mistura elementos de palhaçaria, teatro de bonecos, manipulação de objetos, música e linguagem corporal. O espetáculo foi originalmente dirigido por Bebê de Soares e ganhou uma nova montagem em 2023, sob direção de Cesare. Em março de 2026, “Show do Eugênio” integrou a programação da Semana do Teatro de São José dos Campos.
A proposta do espetáculo era aproximar o artista do público em apresentações abertas e interativas. Em diferentes momentos, Cesare levou o personagem para parques, praças e espaços culturais da cidade.
Participação em projetos culturais
A relação de Carlos Cesare com a cultura de São José dos Campos também passou por iniciativas promovidas pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
Ele integrou o projeto Arte nas Ruas, voltado à valorização de artistas que trabalham em espaços públicos. Registros da Fundação Cultural mostram a participação de Cesare em apresentações de teatro, circo e música realizadas em diferentes pontos da cidade.
Em 2021, por exemplo, ele participou do espetáculo “Uma manhã mágica”, realizado dentro da programação do projeto. O trabalho reunia palhaçaria e números voltados ao público familiar.
Em outra programação, na Praça Cônego Lima, Cesare apareceu entre os artistas do “Arte nas Ruas”, projeto que tinha como objetivo levar manifestações teatrais, circenses e musicais gratuitamente a espaços públicos.
Artista de múltiplas linguagens
Além de ator e palhaço, Carlos Cesare era formado em Artes Visuais pela Universidade do Vale do Paraíba (Univap).
Sua trajetória profissional também envolveu atividades como autor, diretor, artista plástico, bonequeiro, figurinista, locutor e professor.
A diversidade de áreas em que trabalhou refletia uma carreira construída principalmente fora dos grandes estúdios de televisão. Nos últimos anos, Cesare manteve a ligação com o teatro, apresentações de rua e projetos culturais em São José dos Campos.
Homenagens
Após a notícia da morte, instituições culturais de São José dos Campos prestaram homenagens ao artista.
O Parque Vicentina Aranha destacou a participação de Cesare em apresentações realizadas no espaço e afirmou que ele levou “arte, alegria e sensibilidade” a diferentes locais da cidade.
A Fundação Cultural Cassiano Ricardo também lamentou a morte e ressaltou a contribuição do artista para a cultura local, especialmente por meio de sua participação em projetos de circulação artística.
A Prefeitura de São José dos Campos registra, em seus arquivos culturais, diversas participações de Cesare em atividades realizadas em praças, parques e equipamentos culturais da cidade.
Um personagem que ficou na memória da TV
Embora tenha ficado conhecido nacionalmente pelo período em que interpretou Pablo no programa de Silvio Santos, a trajetória de Carlos Cesare foi muito mais extensa.
O artista passou mais de três décadas dedicado ao teatro, à palhaçaria e à cultura de rua, mantendo uma relação próxima com o público de São José dos Campos.
Sua carreira começou nos palcos em 1986 e terminou longe dos grandes estúdios, mas ainda ligada àquilo que marcou sua trajetória desde o início: a criação de personagens, o humor, a interação com o público e a valorização da arte como instrumento de aproximação.
Carlos Cesare deixa, assim, uma trajetória que conecta a televisão popular dos anos 1980 à produção cultural independente e às apresentações gratuitas em espaços públicos do Vale do Paraíba.
