
Phil Collins, de 75 anos, se apresentando em 2019 e hoje luta contra o alcoolismo – Foto: Clemens Bilan/EPA
O cantor e compositor britânico Phil Collins, de 75 anos, revelou detalhes sobre o período mais difícil de sua vida ao falar pela primeira vez sobre o grave quadro de alcoolismo que enfrentou nos últimos anos. Em entrevista ao Sunday Times, o ex-vocalista da banda Genesis contou que chegou a correr risco de morte após complicações provocadas pelo consumo excessivo de álcool.
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Segundo o artista, o problema se agravou depois que ele interrompeu o uso do Antabuse, medicamento utilizado no tratamento do alcoolismo que provoca reações desagradáveis caso o paciente consuma bebidas alcoólicas. A partir daí, Collins desenvolveu o hábito de ingerir vinho logo pela manhã, comportamento que evoluiu para uma dependência severa.
O cantor revelou que, em novembro de 2023, foi internado em estado grave após sofrer danos no pâncreas e nos rins. A hospitalização durou cerca de sete meses, período em que seu quadro clínico inspirou grande preocupação entre familiares e amigos.
“Houve momentos em que discutiam se eu deveria permanecer ligado aos aparelhos. Meus rins estavam falhando e meus órgãos simplesmente pararam de funcionar. As pessoas vinham se despedir de mim. Eu nem me lembro delas porque não fazia ideia do que estava acontecendo. Todos acreditavam que eu poderia não sobreviver”, relatou.
Apesar da gravidade da situação, Collins afirmou que conseguiu se recuperar e abandonou completamente o álcool desde então.
“Tive muita sorte de sair dessa. Desde aquele momento, nunca mais voltei a beber”, declarou.

Os problemas de saúde comprometeram a mobilidade de Phil Collins e o impediram de continuar tocando bateria – Fotos (arquivo) Reprodução
Histórico de problemas com a bebida
Essa não foi a primeira vez que o músico falou sobre sua relação com o álcool. Em 2015, durante entrevista à revista Rolling Stone, ele revelou ter enfrentado outro período de alcoolismo após o divórcio de sua terceira esposa, Orianne Cevey, em 2006.
Na ocasião, Collins contou que passava grande parte do tempo em casa assistindo televisão e bebendo, comportamento que quase lhe custou a vida.
“Passei por momentos muito difíceis. Bebia demais para tentar lidar com tudo o que estava acontecendo”, afirmou na época.
Saúde fragilizada
Além da luta contra o alcoolismo, Phil Collins convive há anos com diversos problemas de saúde. O artista passou por cirurgias na coluna e no pescoço, o que comprometeu seus movimentos e o impediu de continuar tocando bateria, instrumento que marcou sua carreira.
Durante a turnê de despedida do Genesis, realizada em 2021, Collins permaneceu sentado durante os shows e participou apenas como vocalista. Seu filho, Nic Collins, assumiu a bateria nas apresentações.

Nicholas Collins mostra a maneira real de tocar a virada de bateria mais famosa do pai dele em “In The Air Tonight” – Foto: Getty Images
Phil Collins também revelou, em 2016, que havia sido diagnosticado com diabetes.
Antes da reunião do Genesis, Collins já havia comentado que as limitações físicas mudaram sua forma de se apresentar, mas destacou que continuava recebendo o carinho do público.
Carreira marcada por sucessos
Considerado um dos artistas mais bem-sucedidos da música britânica, Phil Collins alcançou fama mundial tanto como integrante do Genesis quanto em carreira solo.
Após assumir os vocais da banda no lugar de Peter Gabriel, ajudou a transformar o grupo em um fenômeno comercial, acumulando diversos álbuns no topo das paradas britânicas entre as décadas de 1980 e 1990.
Em carreira solo, também conquistou enorme sucesso com canções que se tornaram clássicos da música internacional, como “In the Air Tonight”, “Against All Odds” e “Easy Lover”.
Seu trabalho de estúdio mais recente é o álbum Going Back, lançado em 2010. Após um período afastado dos palcos, o cantor retornou em 2015 motivado pelo desejo de que seus filhos pudessem acompanhar sua trajetória artística antes de sua aposentadoria definitiva.
Quem é Phil Collins: uma das maiores lendas da música britânica
Phil Collins é um dos artistas mais bem-sucedidos da história da música mundial. Nascido em Londres, em 30 de janeiro de 1951, iniciou a carreira ainda na infância como ator, mas foi na música que alcançou reconhecimento internacional.
Sua trajetória ganhou projeção em 1970, quando ingressou no Genesis como baterista. Cinco anos depois, assumiu também os vocais da banda após a saída de Peter Gabriel. Sob sua liderança, o grupo deixou de ser apenas uma referência do rock progressivo para se tornar um fenômeno comercial, emplacando sucessos como Invisible Touch, Land of Confusion, Mama, That’s All e I Can’t Dance.

Foto: Michael Ochs (Arquivo)/Getty Images
Paralelamente, Collins construiu uma das carreiras solo mais bem-sucedidas dos anos 1980 e 1990. Entre seus maiores sucessos estão In the Air Tonight, Against All Odds (Take a Look at Me Now), One More Night, Another Day in Paradise, Easy Lover (com Philip Bailey), Sussudio e You’ll Be in My Heart, música composta para a trilha sonora do filme Tarzan (1999), da Disney, vencedora do Oscar de Melhor Canção Original e do Globo de Ouro.
Ao longo da carreira, Phil Collins vendeu mais de 150 milhões de discos entre trabalhos solo e com o Genesis, tornando-se um dos artistas mais vendidos de todos os tempos. Ele também conquistou oito prêmios Grammy, seis Brit Awards, um Oscar, dois Globos de Ouro e um Disney Legend Award, além de integrar o Rock and Roll Hall of Fame como membro do Genesis desde 2010.
As passagens de Phil Collins pelo Brasil
Phil Collins esteve diversas vezes no Brasil ao longo da carreira, tanto em apresentações solo quanto com o Genesis.
Sua primeira visita aconteceu em 1977, quando o Genesis realizou shows em São Paulo durante a turnê do álbum Wind & Wuthering. A banda retornou ao país apenas duas décadas depois.

Reprodução
Em 1992, já como um dos maiores nomes da música pop, Collins voltou ao Brasil com o Genesis para apresentações da turnê We Can’t Dance, realizando shows que reuniram milhares de fãs.
Tentativa em 1993: Embora tenha lançado o álbum Both Sides em 1993 e tencionado vir à América do Sul, seu agente não fechou acordos com os promotores locais na época.
Phil Collins retornou ao Brasil em 2018, quando foi uma das principais atrações do festival MITA? Não. (Na verdade, ele realizou dois shows da turnê Not Dead Yet Live!, em São Paulo, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro.) As apresentações marcaram seu retorno aos palcos após anos afastado por problemas de saúde. Devido às limitações físicas provocadas por cirurgias na coluna e no pescoço, o cantor realizou os shows sentado, enquanto seu filho, Nic Collins, assumiu a bateria.

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Apesar das restrições físicas, as apresentações emocionaram o público brasileiro ao reunir sucessos de diferentes fases da carreira, incluindo músicas do Genesis e clássicos da trajetória solo.
A última turnê de Phil Collins aconteceu em 2021, durante a reunião do Genesis, encerrada em março de 2022. Desde então, o artista permanece afastado dos palcos em razão de seu estado de saúde, que inclui problemas de mobilidade e as consequências de diversas cirurgias.
