
Lionel Messi vestindo a camisa 10 da Argentina disputando a bola com Fred, em uma partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo em partida ocorrida em novembro de 2021 – Foto: Reprodução
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O futebol sempre foi marcado por rivalidades históricas, provocações e disputas intensas dentro e fora de campo. No entanto, quando manifestações racistas passam a fazer parte desse cenário, a rivalidade deixa de ser esportiva para se tornar um problema social.
Em 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, o jornal esportivo argentino Olé protagonizou um dos episódios mais polêmicos da rivalidade entre Brasil e Argentina ao estampar na capa a manchete “Que venham os macacos”, em referência a uma possível final olímpica contra a seleção brasileira. A publicação gerou forte repercussão e foi amplamente condenada por seu caráter racista, embora um integrante da redação tenha alegado, na época, que o termo era “institucionalizado” na Argentina para se referir aos brasileiros. O confronto, no entanto, nunca aconteceu, já que o Brasil foi eliminado pela Nigéria na semifinal, e os nigerianos conquistaram a medalha de ouro ao derrotar a Argentina na decisão.

O jornal esportivo argentino Olé e a publicação com a manchete mais polêmicas da história da rivalidade entre Brasil e Argentina – Foto: Reprodução
A origem da rivalidade
A animosidade entre os países é herança da disputa entre Portugal e Espanha pelas terras sul-americanas. Essa rixa foi tamanha que, no começo do século 20, os dois países chegaram a cortar relações diplomáticas
Conforme destacou a revista Superinteressante em novembro de 2022, a rivalidade entre Brasil e Argentina vai muito além do futebol e tem raízes históricas que remontam ao período colonial, quando Portugal e Espanha disputavam territórios na América do Sul. Essa tensão se fortaleceu ao longo do século XIX com conflitos como a Guerra da Cisplatina e a disputa pela influência política e econômica na região do Rio da Prata. Com o tempo, o futebol tornou-se a principal vitrine dessa competição entre os dois países, transformando seus confrontos em um dos maiores clássicos do esporte mundial.
Quando o racismo não é rivalidade e se torna realidade. Ser chamado de macaco é ofensa?
Para os torcedores argentinos do circo de horrores em rodas de cantilenas nas ruas, estádios e pasmem! – no ônibus dos próprios jogadores, e sim, com a presença do Messi no coro – dá um google nos vídeos que circulam por ai, meu filho, antes de falar que não é verdade! Sim, Messi se omite. E omissão de um ícone global diante das múltiplas e imparáveis ações racistas dos argentinos em jogos em geral, e agora na Copa, amplamente visualizados e viralizados não deixam dúvidas, que o queridinho da FIFA, é um fiu fiu e flor do campo dos dirigentes. Messi silencia diante dos gritos de macaquitos para os adversários, que ecoam para todas as outras seleções que não entram no padrão argentino – América Latrina – eu diria. Não são todo os argentinos – aqueles que não apoiam, lotariam uma kombi.
O fato é que antes as Copas eram transmitidas em TVs e lances repetidos de acordo com a conveniência das emissoras. Mas agora cada torcedor, dos bilhões de habitantes do planeta, tem sua própria transmissão: o celular. Municiado do seu aparelho o torcedor deixou de ser influenciado, para ser influenciador. Ele repete o lance mil vezes, ele é técnico, jogador, campo, torcida e bola! E não se cala e manifesta seu humor, drama ou paixão nas redes, conectado opiniões contrárias ou divergentes. A pauta do racismo é muito maior – noutro momento a gente senta aqui, entre uma linha e outra dos textos, e conversa mais – hoje, só quero manifestar minha indignação pelas injustiças das seleções que passaram na lupa da parcialidade dos juízes, FIFA e do claro favorecimento aos argentinos.
Trechos dos cantos racistas chamam brasileiros de macacos e o Brasil de favela e um dos trechos da música de ofensa aos franceses é de horrorizar: “…Eles jogam pela França, mas são de Angola, que bom que eles vão correr, se relacionam com transexuais, a mãe dele é nigeriana, o pais dele é camaronês, mas no passaporte é francês…”
Espero que na copa do Catar – alguém mande o racismo se catar!
Panchi-kun, o Punch, o macaquinho-japonês

Punch, com seu orangotango de pelúcia da Ikea, dado pelos tratadores do Zoológico de Ichikawa, no Japão – Foto: Reprodução
E deixo aqui uma reflexão sobre ser macaco – por meio do macaquinho Punch, um amor global de quem se acha macaco, de quem se identificou com esse primata, pelo bulling sofrido por ele, e não pela aparência de cor da pele, traços faciais ou condição monetária.
Ser chamado de macaco não deveria ser ofensa. A questão não é se você gosta de negros, a questão é se você gosta de liberdade para ser e viver! Ative seu modo coragem com o Punch!
Já ativou seu modo resiliência no estilo”Punch”? O macaco-coragem que nos ensinou mais sobre rejeição e superação do que livros, coach ou psicologia.
A história de Panchi-kun, o Punch, o macaquinho-japonês (foto) agarrado ao seu terrritório de conforto, um orangotango de pelúcia da Ikea, dado pelos tratadores do Zoológico de Ichikawa, no Japão, para facilitar sua socialização no grupo dos macacos, viralizou no mundo inteiro, não pela teoria que o humanos e macacos compartilham um ancestral comum e são primatas, ou porque o Viny Júnior sofreu racismo, viralizou porque em algum momento da nossa vida, fomos o Punch. Na escola, na praça, na festa, no shopping, em casa ou no emprego. Já sofremos solidão, rejeição, bullyng e medo.
Mas como que um macaquinho de sete meses com centímetros de tamanho consegue se agigantar, abraçar e fazer sofrer o planeta terra, a ponto de um derrame de lágrimas alcançar milhões de olhares lacrimejantes a cada vídeo dele sendo maltratado pela tribo, e diminuindo em proporção os sete mares do mapa mundi? Não sei, mas imagino, porque todos nós que acompanhamos a história dele gostaríamos de se transformar no orangotango laranja de pelúcia, encher os macacões que batiam e mordiam, Punch, de porrada e puxar o rabo.
Punch, encolhido entre a aridez e dureza da pedra do zoológico, e a maciez da pelúcia do amigo mudo, porém, empático, saiu abrindo de forma cirúrgica as feridas e cicatrizes dos apelidos, surras, rejeições de beijos nunca dados, cartas nunca lidas e carinho jamais recebido, sem sair do Japão. Rodou o mundo. Uma indiana viu seu vídeo receber 7 milhões de visualizações só por mostrar a fila kilométrica no zoológico para ver Punch: _ perae, uma fila, o povo de costas, só anônimos? Mentira! A Vírgínia devia tá lá! Alguém do BTS? Algum famoso, claro! Não tinha famoso, só tinha Punch, ao som dos gritos da plateia a cada rejeição, a administração limitando o tempo de observação para que a fila andasse. O mundo comovido, celebridades e anônimos divulgando a história. O presidente da marca Ikea indo lá doar mais orangotangos laranjas, enquanto o produto já esgotava o estoque em todas as lojas do mundo.
A internet comovida e disposta a mudar a história para amenizar a dor real, criou memes, onde Punch orientado a se vingar pelo César do planeta dos macacos, kink kong, Karate Kid, Liga da Justiça e até Jesus Cristo apareceu em socorro do Punch.
Tudo isso por ser uma narrativa comovente de rejeição, solidão e, só depois, superação. Quando um macaco adulto resolveu que Punch não apanharia mais. E o primeiro abraço primitivo foi dado – paz na cabana – todos nós fomos abraçados juntos.
Há quem afirme que será roteiro de filme – não duvido. O roteiro nasceu pronto: o abandono e a pelúcia, o início triste, rejeitado por sua mãe, um fenômeno natural, porém cruel. O “Amigo” de pelúcia para aliviar a solidão e simular o conforto materno – dado pela equipe. A dificuldade de integração e o bullying, rejeitado e intimidado pelos outros filhotes e adultos. Ameaças: vídeos mostram Punch sendo arrastado por adultos gerando grande comoção internacional e preocupação com sua segurança. E o plot twist da virada: Punch acolhido por um macaco protetor, e o final feliz que a gente ama, ele já socializado brincando com outros filhotes e aceito pelo bando.
Maldosos já falaram: foi aceito porque a família dos macacos é interesseira e sabe que o Punch ficou famoso. Vamos ter mais fé na humanidade, né, todo mundo ama o Punch e o humor tá valendo. E sobre macaco ser ofensa, como no caso de um jogo de futebol, sofrido por Viny Jr., que virou protocolo contra o racismo e Lei, ou nos casos de racismo na Copa do Mundo, escancarados, fica a reflexão da sombra: porque amam Punch e porque a cor da pele negra é sinônimo de ofensa, ser macaco, dói? Fora racistas! E que a coragem de Punch inspire todos nós, superando a rejeição, curando feridas e acreditando que o melhor da vida vai começar!
