Justiça

Amazonas

PF mira empresário do Amazonas em operação contra suposto esquema de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

Operação Reduto cumpriu mandados no Amazonas e em Rondônia; investigadores apreenderam cerca de R$ 800 mil em espécie e apuram contratos públicos milionários firmados por empresas do grupo. A empresa se pronunciou por meio de nota.


A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a Operação Reduto para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio de recursos públicos com atuação nos estados do Amazonas e Rondônia. Entre os principais alvos da investigação está o empresário Ivair Ferreira, apontado como proprietário da Millennium Locadora e sócio do restaurante Barollo, em Manaus.

Durante o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, agentes localizaram aproximadamente R$ 800 mil em dinheiro vivo na residência do empresário, na capital amazonense. Segundo a investigação, o valor estava armazenado em pacotes de cédulas.

Continua depois da Publicidade

A Polícia Federal esclareceu que o dinheiro apreendido pertence ao empresário investigado e não possui relação com parlamentares, servidores ou agentes públicos da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), informação divulgada para evitar interpretações equivocadas nas redes sociais.

Além da quantia em espécie, os policiais apreenderam veículos de alto padrão, relógios de luxo e outros bens que poderão subsidiar o avanço das investigações patrimoniais.

Contratos públicos estão entre os focos da investigação

De acordo com os investigadores, um dos principais eixos da apuração envolve contratos públicos firmados pela Millennium Locadora em diferentes estados.

Com sede em Manaus e filial registrada em Porto Velho (RO), a empresa acumulou contratos de grande porte com órgãos públicos ao longo dos últimos anos.

Entre eles estão um contrato superior a R$ 15 milhões para locação de máquinas junto ao Governo do Amazonas, outro de aproximadamente R$ 106 milhões com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Manaus e um contrato de R$ 277,6 milhões firmado com o Departamento de Estradas de Rodagem de Rondônia (DER-RO), posteriormente suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO).

A empresa também participou de processos licitatórios promovidos pela Superintendência Estadual de Licitações (Supel) e manteve contratos com a Prefeitura de Porto Velho e com a Assembleia Legislativa de Rondônia para prestação de serviços de locação de veículos.

Inteligência financeira deu origem às investigações

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início após análises de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelo grupo empresarial.

Com autorização do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), os investigadores aprofundaram a apuração e passaram a analisar contratos, fluxo financeiro e a estrutura societária das empresas ligadas ao grupo.

A suspeita é de que pessoas jurídicas tenham sido utilizadas para ocultar recursos supostamente obtidos de forma ilícita por meio de fraudes em licitações e contratos públicos.

Até o momento, as acusações permanecem em fase de investigação e ainda serão analisadas pela Justiça. A defesa de Ivair Ferreira não havia se manifestado oficialmente até a última atualização desta reportagem.

Empresa já esteve no centro do noticiário nacional

A Millennium Locadora ganhou projeção nacional em novembro de 2022, quando um avião executivo pertencente ao grupo foi utilizado para transportar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de São Paulo para Brasília após o resultado das eleições presidenciais.

 

O jatinho que levou Lula de São Paulo a Brasília pertence ao empresário, Ivair Ferreira – Foto: Reprodução

 

Na ocasião, também embarcaram a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o então coordenador da equipe de transição, Fernando Haddad. O episódio gerou repercussão política devido aos contratos públicos mantidos pela empresa, embora não tenha sido apontada qualquer irregularidade relacionada ao transporte.

Combate à lavagem de dinheiro

Especialistas em direito penal econômico destacam que operações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro costumam ser estruturadas a partir do cruzamento de informações bancárias, fiscais e patrimoniais, permitindo às autoridades rastrear a origem e a movimentação dos recursos investigados. Nos últimos anos, a Polícia Federal tem intensificado ações desse tipo em diferentes estados brasileiros, frequentemente em parceria com órgãos de controle financeiro e o Poder Judiciário.

A empresa publicou nota de esclarecimento sobre o caso