Cultura

Amazônia

Caprichoso conquista o título do 59º Festival de Parintins após disputa acirrada com o Garantido

Boi Bumbá azul e branco vence por apenas 0,7 ponto, domina segunda e terceira noites de apresentações e reafirma protagonismo na maior manifestação cultural da Amazônia.


Presidente do Boi Bumbá Caprichoso, Rossy Amoedo, ergue a taça de campeão – Foto: Reprodução

 

O Boi Caprichoso é o grande campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins. O resultado foi anunciado na tarde desta segunda-feira (29), após a apuração das notas das três noites de apresentações realizadas no Bumbódromo, encerrando uma das disputas mais equilibradas dos últimos anos.

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O boi azul e branco somou 1.259 pontos, contra 1.258,3 do Garantido, conquistando o título com uma vantagem de apenas 0,7 ponto.

Na primeira noite, as duas agremiações empataram com 419,6 pontos. O Caprichoso abriu vantagem na segunda noite ao marcar 419,7 pontos contra 419,3 do rival. Na terceira e última apresentação, voltou a superar o Garantido ao alcançar 419,7 pontos, enquanto o boi vermelho e branco recebeu 419,4.

Ao todo, os jurados avaliaram 21 itens distribuídos em três blocos, entre eles apresentador, levantador de toadas, porta-estandarte, sinhazinha da fazenda, cunhã-poranga, pajé, alegorias, ritual indígena, lenda amazônica, figura típica regional, galera e evolução.

 

 

Tema valorizou identidade amazônica

O Caprichoso levou para a arena o projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, dividido em três atos: “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”, “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida” e “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”.

O espetáculo apresentou uma narrativa voltada à valorização da identidade amazônica, da ancestralidade, do pertencimento e da resistência cultural dos povos da região, reunindo grandes alegorias, efeitos cênicos e tecnologia.

 

Fotos: Reprodução

 

Três noites de emoção no Bumbódromo

A abertura do festival foi marcada pelo equilíbrio entre as apresentações. O Caprichoso apostou em uma entrada aérea de grande impacto e emocionou o público com homenagens aos brincantes do boi-bumbá e à história de Parintins. Entre os destaques estiveram a evolução da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, e a apresentação da cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que surgiu da alegoria “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”.

O Garantido respondeu com um espetáculo voltado à valorização das mulheres amazônicas, dos povos indígenas e da identidade cultural da ilha. A estreia da sinhazinha Raíra Lins e a performance da cunhã-poranga Isabelle Nogueira foram alguns dos momentos mais aplaudidos da primeira noite.

Na segunda apresentação, o Caprichoso destacou a floresta como território sagrado por meio do espetáculo “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”. A lenda do Curupira e o ritual indígena conduzido pelo pajé Erick Beltrão figuraram entre os pontos altos da noite.

O Garantido apresentou “Portal da Diversidade”, reforçando a pluralidade cultural amazônica e a convivência entre diferentes povos e tradições.

Encerrando o festival, o Caprichoso levou para a arena o espetáculo “Norte Brasil – Chão de Bravos”, homenageando a resistência dos povos da Região Norte, a cultura popular e os saberes ancestrais. A apresentação contou com homenagens, rituais indígenas, figuras típicas e um emocionante tributo ao ex-tripa Markinho Azevedo.

O Garantido fechou a programação com “Parintins, Terra Encantada”, transformando a arena em uma celebração das lendas, da fé e da espiritualidade amazônica. Durante a apresentação, Isabelle Nogueira anunciou sua despedida do posto de cunhã-poranga, cargo que ocupava desde 2014.

Vitória comemorada

Após a divulgação do resultado, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, celebrou a conquista e agradeceu o empenho de todos os integrantes da associação.

Segundo ele, o título é resultado do trabalho coletivo desenvolvido ao longo de meses por artistas, diretoria, itens oficiais, torcida e equipes de produção, que construíram um espetáculo marcado pela inovação, qualidade artística e valorização da cultura amazônica.

O projeto artístico vencedor foi elaborado pelo Conselho de Artes do Caprichoso, que definiu o tema como uma reflexão sobre o boi-bumbá enquanto símbolo de identidade, memória e pertencimento dos povos da Amazônia.

 

Fotos: Reprodução

 

Maior espetáculo folclórico da Amazônia

Realizado anualmente em Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, o Festival Folclórico de Parintins é considerado um dos maiores eventos culturais do Brasil e movimenta a economia do Amazonas por meio do turismo, da geração de emprego e da valorização da cultura popular.

Durante três noites, milhares de torcedores lotam o Bumbódromo para acompanhar a disputa entre Caprichoso e Garantido, em apresentações que unem música, dança, teatro, artes plásticas, tecnologia, alegorias monumentais e rituais inspirados nas tradições indígenas e nas lendas amazônicas.

A edição de 2026 reforçou o reconhecimento do festival como uma das principais vitrines da cultura brasileira, reunindo visitantes de diversas regiões do país e do exterior e consolidando Parintins como um dos destinos turísticos mais importantes da Amazônia.

Festa da vitória

Logo após a confirmação do resultado, a Nação Azul e Branca iniciou uma grande comemoração pelas ruas de Parintins. Em carreata, torcedores acompanharam o Boi Caprichoso até o Curral Zeca Xibelão, tradicional reduto da agremiação, onde milhares de pessoas participaram da Festa da Vitória, com apresentações dos itens oficiais, artistas e muita celebração pela conquista do 27º título da história do boi. A programação seguiu durante a noite reunindo torcedores, moradores e visitantes que permaneceram na ilha após o encerramento do festival.

 

Artistas do Boi Caprichoso celebram título do Festival de Parintins 2026 em trio elétrico ao lado de torcedores — Foto: Patrick Marques/g1 AM

 

Em Manaus, a conquista também foi comemorada por milhares de torcedores do Touro Negro, que se reuniram em diversos pontos da capital amazonense para acompanhar a apuração e celebrar o resultado com carreatas, buzinaços, queima de fogos e festas organizadas pelo Movimento Marujada.

A tradicional Festa da Vitória, realizada após o Festival de Parintins, reunirá integrantes da nação caprichoso, artistas e simpatizantes, mantendo viva na capital a emoção da conquista alcançada na Ilha Tupinambarana.

A vitória consolida mais um capítulo da trajetória recente do Caprichoso, que voltou a levantar o troféu após apresentações marcadas pela inovação cênica, grandes alegorias, valorização da identidade amazônica e forte participação da galera azul e branca, considerada um dos itens mais emblemáticos do Festival de Parintins.