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Justiça condena acusados por assassinato brutal de grávida em Manaus após seis dias de julgamento

Caso que chocou o Amazonas termina com penas superiores a 63 anos para principal réu; crime envolveu feminicídio, ocultação de cadáver e morte de bebê de oito meses.


Familiares de Débora da Silva Alves, de 18 anos, estava grávida de oito meses, quando foi morta em Manaus – Foto: Reprodução/TJAM

 

MANAUS — Após quase seis dias de julgamento no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, em Manaus, a Justiça do Amazonas condenou, na madrugada desta segunda-feira (1º), os acusados pela morte da jovem Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses quando foi assassinada em julho de 2023. O caso ficou marcado como um dos crimes mais violentos e chocantes da história recente do estado.

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O principal acusado, Gil Romero Machado Batista, recebeu pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. Já José Nílson Azevedo da Silva foi condenado a 17 anos e 8 meses de reclusão. A decisão foi proferida pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, após uma sessão que começou no dia 27 de maio e reuniu dezenas de testemunhas, familiares da vítima e representantes do Ministério Público.

 

Foto: Reprodução

 

Crime teve repercussão nacional

Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Débora desapareceu na madrugada de 30 de julho de 2023 após sair de casa para encontrar Gil Romero, apontado como pai do bebê que ela esperava. A jovem teria sido atraída sob a promessa de receber dinheiro para comprar um berço para a criança.

A acusação sustenta que a vítima foi levada para uma área próxima à Usina Termelétrica Mauá 2, no bairro Mauazinho, zona leste da capital amazonense. No local, ela foi assassinada por asfixia com um fio elétrico. Em seguida, os criminosos colocaram o corpo dentro de um tonel e atearam fogo para ocultar o crime. Como o corpo não cabia no recipiente, partes dele foram mutiladas.

As investigações também apontaram que, após o assassinato, o bebê foi retirado do ventre da vítima. Inicialmente, Gil Romero apresentou versões contraditórias sobre o destino da criança, afirmando primeiro que o bebê teria sido queimado junto com a mãe e, posteriormente, que o havia lançado em um rio. Meses depois, restos mortais atribuídos ao bebê foram encontrados na mesma região onde o corpo de Débora havia sido localizado.

Motivação do crime

Para o Ministério Público, o assassinato foi planejado para esconder a gravidez e impedir que a relação extraconjugal de Gil Romero viesse a público. Durante o julgamento, promotores classificaram o episódio como um dos crimes mais brutais já registrados no Amazonas.

 

Gil Romero e Débora Alves – Fotos: Redes Sociais/Reprodução

 

Familiares acompanharam os trabalhos desde o início do júri popular e realizaram manifestações pedindo justiça. A mãe, o pai, avós e outros parentes da vítima compareceram ao fórum durante toda a semana, cobrando a condenação dos responsáveis.

Condenações

Gil Romero foi condenado pelos crimes de feminicídio qualificado, aborto provocado por terceiro sem consentimento da gestante e ocultação de cadáver. Os jurados reconheceram agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Já José Nílson teve parte das acusações afastadas pelo Conselho de Sentença, mas foi considerado culpado por homicídio qualificado por motivo torpe, na condição de coparticipante do crime.

Com a sentença, ambos permanecerão presos e iniciarão imediatamente o cumprimento das penas em regime fechado.

Caso se tornou símbolo de combate ao feminicídio

Desde 2023, o assassinato de Débora mobilizou autoridades, movimentos de defesa das mulheres e a população amazonense. A brutalidade do crime e a morte do bebê que a jovem carregava transformaram o episódio em um dos casos criminais de maior repercussão no estado nos últimos anos.

Resumo do caso

  • Débora da Silva Alves tinha 18 anos e estava grávida de oito meses.
  • Ela desapareceu em 30 de julho de 2023 após sair para encontrar Gil Romero.
  • Segundo a investigação, a jovem foi atraída com a promessa de receber dinheiro para comprar um berço.
  • Débora foi assassinada por asfixia em uma área próxima à Usina Termelétrica Mauá 2, em Manaus.
  • O corpo foi colocado em um tonel e incendiado para ocultar o crime.
  • O bebê foi retirado do ventre da vítima após o assassinato.
  • Gil Romero foi preso no Pará dias após fugir do Amazonas.
  • O julgamento durou quase seis dias.
  • Gil Romero foi condenado a 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão.
  • José Nílson recebeu pena de 17 anos e 8 meses.