Justiça

Política

STF dá prazo de 90 dias para governo apresentar plano de retirada de invasores em terra indígena no Pará

Decisão do ministro Edson Fachin determina medidas para desocupação da Terra Indígena Cachoeira Seca, uma das áreas mais afetadas pelo desmatamento na Amazônia Legal.


BRASÍLIA — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou que o governo federal apresente, em até 90 dias, um plano detalhado para a retirada de ocupantes da Terra Indígena Cachoeira Seca, localizada na região do Xingu, no Pará. A área é considerada uma das mais pressionadas pelo avanço do desmatamento na Amazônia Legal.

A decisão também prevê a criação de um Comitê de Governança voltado à proteção de povos indígenas isolados e de recente contato. O grupo terá a missão de coordenar ações de proteção territorial, regularização fundiária e assistência à saúde das comunidades indígenas da região.

Continua depois da Publicidade

Entre as medidas exigidas pelo STF estão a definição de um cronograma para a retirada dos invasores, a indenização de ocupantes reconhecidos como de boa-fé pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a atuação integrada de órgãos federais, como Polícia Federal, Força Nacional, Incra e Ministério Público Federal.

Fachin também determinou que sejam adotadas ações específicas para garantir a segurança do povo Arara durante o processo de desocupação, além da criação de indicadores para monitorar o cumprimento das medidas.

Após a homologação do plano pelo Supremo, o governo deverá encaminhar relatórios semestrais detalhando o andamento das ações, os resultados alcançados e os desafios enfrentados na execução das medidas.

 

Terra Indígena Cachoeira Seca, na região do Xingu, no Pará. — Foto: Lilo Clareto / ISA

 

Quase uma década sem solução definitiva

Homologada em abril de 2016, a Terra Indígena Cachoeira Seca possui cerca de 733 mil hectares. Apesar da identificação de centenas de ocupações irregulares e da conclusão do levantamento de benfeitorias, o ministro destacou que ainda não há comprovação da indenização dos ocupantes considerados de boa-fé.

Na decisão, Fachin ressaltou que a retirada dos ocupantes já havia sido estabelecida como condicionante da licença ambiental da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, emitida em 2010, mas permanece sem execução efetiva.

Desmatamento e pressão crescente

O ministro apontou o agravamento das invasões nos últimos anos, com o avanço do desmatamento, abertura de estradas clandestinas, exploração ilegal de madeira e atividades de garimpo dentro do território.

Dados citados na decisão indicam que aproximadamente 10% da área já foi desmatada e que centenas de quilômetros de ramais ilegais foram abertos desde 2018. O documento também registra a presença de rebanhos bovinos e parcelamentos irregulares no interior da terra indígena.

Fachin alertou ainda para os impactos sociais e psicológicos sofridos pelo povo Arara, destacando que a demora na solução dos conflitos fundiários aumenta os riscos à integridade física, cultural e à sobrevivência da comunidade indígena.

Além da questão envolvendo Cachoeira Seca, o STF determinou que o governo federal apresente, em até 15 dias, um cronograma atualizado para a criação do Parque Nacional Tanaru.