Justiça

Nazismo

Português é condenado por ligação com grupo neonazista em Santa Catarina

Ex-integrante de torcida organizada em Portugal, Miguel Angelo Gaspar Pacheco recebeu pena de 6 anos e 6 meses; defesa nega participação e diz que vai recorrer.


 

 

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Miguel D´Almada era um dos líderes de uma célula neonazi de Santa Catarina com ligações a organização extremista norte-americana – Foto: Reprodução

No dia em que a comunidade judaica marca o início do Yom HaShoá, celebrado ao pôr do sol em memória das seis milhões de vítimas do Holocausto e em homenagem à resistência judaica, o português Miguel Angelo Gaspar Pacheco, conhecido como Miguel D’Almada, foi condenado pela Justiça brasileira a seis anos e seis meses de prisão por envolvimento com um grupo neonazista que atuava em Santa Catarina.

Segundo a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ele integrava a organização Southlands Hammerskins, apontada como uma ramificação da rede extremista internacional Hammerskin Nation.

A condenação ainda cabe recurso.

Investigação começou após publicação nas redes

As investigações tiveram início após o acusado publicar, em redes sociais, uma imagem fazendo saudação nazista. A partir disso, autoridades identificaram sua suposta atuação dentro do grupo.

Em novembro de 2022, ele e outras sete pessoas foram presas em flagrante durante um encontro da organização em São Pedro de Alcântara, no interior catarinense.

Miguel permaneceu detido até julho de 2023, quando foi solto após pagamento de fiança superior a 18 mil euros (cerca de R$ 105 mil à época). Atualmente, responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares.

Histórico em torcidas organizadas

Antes de se mudar para o Brasil, em 2007, Miguel era conhecido no meio de torcidas organizadas em Portugal. Ele teve ligação com a Juventude Leonina, grupo de torcedores do Sporting Clube de Portugal.

De acordo com a investigação, ele também teria participado da criação de uma célula de orientação neonazista dentro da torcida, chamada Grupo 1143.

Defesa contesta decisão

A defesa, representada pelo advogado Luís Eduardo de Quadros, afirma que não há provas concretas de que o réu tenha integrado organização criminosa estruturada ou praticado incitação ao preconceito.

Segundo o advogado, a acusação se baseia em interpretações ampliadas e em dados digitais considerados frágeis. A defesa informou que irá recorrer da decisão.