
O espetáculo “Nossa Paixão – A Luz do Mundo” contou com apoio da Prefeitura e atraiu centenas de espectadores, mesmo com a polêmica gerada por cenas mais ousadas – Foto: Reprodução
A Semana Santa de 2026 na América Latina tem sido marcada por polêmicas envolvendo encenações e manifestações públicas relacionadas à Paixão de Cristo, provocando debates sobre o respeito à fé e os limites da liberdade de expressão.
No interior de Pernambuco, o espetáculo “Nossa Paixão – A Luz do Mundo”, realizado pelo Instituto Cultural e Ecológico Terra Agreste (Icetag) em Gravatá, gerou críticas ao incluir uma cena considerada erótica, com atores seminus realizando uma dança que remetia a um bacanal do rei Herodes. Parte do público classificou a encenação como desrespeitosa e inadequada para o período religioso, principalmente por ser assistida por crianças. Em resposta, o Icetag afirmou que “cada cena faz parte de um contexto maior, pensado de forma cuidadosa para transmitir a mensagem da Paixão em sua totalidade”. O espetáculo recebeu R$ 377 mil da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer em 2025, e teve apoio da prefeitura em 2026.
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Enquanto isso, na Carrera Séptima, no centro de Bogotá, Colômbia, um grupo LGBT realizou encenações públicas associadas à crucificação de Jesus durante o “Septimazo”, coincidindo com a visita de milhares de fiéis às sete igrejas. A manifestação provocou indignação de parte da população, que considerou o ato uma zombaria de um símbolo religioso sagrado. Por outro lado, defensores do grupo destacaram o direito constitucional à liberdade de expressão e à manifestação pública.
Marcha do orgulho LGBT em Bogotá, modelo semelhante à manifestação ocorrida durante a Semana Santa, que gerou debate sobre liberdade de expressão e respeito religioso – Vídeo: Reprodução

A presença de símbolos e encenações provocativas nas ruas da capital colombiana durante a Semana Santa reacendeu discussões sobre os limites entre manifestação pública e respeito às crenças religiosas – Foto: Reprodução
Especialistas em direitos civis apontam que esses episódios exemplificam o delicado equilíbrio entre liberdade artística e respeito às crenças religiosas, especialmente em datas e locais de forte significado cultural e espiritual. “Manifestações e encenações públicas exigem sensibilidade social. É possível expressar uma ideia ou identidade sem desrespeitar símbolos coletivos profundamente sentidos”, afirma um professor de Sociologia da Religião da Universidade Federal de Pernambuco.
Os casos reforçam que, em toda a América Latina, manifestações culturais e religiosas durante a Semana Santa continuam sendo um campo de tensão entre tradição, fé e novas formas de expressão artística, exigindo diálogo entre artistas, autoridades e comunidade religiosa.
