Política

Economia

Haddad se despede da Fazenda com legado de impostos, gastos altos e dívida pública em crescimento

Ministro anuncia saída para disputar governo de São Paulo; trajetória de três anos deixa dívida próxima a 82% do PIB.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai deixar a pasta até semana que vem para se dedicar a sua campanha para o governo de São Paulo – Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está prestes a deixar o cargo neste mês, após anunciar que cumpriu sua “missão” à frente da pasta. Haddad, que será candidato ao governo de São Paulo nas eleições de outubro, deixa um legado marcado pelo aumento de impostos, expansão dos gastos públicos e crescimento acelerado da dívida pública.

Durante sua gestão, a dívida bruta do governo passou de 71,7% do PIB, em 2023, para 79% do PIB em 2025, com projeções para 81,7% em 2026, podendo chegar a 84,9% segundo estimativas de mercado. Economistas destacam que a trajetória da dívida nos últimos três anos é uma das mais elevadas da história recente, superando inclusive aumentos de gestões anteriores.

Continua depois da Publicidade

Apesar de Haddad defender que metas fiscais foram cumpridas, especialistas alertam que grande parte do resultado decorreu de ajustes contábeis e exclusão de despesas do cálculo do déficit, além de medidas excepcionais para lidar com eventos climáticos e outros gastos extraordinários.

A gestão do ministro também ficou marcada por polêmicas políticas e crises de comunicação, como a discussão sobre monitoramento de transações do Pix e tentativas de ampliar tributos sobre fundos exclusivos e aplicações financeiras. No Congresso, medidas de recomposição fiscal enfrentaram resistência e negociações prolongadas, resultando em soluções intermediárias.

Entre os avanços, Haddad reorganizou a base de arrecadação do governo e conduziu reformas estruturais, como a reforma tributária sobre consumo (EC 132/2023) e o Marco Legal das Garantias (Lei 14.711/2023). Ainda assim, especialistas consideram seu legado ambíguo, combinando conquistas administrativas com aumento da carga tributária e fragilidade fiscal.

Nos bastidores, o nome mais cotado para assumir a Fazenda é Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta.

Haddad deixa o cargo e projeta agora sua atuação política em São Paulo, enquanto o país observa os desafios fiscais deixados para o próximo governo.