
Piloto confessa crimes e entrega vídeos e fotos a polícia – Foto: Reprodução (Rede Globo)
A prisão de um piloto de avião em São Paulo nesta semana trouxe à tona um caso grave de violência sexual envolvendo adolescentes. De acordo com a polícia, o suspeito, de 62 anos, adotava uma estratégia de aproximação das famílias para conquistar confiança e facilitar o acesso às vítimas.
Ainda conforme as investigações, após estabelecer vínculo com os familiares, ele passava a ameaçar as adolescentes para manter os encontros e evitar denúncias. O caso é apurado pela Delegacia de Repressão à Pedofilia e segue sob segredo de Justiça.
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O programa Fantástico da Rede Globo teve acesso, com exclusividade, aos detalhes da investigação e ao vídeo gravado ainda no aeroporto, no momento da prisão, no qual o piloto relata aos policiais o que mantinha no celular e como agia.
Operação planejada
A prisão do piloto ocorreu na segunda passada em uma operação coordenada no saguão de Congonhas. Policiais se dividiram em diferentes pontos do aeroporto até localizarem o piloto na cabine do avião.
“Pega para mim seus objetos. Pede para acionar o piloto de emergência que ele está sendo preso, tá?”, disse a delegado no momento da abordagem.
Sérgio foi levado para a sala da delegacia instalada dentro do aeroporto, onde respondeu perguntas dos agentes.
“Você sabe o motivo que a gente está aqui?” perguntou um policial. “Sei. Eu quero responder tudo o que for possível”, respondeu o piloto.
- Polícia: E você já saiu com alguém menor?
- Piloto: Saí.
Sérgio também mostrou conteúdos das vítimas que tinha no celular e relatou como conheceu uma delas.
“Conheci ela através da vó dela”, afirmou.
Os policiais perguntam onde determinada gravação havia sido feita. O piloto responde:
“Em um motel em Suzano.”
Para entrar nos estabelecimentos sem levantar suspeitas, ele utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas.
“Ele pedia sempre para as vítimas utilizarem algum acessório para dificultar a visualização pela atendente do motel”, explicou a delegada Luciana Peixoto.
Ainda segundo a delegada, muitas das vítimas relataram que não queriam realizar os atos ou gravar vídeos, mas eram coagidas.
Como atuava o possível esquema criminoso
A polícia afirma que o piloto pagava valores em dinheiro — entre R$ 50 e R$ 100 — às pessoas que enviavam imagens de conteúdo sexual envolvendo menores, que ele armazenava e compartilhava. Em alguns casos, teria inclusive pago aluguel e comprado itens para as famílias em troca de material envolvendo as vítimas.
Para facilitar os encontros em motéis sem levantar suspeitas, ele teria utilizado documentos falsos de adultos para registrar as menores nos estabelecimentos, segundo a delegada responsável.
Prisões e vítimas identificadas
Além do piloto, a operação prendeu uma avó de 55 anos, suspeita de “vender” o acesso a três netas com idades de 10, 12 e 14 anos, e a mãe de outra vítima por armazenamento e envio de vídeos com menores.
Até o momento, a Polícia Civil identificou pelo menos dez vítimas, todas crianças ou adolescentes, mas acredita que o número possa ser maior devido ao material encontrado nos dispositivos do suspeito.
Crimes sob investigação
As apurações apontam que os investigados podem responder por vários crimes, entre eles:
-
Estupro de vulnerável e estupro;
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Favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes;
-
Produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil;
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Uso de documento falso;
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Aliciamento de menores e stalker (perseguição reiterada).
Medidas da companhia aérea
A empresa LATAM Airlines Brasil, à qual o piloto era vinculado, confirmou ter demitido o funcionário após a prisão e informou que abriu uma apuração interna e está colaborando com as autoridades.
A defesa do piloto afirmou que o caso está sob segredo de Justiça e que segue acompanhando o processo com discrição.
As investigações continuam em andamento com a polícia buscando identificar outras possíveis vítimas e envolvidos no caso.
A polícia trabalha agora para identificar possíveis outras vítimas e aprofundar a análise de provas reunidas durante a investigação.
Fonte: G1
