O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o chamado “conselho da paz” destinado a tratar do futuro da Faixa de Gaza. Até o momento, o governo brasileiro não respondeu oficialmente à proposta. Lula tem histórico de críticas às ações militares israelenses no território palestino e já classificou a situação como “genocídio”.
Em declaração feita em setembro do ano passado, antes do acordo firmado no mês seguinte para encerrar o conflito, o presidente brasileiro afirmou que não se tratava de uma guerra. “Em Gaza tem um exército altamente sofisticado matando mulheres e crianças. E até o próprio povo judeu está contra isso”, disse à época.
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São grandes os desafios que Lula e líderes mundiais poderão enfrentar no ‘Conselho de Paz’ de Gaza – Foto: Getty Images
A carta chegou para Lula nesta sexta-feira, 16, via Embaixada brasileira em Washington. A informação foi noticiada pelo ICL Notícias.
O anúncio oficial do conselho foi feito pelo governo americano neste sábado (17). O órgão faz parte da segunda fase do plano apresentado por Washington para encerrar a guerra em Gaza e será presidido pelo próprio Trump. No mesmo dia, o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou que também recebeu o convite e divulgou a carta nas redes sociais. Em publicação no X, afirmou que será “uma honra” participar da iniciativa.
O grupo contará com a presença de aliados próximos ao presidente americano, como o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Também foram convidados o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
A lista de integrantes inclui ainda o empresário bilionário Marc Rowan e Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional. Ao anunciar a criação do órgão, o presidente americano exaltou a composição do grupo. “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, escreveu.
De acordo com a Casa Branca, o conselho de paz terá como foco temas considerados centrais para o futuro de Gaza, como fortalecimento da governança local, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital.
Na sexta-feira, Trump designou o major-general americano Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização, responsável pela segurança do território. A missão também deverá treinar uma nova força policial para substituir o Hamas.
O início da segunda fase do plano foi anunciado na quarta-feira (14) pelo enviado especial dos Estados Unidos para Gaza, Steve Witkoff. Segundo ele, a nova etapa marca a transição do cessar-fogo para um arranjo político e de segurança, com a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, que governará o território durante o período de transição.
O plano prevê ainda o desarmamento de todos os grupos considerados “não autorizados” na Faixa de Gaza. Witkoff afirmou que o descumprimento das obrigações poderá acarretar “sérias consequências”, sem detalhar quais medidas seriam adotadas.
Ao comentar os resultados da primeira fase do plano, Witkoff afirmou que o cessar-fogo foi mantido, que houve entrada de ajuda humanitária em larga escala e que todos os reféns sobreviventes foram libertados. Segundo ele, os corpos de 27 dos 28 reféns mortos também teriam sido devolvidos às famílias.
Em pronunciamentos públicos e discursos na Assembleia Geral da ONU, Lula chegou a classificar a situação em Gaza como “genocídio”, o que aprofundou a crise diplomática com Israel. Em fevereiro de 2024, o governo israelense declarou o presidente brasileiro persona non grata após ele comparar a ofensiva militar ao Holocausto.

Lula segue mal avaliado pelos brasileiros, mostra pesquisa Datafolha – Foto: Taba Benedicto/Estadão
Além de Lula, o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter recebido convite para participar do conselho e afirmou considerar uma “honra” integrar o grupo.
O “Conselho de Paz” foi anunciado oficialmente por Trump na última sexta-feira. O núcleo fundador da iniciativa inclui o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o empresário Jared Kushner, genro do presidente, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
A Casa Branca também informou que o plano prevê a criação de um comitê formado por tecnocratas palestinos para administrar Gaza como parte do acordo mediado pelos Estados Unidos.
No sábado (17), o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o anúncio não foi previamente coordenado com Israel e que a proposta contraria a política do governo israelense. O chanceler Gideon Saar deve tratar do tema diretamente com o secretário de Estado americano.
