
Protesto da Geração Z em frente ao Parlamento da Bulgária na capital Sofia, em 10 de dezembro de 2025 — Foto: Spasiyana Sergieva/REUTERS
Sofia, Bulgária — O primeiro-ministro da Bulgária, Rosen Zhelyazkov, anunciou a renúncia de seu governo nesta quinta-feira (11) em resposta a protestos em massa liderados por jovens, em um episódio que marca a primeira vez que um governo na Europa cai em grande parte devido à mobilização da Geração Z.
As manifestações, que mobilizaram tens de milhares de pessoas em mais de 25 cidades, foram motivadas por uma combinação de fatores: insatisfação com a corrupção persistente no país, rejeição a uma proposta de orçamento considerada impopular e preocupações econômicas às vésperas de a Bulgária entrar oficialmente na zona do euro em 1º de janeiro de 2026.
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‘Voz do povo’ pressionou renúncia
Zhelyazkov anunciou a renúncia minutos antes de uma votação de moção de desconfiança no Parlamento — marcada como a sexta tentativa de derrubar sua coalizão minoritária liderada pelo partido de centro-direita GERB. O premiê afirmou que a decisão foi tomada para responder ao clamor popular e evitar uma pior crise política.
O Parlamento búlgaro aprovou a saída do governo por unanimidade (127–0) nesta sexta-feira (12), oficializando a renúncia do gabinete, que seguirá em funções até que um novo governo seja formado. O presidente Rumen Radev agora iniciará consultas com os partidos para tentar formar uma nova coalizão ou nomear um governo interino caso esses esforços fracassem, com a perspectiva de eleições antecipadas.
Protestos e demandas da juventude
Os protestos tiveram participação expressiva de jovens da chamada Geração Z — nascidos entre meados de 1990 e início dos anos 2010 — que se posicionaram contra o que enxergam como uma classe política corrupta e distante de suas aspirações por transparência e justiça social. Em Sófia, faixas como “Resignation!”, “Mafia Out” e “For Fair Elections” foram projetadas no prédio do Parlamento por manifestantes, muitos deles estudantes universitários.
Mobilizações também ocorreram no exterior, com búlgaros residentes em cidades como Bruxelas, Londres e Nova York realizando protestos solidários no mesmo dia.
Impacto político e econômico
O movimento também coincidiu com a retirada de uma proposta de orçamento para 2026 que incluía aumentos de impostos e contribuições sociais, mas a rejeição popular continuou, refletindo um descontentamento mais amplo com a desigualdade econômica e a influência de oligarcas na política nacional — incluindo figuras sancionadas internacionalmente.
Analistas apontam que a crise expõe a instabilidade política crônica na Bulgária, que realizou várias eleições nos últimos anos e enfrenta o desafio de estabilizar suas instituições ainda em meio à transição para o euro e a pressão por reformas profundas.
crise política na Bulgária (2024–2025)
Dos primeiros sinais de desgaste ao colapso do governo Zhelyazkov
2024
Outubro de 2024 — Eleição com baixa legitimidade
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A Bulgária realiza sua 7ª eleição em 4 anos.
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O resultado produz novamente um Parlamento fragmentado e instável.
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Surge a coalizão minoritária liderada por Rosen Zhelyazkov (GERB), já cercada de críticas.
Início de 2025
Fevereiro–Maio — Crescente descontentamento
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Empresários, sindicatos e estudantes começam a criticar:
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Aumento do custo de vida
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Corrupção persistente
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Falta de avanços em reformas anticorrupção
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Movimentos estudantis começam a se articular online — muitos liderados por jovens da Geração Z.
Junho–Setembro de 2025
Primeiros protestos significativos
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Pequenas manifestações se espalham por Sófia e outras cidades.
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Grupos de jovens utilizam TikTok, Telegram e Twitch para organizar atos e expor denúncias de corrupção.
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A pressão cresce quando investigações internacionais revelam o envolvimento de oligarcas búlgaros em esquemas financeiros.
Outubro de 2025
Orçamento para 2026 causa revolta
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O governo apresenta um orçamento polêmico:
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Aumento de impostos sobre dividendos
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Aumento de contribuições sociais
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Cortes em áreas sociais
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O plano, o primeiro baseado no euro, é percebido como injusto.
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Jovens universitários chamam novos protestos — agora massivos.
Final de novembro de 2025
Explosão dos protestos da Geração Z
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Manifestações simultâneas em mais de 25 cidades.
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Slogans como “Bulgária sem máfia”, “Geração Z chegou” e “Resignation!”.
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Búlgaros no exterior protestam em Bruxelas, Londres e Nova York.
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Confrontos começam a ocorrer entre pequenos grupos e a polícia.
10 de dezembro de 2025
Noite de confrontos em Sófia
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Manifestação pacífica vira conflito após provocações de grupos menores.
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Feridos são atendidos por serviços de emergência.
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Pressão internacional aumenta.
11 de dezembro de 2025
Zhelyazkov renuncia antes de moção de desconfiança
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O premiê anuncia renúncia ao vivo na TV.
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A decisão vem minutos antes da 6ª moção de desconfiança contra seu governo.
12 de dezembro de 2025
Parlamento aceita renúncia por unanimidade
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Votação oficial: 127 a 0 pela saída do governo.
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Presidente Rumen Radev inicia consultas para formar novo gabinete.
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Cenário mais provável: eleições antecipadas.
Janeiro de 2026 (próximo passo)
Entrada da Bulgária na zona do euro
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O país se prepara para adotar o euro como moeda oficial.
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A crise política levanta questionamentos sobre:
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Estabilidade institucional
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Capacidade de implementar reformas econômicas
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Relação com Bruxelas
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Análise: impacto da queda do governo e da entrada no euro
1. Impacto político
✔ Instabilidade prolongada
A renúncia reforça o ciclo de instabilidade que já dura quatro anos.
A formação de um novo governo pode ser difícil devido à fragmentação política.
✔ Fortalecimento da Geração Z
Os jovens passam a ocupar espaço central na política búlgara:
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Mobilização digital extremamente organizada
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Rejeição a práticas oligárquicas
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Demandas por transparência, eleições limpas e reformas judiciais
2. Impacto econômico
✔ A entrada no euro traz benefícios potenciais:
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Maior estabilidade cambial
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Atração de investimentos externos
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Acesso ampliado a crédito para empresas e governo
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Integração mais profunda com o mercado da União Europeia
✔ Mas a crise gera incertezas:
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Reformas podem ser atrasadas ou suspensas
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Investidores ficam cautelosos durante a transição política
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Há risco de queda de confiança nos primeiros meses do euro
3. Relação com a União Europeia
A UE observa o caso com atenção porque:
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Espera maior alinhamento econômico após o euro
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Cobra reformas judiciais e anticorrupção
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Vê a instabilidade como risco ao bloco
4. O futuro imediato
Os cenários possíveis são:
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Governo interino por vários meses
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Novas eleições no início de 2026
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Crescimento dos partidos anticorrupção
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Geração Z se consolidando como força política duradoura
