
Nesta terça-feira, o ciclone cruza o Rio Grande do Sul acompanhado de uma frente fria – Imagem: MetSul
Um ciclone extratropical de intensidade rara está se aproximando do Sul do Brasil e acendeu o alerta de emergência em vários estados. Segundo a MetSul Meteorologia, o sistema se formou nesta segunda-feira e deve atuar com força total entre esta segunda e quinta-feira.
A expectativa é de rajadas de vento entre 100 km/h e 130 km/h — especialmente nas áreas litorâneas, serranas e próximas à Lagoa dos Patos — além de chuva intensa, possibilidade de granizo e tempestades severas.
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Rota do Ciclone CMYK – Arte: Alan Machado/GES
Especialistas alertam que a pressão atmosférica no centro do ciclone deve atingir valores entre 982 e 990 hPa, níveis considerados “excepcionais” e raros para esta época do ano. A baixa pressão intensifica ventos e favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades.
Áreas afetadas e efeitos esperados
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Rio Grande do Sul: epicentro do fenômeno — deve enfrentar o impacto mais severo, com ventos fortes, chuva volumosa e risco de alagamentos, enchentes e destelhamentos.
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Sul, Serra e litoral gaúchos: risco elevado de ventos destrutivos, chuvas intensas e até granizo.
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Estados do Centro-Oeste também estão sob alerta — o ciclone deve se deslocar e ocasionar instabilidades, rajadas de vento e chuvas fortes nas próximas horas.
As consequências previstas incluem:
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Ventania intensa com risco de destelhamentos, queda de árvores e falta de energia;
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Chuvas volumosas em curto espaço de tempo, favorecendo inundações e enxurradas;
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Possibilidade de granizo, raios frequentes e até tornados isolados em áreas costeiras ou planaltos.
Alerta das autoridades e recomendações à população
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul já emitiu alertas para todo o estado. A recomendação geral é que a população evite sair de casa, mantenha-se informada pelos canais oficiais e retire objetos que possam ser arrastados pelos ventos.
As autoridades pedem atenção redobrada especialmente para zonas costeiras, áreas serranas, regiões sujeitas a alagamentos ou com vegetação — riscos aumentam com a possibilidade de granizo, raios e ventos fortes.
Contexto e o que torna este ciclone “atípico”
Segundo meteorologistas da MetSul, o fenômeno é considerado incomum para dezembro — época em que ciclones extratropicais no Sul geralmente têm menor intensidade. A combinação de calor anômalo com pressão atmosférica muito baixa, trajeto errático e formação sobre o continente torna o evento ainda mais perigoso.
Além disso, os valores de pressão estimados para este ciclone (982–990 hPa) não são registrados desde o histórico furacão que atingiu a região em 2004, o Furacão Catarina — embora o atual não seja um furacão, a intensidade e os efeitos podem ser comparáveis.
O que esperar nas próximas 48 horas
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Fortes rajadas de vento com risco de serem acompanhadas por granizo ou tornados localizados
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Chuvas intensas com possibilidade de acumular mais de 100 mm em algumas regiões — risco de alagamentos e deslizamentos
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Mar agitado no litoral, com risco para embarcações e áreas costeiras
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Interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos à infraestrutura
Ciclones que Atingiram o Rio Grande do Sul
| Ano / Data | Evento (nome ou característica) | Impactos no RS / Observações |
|---|---|---|
| Março de 2004 | Furacão Catarina | Considerado o evento mais extremo já registrado no Sul do Brasil — com ventos de até 180 km/h, destelhamentos, destruição de casas, 11 mortes e milhares de pessoas desalojadas. |
| Décadas 2000–2008 | Diversos ciclones e sistemas de baixa pressão (extratropicais) | Segundo estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), esse período teve um número acima da média de ciclones com duração longa. |
| 30 de junho a 1º de julho de 2020 | Ciclone‑bomba de junho de 2020 | Tempestade com queda brusca de pressão e ventos fortes — afetou RS, SC e PR; no RS causou estragos, queda de energia e deixou mortos. |
| 16–19 de maio de 2022 | Tempestade subtropical Yakecan | Sistema subtropical que atingiu o litoral e o interior, trazendo ventos fortes, instabilidade, chuva e efeitos sobre o clima gaúcho. |
| Julho de 2023 | Ciclone extratropical de grande impacto | Afetou dezenas de municípios, provocou chuvas intensas, ventos fortes e deixou pelo menos 16 mortos no RS. |
| Setembro de 2023 | Forte ciclone/extratropical + sistema de chuvas extremas | Considerado o maior desastre natural no RS em 40 anos — ventos > 120 km/h, enchentes, deslizamentos, dezenas de mortos e milhares de desabrigados. |
Contexto adicional e frequência dos eventos
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Entre 1991 e 2024, o estado do Rio Grande do Sul concentrou cerca de 24,6% dos desastres por vendavais e ciclones registrados no país nesse período.
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Apesar de ciclones serem eventos relativamente raros — especialmente os mais intensos — estudos recentes apontam que a frequência e intensidade desses eventos no litoral gaúcho têm aumentado, possivelmente influenciados por mudanças climáticas e pelo aquecimento do Atlântico Sul.
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A combinação de massa de ar quente com frentes frias e baixa pressão nas águas do Atlântico favorece a formação desses sistemas, o que explica por que o RS é dos estados mais atingidos no país.
