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Pintura de Rubens perdida por mais de quatro séculos é arrematada por quase € 3 milhões na França

Uma obra-prima de Peter Paul Rubens, esquecida por mais de 400 anos, foi vendida por mais de R$ 18 milhões em leilão em Versalhes, nos arredores de Paris. Trata-se de um Cristo crucificado, iluminado e destacado do céu, criado pelo mestre barroco no auge de sua carreira.


Pintura “Crucificação de Jesus Cristo” do mestre barroco Peter Paul Rubens – Foto: Ian Langsdon/AFP

Uma pintura de Peter Paul Rubens que permaneceu desaparecida por mais de 400 anos foi vendida por R$ 17,4 milhões (equivalente a € 2,9 milhões) em um leilão realizado em Versalhes, na região metropolitana de Paris. A obra, que retrata Cristo crucificado banhado por uma iluminação celestial, foi produzida pelo artista flamengo no auge de sua carreira e é considerada um exemplo raro da fase religiosa mais intensa do pintor.

A tela foi identificada em 2024 durante o inventário de um palácio em Paris, no contexto de um processo de sucessão. Até então, a obra permanecia sem grande relevância nas mãos da família Bouguereau, que a adquiriu no século XIX. Análises científicas e exames microscópicos realizados na Alemanha e na Bélgica confirmaram a autenticidade da pintura, descartando a hipótese de que fosse trabalho de um discípulo. Especialistas destacaram o uso de pigmentos e técnicas característicos de Rubens, especialmente nos tons de pele.

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Redescobertas que movimentam o mercado de arte

Nos últimos anos, a França tem revelado obras importantes que estavam há décadas — e até séculos — guardadas em acervos privados. Em 2025, por exemplo, uma pintura até então desconhecida de Pierre-Auguste Renoir, L’enfant et ses jouets – Gabrielle et le fils de l’artiste, Jean, alcançou R$ 10,8 milhões (equivalente a € 1,8 milhão) em leilão.

Outra redescoberta marcante foi Busto de Mulher com Chapéu de Flores (Dora Maar), de Pablo Picasso, mantida longe do público desde 1944. A obra atingiu R$ 192 milhões (equivalente a € 32 milhões) em Paris, estabelecendo o maior valor já registrado para um leilão no país naquele ano.

Também em 2025, uma natureza morta inédita do pintor barroco francês Lubin Baugin veio à tona durante o inventário de uma coleção privada. A peça ultrapassou expectativas e foi arrematada por R$ 3,3 milhões (equivalente a € 550 mil), um recorde para o artista.

Esses casos reforçam o papel crucial dos acervos privados na preservação — muitas vezes involuntária — de obras de grande importância histórica e artística. A combinação de acaso, investigação técnica e expertise do mercado tem permitido que peças esquecidas retornem ao cenário público, reescrevendo capítulos da história da arte e despertando o interesse de colecionadores e instituições.