
“Estamos profundamente preocupados com a proposta atual, a aceitar ou a rejeitar”, escrevem a Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha, entre mais de três dezenas de países, de acordo com uma lista fornecida pela delegação colombiana – Foto: Reprodução
Um rascunho de acordo apresentado pela presidência brasileira da COP30 foi considerado insuficiente por mais de 30 nações nesta quinta-feira (20). Em uma carta conjunta, países como Colômbia, França, Reino Unido e Alemanha pediram a inclusão de um roteiro claro para o abandono progressivo das energias fósseis, um ponto que desapareceu do texto atual.
“Estamos profundamente preocupados com a proposta atual, que é de pegar ou largar”, declararam as delegações no documento, alertando que a proposta, em sua forma atual, não cumpre as condições mínimas para um resultado “crível” na conferência.
Incêndio Agrava Crise nas Negociações
A fase crítica das negociações em Belém foi ainda mais conturbada por um incêndio que atingiu a Zona Azul, área oficial do evento. O fogo, que começou por volta das 14h, forçou a retirada dos participantes e suspendeu as negociações oficiais por quase sete horas.

O incêndio atingiu a Zona azul, a mais importante da COP30 – Foto: Douglas Pingituro/REUTERS
Embora contatos informais tenham continuado fora da área interditada, o incidente somou-se a queixas sobre a organização do evento, marcando a primeira vez que uma Conferência das Mudanças Climáticas é interrompida dessa forma.
Prazo Estourado e Negociações “Muito Difíceis”
Devido às perturbações e à falta de consenso, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, confirmou que a conferência não deve terminar no prazo oficial, esta sexta-feira (21). “O objetivo não é só terminar no prazo estabelecido. É conseguir o resultado exigido em relação à mudança do clima”, afirmou.
O presidente da COP30, o diplomata André Corrêa do Lago, reconheceu à CNN Brasil que as negociações estão “muito difíceis” e com “muitas coisas ainda pendentes”. O atraso no encerramento, comum em COPs anteriores, é geralmente um mau sinal para a obtenção de um consenso.
O Ponto de Controvérsia: Combustíveis Fósseis
O principal entrave é a menção a um “mapa do caminho” para a redução da dependência dos combustíveis fósseis — os maiores responsáveis pelo aquecimento global. Discursos anteriores do presidente Lula defendendo o tema haviam gerado esperança de um avanço histórico em Belém.
No entanto, a resistência é grande. Corrêa do Lago indicou que “mais de 80 países” se opõem à menção explícita do tópico no texto final. As nações altamente dependentes do petróleo, como as do Golfo, e países africanos que exigem garantias de financiamento para a transição energética, resistem a qualquer abordagem sobre o tema sem garantias financeiras.
A delegação brasileira agora concentra esforços na “COP da implementação”, buscando saídas para o financiamento da transição, mitigação e adaptação climática. “Quem vai conseguir esses resultados todos (…) são os 196 países que estão aqui. Não é um processo unilateral”, concluiu Marina Silva.
