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- Rotas do Tráfico: A BR-174 é uma rota estratégica fundamental para o escoamento de drogas (especialmente cocaína vinda da fronteira com a Venezuela e outros países produtores) em direção a outras regiões do Brasil e até a Europa e África.
- Operações Policiais: Diversas operações recentes das Polícias Federal e Civil, como a “Operação Conexão 174” e a “Operação Rota 174”, tiveram como alvo redes de traficantes que atuam neste eixo rodoviário e nos ramais adjacentes.
- Disputa Territorial: Facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), juntamente com grupos locais e até uma facção venezuelana, estão em disputa pelo controle de territórios e da logística do tráfico na região amazônica, incluindo Roraima.
- Invasão de Áreas: O crime organizado não se restringe às cidades; há relatos de sua atuação em áreas mais remotas e ramais, utilizando-se da dificuldade de acesso e da menor presença estatal para estabelecer bases logísticas e rotas de fuga.
- Consequências: A presença dessas facções tem levado a um aumento da violência e das taxas de homicídio na região, impactando a segurança pública local.
Um relatório internacional recente, elaborado pela organização jornalística Amazon Underworld e publicado em 21 de outubro de 2025, identifica Manaus como um dos principais corredores do narcotráfico na floresta amazônica. Segundo o estudo, a capital do Amazonas ganhou papel estratégico no escoamento da cocaína produzida na América do Sul.

Mapa mostra a dinâmica das facções criminosas na região amazônica – Reprodução
De acordo com o documento, drogas entram no estado pelos rios Solimões e Amazonas, transitando por Manaus para, a partir de seus portos, serem distribuídas tanto nacionalmente quanto internacionalmente, alcançando mercados na Europa, na África e na Ásia.
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O relatório também destaca a disputa entre facções criminosas — especialmente o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — pelo controle de rotas fluviais, fronteiras e cadeias logísticas que movimentam toneladas de drogas e milhões de reais.
A ruptura do pacto de não agressão entre CV e PCC em 2016 marcou uma virada estrutural: fragmentou a Família do Norte (FDN), facção com raízes em Manaus. Parte de seus integrantes se aliou ao CV para formar o CV-AM, enquanto outro grupo fundou a facção dissidente “Os Crias”, com base em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Após a morte do líder Brendo dos Santos, em 2023, o domínio do CV-AM se consolidou na região — segundo o relatório.
Além do narcotráfico, o documento alerta que o garimpo ilegal também alimenta a expansão das facções no Amazonas, exacerbando a violência e contribuindo para a destruição ambiental. A combinação entre tráfico e crimes ambientais, segundo o estudo, ameaça a função da Amazônia como “filtro de carbono” global — ao tempo em que há risco de corrupção das forças estatais.

Foto: Reprodução
Alcance regional do crime organizado
O relatório “A Amazônia sob ataque – mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo” abrange 987 municípios em seis países amazônicos (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), constatando a presença de facções criminosas em 662 municípios — ou seja, cerca de 67% da área estudada. Em quase um terço desses lugares, há mais de um grupo armado atuando simultaneamente.

Foto: reprodução
Reação política e institucional
Em Brasília, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) pressionou o governo federal após a divulgação do relatório, exigindo mais operações integradas nas hidrovias e nos portos para conter o avanço das facções criminosas. Já o deputado Amom Mandel também reforçou a necessidade de reforço na segurança, solicitando ações federais e cooperação entre Brasil e países vizinhos.
Por sua vez, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) afirma que continua intensificando o combate ao crime organizado. Segundo a pasta, já foram apreendidas mais de 37 toneladas de drogas no estado este ano, graças a operações integradas com uso de bases operacionais, embarcações blindadas e tecnologia de monitoramento. Desde 2019, o chamado Programa Amazonas Mais Seguro teria investido mais de R$ 1,16 bilhão em modernização das forças de segurança, capacitação de pessoal e aquisição de embarcações para patrulhamento nas rotas fluviais.
Novos dados de 2024–2025 reforçam a gravidade da situação
Apreensões recordes e crescimento expressivo no combate às drogas
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O Amazonas registrou mais de 43,2 toneladas de drogas apreendidas ao longo de 2024, segundo a SSP-AM.
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Em relação a 2023, o aumento foi de 51,2%, conforme o Mapa da Segurança Pública 2025 do Ministério da Justiça.
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O crescimento foi especialmente intenso para a cocaína: foram apreendidos 15.034 kg, 91% mais do que no ano anterior.
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Nos primeiros quatro meses de 2025, a SSP-AM informa que já foram apreendidas mais de 18 toneladas de drogas.

Foto: reprodução
Operações intensificadas
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Em apenas 20 dias de 2024, as forças de segurança amazonenses apreenderam 4,2 toneladas de entorpecentes em operações conjuntas.
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A Base Fluvial Arpão 2, uma das estruturas-chave no patrulhamento das hidrovias, tem sido utilizada para ações repressivas nas rotas de tráfico.
Indicadores de violência
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Apesar do forte avanço nas apreensões de drogas, o Amazonas registrou redução de 16% em homicídios em 2024, segundo a SSP-AM.
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Também houve queda em outros crimes como roubos a transeuntes e estabelecimentos comerciais.
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O Mapa da Segurança Pública mostra ainda que o cumprimento de mandados de prisão cresceu para 82,23%, indicando maior efetividade da investigação criminal.

Os fluxos do tráfico de drogas atravessam as fronteiras e conectam-se em pontos estratégicos representados pelas cidades, neste caso as cidades são “nós” de interação – Reprodução
Implicações e desafios
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A combinação entre tráfico de drogas e exploração ilegal de recursos naturais, como o garimpo, reforça a visão da Amazônia como um território estratégico para o crime transnacional.
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As “rotas fluviais da cocaína”, popularmente chamadas de “rios de cocaína”, ganham força conforme traficantes aproveitam a vasta malha de rios da região — um alerta urgente para o risco de descontrole territorial.
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Por outro lado, o crescimento nas apreensões e a redução de homicídios sugerem que as operações integradas (Polícia Civil, Militar, bases fluviais) e os investimentos do Programa Amazonas Mais Seguro estão surtindo efeito.
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No entanto, especialistas apontam que o crime organizado amazônico é dinâmico e pode se adaptar continuamente, alternando entre tráfico, garimpo e outros ilícitos, o que exige políticas públicas eficazes e cooperação internacional para conter suas redes.
