
A escada mecãnica (basket lift), estendida até a sacada da galeria no Louvre, usada pelos ladrões – Foto: Paul Dza/Sipa/Shutterstock
No domingo, 19 de outubro de 2025, por volta das 9h30 (horário local), criminosos levaram oito peças de joalheria histórica da Galeria d’Apollon do Louvre, em Paris — parte da coleção real e imperial francesa.
Os ladrões utilizaram um caminhão com uma plataforma elevatória (tipo cesta – basket lift) para acessar uma janela da fachada voltada para o rio Sena, forçaram o vidro, arrombaram duas vitrines e fugiram em motocicletas, segundo as autoridades.
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A operação durou cerca de seis a sete minutos, segundo o ministro do Interior francês.
Um dos objetos, a coroa da imperatriz Eugénie de Montijo, esposa de Napoleon III, foi abandonado próximo ao museu — danificado.
Quais peças foram roubadas
Segundo o Ministério da Cultura da França, entre os objetos levados estão:
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Um colar de esmeraldas e diamantes que Napoleão entregou à imperatriz Marie‑Louise.
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Um conjunto de joias de safira e diamantes que pertencia à rainha Marie Amélie e à princesa Hortense de Beauharnais.
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A tiara da imperatriz Eugénie, outras peças de joalheria fina como broches e brincos das coleções do século XIX.

Fila superior: (da esquerda para a direita): colar e par de brincos do conjunto de presente de casamento de Napoleão para Maria Luísa; broche da Imperatriz Eugénia; tiara, colar e brincos do conjunto de safiras – Fileira inferior: laço decorativo da Imperatriz Eugénia (esquerda) e diadema (direita) – Composição: Louvre/Alamy
Consequências e investigação
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O museu permaneceu fechado no dia seguinte ao roubo por razões “excepcionais” para preservar a cena do crime.
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Um forte esquema de investigação foi montado: dezenas de investigadores foram designados para o caso.
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O governo francês admitiu que o roubo expôs “falhas graves” na segurança do museu — como plantão reduzido, equipamentos de entrada não fiscalizados e partes da estrutura em reforma.
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Especialistas em arte apontam que as joias são “praticamente invendáveis” em seu estado original, e podem ser desmontadas ou vendidas em partes, dificultando qualquer recuperação.

Perito forense examina a janela e a sacada cortadas de uma galeria do Louvre após o assalto ao museu – Foto: Kiran Ridley/Getty Images
Por que este roubo é tão relevante
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O Musée du Louvre é o museu mais visitado do mundo — qualquer ataque a ele se torna símbolo internacional.
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As peças roubadas fazem parte do patrimônio nacional e imperial francês, não apenas em valor monetário, mas histórico e cultural.
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O tempo de execução ultrarrápido (menos de dez minutos) e os meios utilizados demonstram um alto grau de profissionalismo, sugerindo a atuação de organização bem estruturada.
O que as pessoas estão dizendo sobre a segurança dos museus?
O assalto reacendeu uma discussão sobre a falta de segurança nos museus franceses, que são muito menos seguros que os bancos e cada vez mais alvos de ladrões.
No mês passado, criminosos invadiram o Museu de História Natural de Paris, levando amostras de ouro avaliadas em US$ 700.000, enquanto ladrões também roubaram dois pratos e um vaso de um museu na cidade central de Limoges, com perdas estimadas em US$ 7,6 milhões.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, admitiu na segunda-feira falhas de segurança na proteção do Louvre. “O certo é que falhamos, já que as pessoas conseguiram estacionar um elevador de móveis no meio de Paris e subir nele em poucos minutos para pegar joias inestimáveis, dando à França uma péssima imagem”, disse ele à rádio France Inter.
Nunez reconheceu que a segurança dos museus era um “grande ponto fraco”. Ele observou que as medidas de segurança no Louvre foram reforçadas nos últimos anos e seriam ainda mais reforçadas como parte de uma reforma multimilionária do museu.
Próximos passos
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As autoridades pedem colaboração pública: qualquer pista, imagem ou filmagem que mostre os suspeitos, veículos ou rota de fuga será relevante.
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O museu e o Ministério da Cultura devem anunciar reforços imediatos nas medidas de segurança e uma auditoria completa no sistema de proteção das coleções.
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A hipótese de que as joias serão desmontadas ou derretidas se torna cada vez mais provável — o que significa que o valor real da recuperação pode estar mais ligado à localização dos objetos do que à sua condição original.
Relembre agora alguns dos roubos de arte mais famosos do último século
Mona Lisa roubada em 1911
No próprio Louvre, um dos episódios mais marcantes foi o desaparecimento da “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. A obra foi levada por um vidraceiro italiano que conhecia bem o prédio. Ele escondeu o quadro por dois anos em sua casa, mas acabou preso ao tentar vendê-lo.
Montreal, 1972
No Canadá, o Museu de Belas Artes de Montreal foi invadido durante um feriado. Três homens armados entraram pelo teto e levaram 18 pinturas e dezenas de joias. Até hoje, a maioria das obras nunca foi recuperada.
Boston, 1990
Nos Estados Unidos, dois ladrões disfarçados de policiais entraram no Museu Isabella Stewart Gardner e roubaram 13 obras de artistas como Rembrandt, Vermeer e Degas. O valor do roubo é estimado em meio bilhão de dólares. Nenhuma das peças foi encontrada.
Saleiro de ouro, Viena
Na Áustria, em 2003, um ladrão especializado em alarmes roubou uma escultura dourada de Benvenuto Cellini. Avaliada em mais de 50 milhões de euros, a peça foi enterrada em uma floresta e só foi recuperada três anos depois.
O Grito, na Noruega
No Museu Munch, em Oslo, ladrões armados levaram “O Grito” e “Madonna”, em plena luz do dia, diante de visitantes atônitos. As obras foram encontradas danificadas dois anos depois.
Museu de Arte Moderna de Paris, 2010
Cinco obras de Picasso, Matisse e outros mestres desapareceram em uma ação audaciosa. O sistema de segurança estava inoperante. O autor do roubo, apelidado de “Homem-Aranha”, foi condenado, mas as obras nunca reapareceram.
Dresden, Alemanha, 2019
Mais de 100 milhões de euros em joias do século 18 foram levadas do museu Green Vault, no Castelo de Dresden. Parte do tesouro foi recuperada, mas muitas peças seguem desaparecidas.
Esses crimes, que envolvem planejamento, conhecimento técnico e muita audácia, continuam desafiando a segurança de museus ao redor do mundo. E o roubo no Louvre é mais um alerta de que nem as instituições mais prestigiadas estão imunes.
