
Coronel Marcos Marinho Santiago de Jesus (Polícia Militar do Amazonas) – Foto: Arquivo pessoal
Com base em artigo de Marcos Marinho Santiago de Jesus – Coronel da Polícia Militar do Amazonas: O crescimento da criminalidade no Brasil contemporâneo tem revelado um impasse enfrentado por governos de orientação progressista: como garantir segurança pública eficaz sem contrariar princípios ideológicos que, muitas vezes, rejeitam o uso planejado da força estatal?
Segundo análises de pensadores como James Burnham e Thomas Sowell, governos progressistas tendem a minimizar o papel da força coercitiva do Estado, o que pode gerar consequências graves no combate ao crime. A hesitação em investir e fortalecer as forças de segurança — por vezes vistas apenas como instrumentos de repressão — teria contribuído para o avanço do crime organizado e o aumento da violência urbana no país.
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De acordo com o coronel Marcos Marinho, autor do artigo original, essa resistência ideológica tem dificultado uma resposta consistente e eficaz à criminalidade, especialmente durante os anos 2000 e 2010, quando facções como o PCC e o Comando Vermelho expandiram seu poder dentro e fora dos presídios brasileiros.
“Enquanto se priorizavam discursos de inclusão e direitos humanos, o Estado deixava de ocupar territórios estratégicos, que acabaram sendo dominados por facções criminosas”, aponta o coronel. Ele ressalta que os dados do Atlas da Violência (IPEA, 2023) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2023) confirmam a persistência de altos índices de homicídios e o domínio de organizações criminosas em comunidades periféricas.
A crítica se estende ao sistema penitenciário, que, em vez de ser reformado, acabou se tornando uma incubadora de facções. “O crime organizado preenche espaços de soberania deixados vagos pelo Estado”, observa o sociólogo Michel Misse, citado no artigo.
A comparação latino-americana
O caso brasileiro também encontra paralelos em outros países da América Latina, como o México, onde governos progressistas enfrentaram dificuldades semelhantes ao lidar com cartéis e com o tráfico de drogas.
Essas experiências ilustram o que Burnham chama de “suicídio político do Ocidente”: a recusa em lidar com a realidade da violência e da necessidade de força organizada acaba gerando governos que falham na tarefa básica de proteger seus cidadãos.
Segurança pública sem tabu ideológico
A análise do coronel Marinho sugere que a escalada da violência não pode ser atribuída apenas às desigualdades sociais, mas também às decisões políticas que negligenciaram o fortalecimento das instituições de segurança.
Para conter a criminalidade, segundo ele, é necessário reconhecer que o uso da força — de forma racional, planejada e eficaz — é parte fundamental do pacto social e da preservação da ordem pública. A ideologia, nesse caso, não pode se sobrepor à necessidade de garantir a segurança dos cidadãos.
Leia o artigo do Cel. Marcos Marinho Santiago de Jesus:
O Dilema Progressista e a Escalada da Criminalidade no Brasil Contemporâneo
