A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito da Operação Tupinambarana Liberta, deflagrada no Amazonas, e indiciou cinco agentes públicos por envolvimento em uma série de crimes relacionados às eleições municipais de Parintins. Os investigados responderão por organização criminosa, corrupção eleitoral e atentado contra o Estado Democrático de Direito. Os nomes dos indiciados não foram divulgados.
As investigações revelaram que o grupo utilizou parte da estrutura do governo estadual — com apoio inclusive de membros da força policial — para favorecer uma chapa à Prefeitura de Parintins. As práticas ilegais incluíam compra de votos, coação de eleitores e ações voltadas a impedir o exercício do voto livre.
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O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que analisará os elementos apresentados e poderá propor as medidas judiciais cabíveis. A soma das penas previstas pode ultrapassar 20 anos de reclusão.
A apuração teve início a partir de uma denúncia feita pelo Ministério Público Eleitoral de Parintins, em 16 de setembro de 2024. Durante a investigação, surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional estariam ameaçando eleitores e impedindo a circulação de candidatos em determinadas regiões da cidade.
A PF também apontou que houve omissão deliberada por parte de agentes públicos para beneficiar a candidatura de Brena Dianná (União Brasil). Além disso, o grupo monitorava adversários políticos e até os deslocamentos da própria Polícia Federal, em uma tentativa de dificultar a atuação dos investigadores.
Reuniões gravadas e exonerações

‘Numa campanha, só não vale é perder’, disse Armando Do Vale durante a reunião – Foto: Reprodução
A operação foi deflagrada em 3 de outubro de 2024, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas. Entre os investigados estavam nomes de alto escalão do governo estadual, como Armando do Valle (ex-presidente da Cosama), Marcos Apolo Muniz (ex-secretário de Cultura e Economia Criativa) e Fabrício Barbosa (ex-secretário de Administração).

Da esquerda para a direita: Fabrício Rogério, Marcos Apolo, tenente-coronel Jackson Ribeiro e Armando do Vale — Foto: Reprodução
Também foram alvos o tenente-coronel Jackson Ribeiro, comandante da Rocam, e o capitão Guilherme Navarro, chefe do setor de inteligência da mesma unidade. Todos foram exonerados após recomendação do Ministério Público do Amazonas, que também instaurou um Inquérito Civil sobre o caso.
A investigação teve como ponto de partida um vídeo gravado em 2 de agosto de 2024, em uma reunião em que os ex-secretários e policiais aparecem admitindo práticas ilícitas em eleições anteriores, como compra de votos e manipulação de operações policiais com fins eleitorais.
A investigação apontou que o grupo usou a estrutura do governo estadual, com apoio de policiais militares, para favorecer a candidatura de Brena Dianná (União Brasil) à Prefeitura de Parintins. As práticas incluíam compra de votos, ameaças a eleitores por meio de facções criminosas, obstrução à atuação da PF e monitoramento de adversários políticos.
Medidas judiciais
A Justiça Eleitoral determinou medidas cautelares contra os investigados, como proibição de acesso à cidade de Parintins e vedação de contato entre eles ou com coligações partidárias locais. Durante as diligências, foram cumpridos mandados de busca em imóveis localizados em bairros nobres de Manaus.
Todos os investigados prestaram depoimento na sede da PF e foram liberados após cerca de 1h30 de interrogatório.
Em nota à época, o governo do Amazonas informou que as exonerações visavam garantir a transparência das investigações e permitir a defesa dos envolvidos em condições de igualdade.
