
Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil
José Maria Marin, ex-presidente da CBF e ex-governador de São Paulo, morreu na madrugada deste domingo (20), aos 93 anos. Internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, Marin teve uma trajetória marcada por cargos de alto escalão no esporte e na política, além de envolvimento em escândalos de corrupção internacional.
Marin presidiu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2012 a 2014, período que incluiu a organização da Copa do Mundo no Brasil e o traumático 7 a 1 contra a Alemanha. Após deixar o cargo, foi acusado de corrupção no escândalo global conhecido como Fifagate. Condenado nos Estados Unidos, ele cumpriu pena de quatro anos por fraude bancária, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sendo banido do futebol pela Fifa em 2019.
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Apesar da imagem pública desgastada, sua trajetória começou nos gramados. Ex-jogador do São Paulo Futebol Clube, Marin disputou 20 partidas entre 1950 e 1952 e marcou cinco gols. Sem grande destaque esportivo, seguiu conselhos do técnico Vicente Feola e cursou Direito, formando-se advogado em 1955. A formação jurídica foi o trampolim para sua longa atuação política.
Pelo partido Arena, que dava sustentação ao regime militar, Marin iniciou sua carreira política como vereador em 1963. Em 1969, chegou à presidência da Câmara Municipal de São Paulo e, mais tarde, tornou-se deputado estadual. Ele foi vice-governador de Paulo Maluf e assumiu interinamente o governo do Estado por cerca de dez meses.
Sua atuação durante período dos governos militares no Brasil é alvo de críticas até hoje. Em outubro de 1975, Marin fez discursos públicos contra a TV Cultura apenas dias antes da morte do jornalista Vladimir Herzog, preso e morto pelo DOI-Codi. O episódio se tornou uma sombra em sua biografia política.
No futebol, ganhou projeção como presidente da Federação Paulista de Futebol (1982-1988). Em 2012, assumiu a presidência da CBF após a saída de Ricardo Teixeira, envolvido em denúncias de corrupção. Seu mandato terminou em 2014, mas deixou como legado a indicação de Luiz Felipe Scolari como técnico da seleção para a Copa daquele ano — uma escolha que culminou na histórica derrota para a Alemanha.
Mesmo com o desgaste, Marin ainda teve seu nome eternizado pela CBF em 2014, quando a nova sede da entidade, no Rio de Janeiro, foi batizada com seu nome — decisão criticada por muitos setores do futebol.
Marin foi preso em 2015 na Suíça durante evento da Fifa e extraditado para os EUA. Em 2017, foi condenado a 48 meses de prisão e ao pagamento de multas milionárias, além de ressarcimentos à Fifa e à Conmebol. Libertado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, viveu seus últimos anos longe da vida pública.
Seu velório será realizado ainda neste domingo, em São Paulo. A CBF e a Federação Paulista de Futebol divulgaram notas de pesar pelo falecimento.
