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Insegurança

Aumento da criminalidade: 58% dos brasileiros sentem-se inseguros, aponta pesquisa Datafolha

Pesquisa revela que a sensação de insegurança atinge todos os grupos sociais, com destaque para as grandes cidades, em especial as mulheres; aumento de crimes patrimoniais e ineficiência nas respostas governamentais agravam o cenário.


A sensação de insegurança no Brasil continua a crescer, com 58% da população afirmando que a criminalidade aumentou em suas cidades nos últimos 12 meses, de acordo com a pesquisa Datafolha realizada entre os dias 1º e 3 de abril em 172 municípios, com 3.054 entrevistados. A pesquisa reflete um cenário de insegurança generalizada, que afeta a confiança da população nas ações do governo e reforça a fragilidade das respostas oficiais ao avanço da violência, especialmente nas áreas urbanas.

A pesquisa revela que a criminalidade é uma preocupação constante entre a população, com maior ênfase nas grandes cidades e nas classes mais vulneráveis. Além disso, a crescente incidência de crimes patrimoniais, como roubos de celulares e estelionatos, tem afetado diretamente a qualidade de vida dos brasileiros.

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Imagem: Reprodução

Percepção de Aumento da Criminalidade:

A pesquisa mostra que a percepção de piora na segurança é transversal a diferentes segmentos sociais. Mulheres são as que mais percebem o aumento da criminalidade, com 62% afirmando que a situação piorou, enquanto 52% dos homens compartilham da mesma opinião. O número de entrevistados que vêem piora nas capitais e regiões metropolitanas é alarmante, alcançando 66%, em comparação com 51% nas cidades do interior.

Entre os jovens e idosos, a percepção é igualmente negativa. No grupo de 16 a 24 anos, 60% dizem que a criminalidade aumentou, e entre os acima de 60 anos, o número chega a 64%. A segurança pública, portanto, é uma questão que une diferentes faixas etárias, com uma sensação generalizada de que o problema está se agravando.

Impacto dos Crimes Patrimoniais e Digitais:

O crescimento dos crimes patrimoniais tem gerado impactos diretos na vida dos brasileiros. Estima-se que mais de 14 milhões de pessoas sejam vítimas de roubo de celulares todos os anos, com um aumento de 10% em comparação ao ano anterior. Este tipo de crime tem se tornado mais comum nas grandes cidades, com a pesquisa revelando que 1 a cada 10 brasileiros já foi vítima desse crime.

Porém, além dos crimes físicos, a criminalidade digital também tem crescido exponencialmente. Os estelionatos aumentaram 360% entre 2018 e 2023, chegando a quase 2 milhões de casos por ano. As vítimas de golpes relacionados a transações bancárias e falsificações de documentos são, em sua maioria, pessoas de renda média e baixa, que se tornam alvos fáceis de criminosos digitais. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que os prejuízos totais com crimes patrimoniais e digitais já superem os R$ 71 bilhões anuais.

Desconfiança com o Governo e Respostas Insuficientes:

Apesar da percepção crescente de violência, as respostas do governo são amplamente vistas como ineficazes. O governo federal tem adotado algumas medidas, como a PEC da Segurança, que propõe aumentar os poderes da Polícia Federal e unificar os sistemas de registro de boletins de ocorrência. No entanto, essas ações não têm sido suficientes para criar uma sensação de segurança entre os cidadãos. Muitos brasileiros ainda relatam dificuldades em acessar serviços de segurança pública eficientes e rápidos.

Além disso, as políticas de segurança adotadas por gestões municipais, como o sistema Smart Sampa em São Paulo, que utiliza câmeras de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial, têm sido insuficientes para combater a violência em larga escala. O projeto, embora positivo em algumas regiões, ainda não consegue cobrir de maneira eficaz todas as áreas da cidade e não resolve o problema central da falta de prevenção de crimes e da punição efetiva aos criminosos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também tem se envolvido no debate sobre o papel das guardas municipais, garantindo-lhes poderes de polícia, o que tem gerado discussões sobre a divisão de responsabilidades entre municípios e estados. O impacto dessa decisão ainda é incerto, mas reflete a tentativa de fortalecer a segurança nas cidades sem, no entanto, resolver as lacunas estruturais da segurança pública.

“A sensação de impunidade deixa elementos a vontade para cometer crimes” – Foto: Reprodução

Exposição à Violência nas Redes Sociais:

Outro dado alarmante da pesquisa é o aumento do consumo de vídeos de crimes nas redes sociais. Mais de 60% dos brasileiros afirmam assistir a esses vídeos para se manter informados sobre a violência no país. A exposição a esse tipo de conteúdo, que mostra assassinatos e roubos seguidos de morte, contribui para a sensação de medo e insegurança. Para 73% dos entrevistados, a divulgação desses vídeos aumenta a percepção de que podem ser as próximas vítimas.

Além disso, 3 em cada 10 brasileiros afirmam que deixam seus celulares em casa ou em lugares seguros por medo de serem assaltados, um reflexo do receio generalizado da violência, especialmente em áreas públicas. “A sensação de impunidade deixa elementos a vontade para cometer crimes” diz especialista.

A Indefinição nas Estatísticas:

Embora as taxas de homicídios tenham apresentado uma queda geral nos últimos anos, com uma redução de 10% no número de homicídios entre 2022 e 2023, a persistência de crimes violentos e patrimoniais revela uma mudança na dinâmica da criminalidade. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 destaca que, apesar da queda em homicídios, os roubos de celulares continuam a uma taxa alarmante, com um celular sendo roubado a cada dois minutos no Brasil.

Foto: Reprodução

Esses dados indicam que, embora haja avanços pontuais em algumas áreas da segurança pública, os números gerais ainda são preocupantes. A falta de uma política pública integrada e a insegurança percebida pelas pessoas mostram que a criminalidade não tem diminuído de forma significativa, e as respostas do governo, tanto no nível federal quanto estadual, seguem sendo ineficazes.

A percepção de que o governo é fraco em relação à segurança pública é uma discussão recorrente, com muitos brasileiros expressando insatisfação com a falta de respostas eficazes para a criminalidade. Essa percepção é reforçada por pesquisas que mostram que a maioria da população acredita que a legislação é fraca e que a polícia prende, mas a justiça solta. Além disso, a falta de coordenação entre as forças de segurança e a dificuldade em combater o crime organizado são apontadas como desafios. 

Análise da situação:
  • Insatisfação popular:

    Pesquisas mostram que a segurança pública é uma das principais preocupações dos brasileiros, e muitos acreditam que o governo federal não tem sido eficaz em lidar com a questão. 

  • Divergência entre poderes:

    A percepção de que a polícia prende, mas a justiça solta, evidencia uma falta de coordenação entre os poderes Executivo e Judiciário no combate à criminalidade. 

  • Desafios na coordenação:

    A falta de uma coordenação eficiente entre as forças de segurança, como as polícias estaduais e as forças federais, dificulta o combate ao crime organizado e a atuação em nível nacional. 

  • Criminalidade organizada:

    O crime organizado, com atuação em diversos estados e países, exige uma resposta integrada e coordenada, o que não tem sido observado em sua plenitude. 

Possíveis soluções:
  • Fortalecimento da legislação:

    A discussão sobre a necessidade de leis mais rígidas e eficazes no combate ao crime é recorrente. 

  • Coordenação e inteligência:

    Investir em inteligência policial e na coordenação entre as diferentes forças de segurança é crucial para o combate ao crime. 

  • Ações integradas:

    É necessário um esforço conjunto entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além das forças de segurança, para enfrentar a criminalidade de forma eficaz. 

  • Programas de prevenção:
    Investir em programas de prevenção da violência, como projetos sociais e educacionais, pode reduzir a criminalidade a longo prazo.

Manchetes deste sábado (14) pelo Brasil:

Rio de Janeiro: Tiroteio volta a provocar pânico entre moradores no Morro do Fubá: ‘Precisamos de dignidade’ (O Dia)
São Paulo/SP: Israel declara Irã como ‘principal frente de guerra’; Teerã ameaça EUA, Reino Unido e França (Estadão)

Porto Velho/Ro: Grupo que transportava armas da Bolívia para crime organizado em RO é alvo de operação; cinco são presos (G1/Ro)

Fortaleza/Ce: Corrupção nos plantões do TJCE: como estão os processos contra magistrados e advogados após 10 anos (Diário do Nordeste)

Salvador/Ba: São João da Bahia terá 12 mil agentes de segurança e 1,5 mil câmeras espalhadas pelo estado (Alô Alô Bahia)

Manaus/Am: Homem é morto a facadas na Zona Leste de Manaus (AM Post)

Belém/Pa: Policiais militares sofrem acidente durante perseguição em Altamira (O Liberal)

Rio Grande do Sul/Rs: Violência toma conta de Cacequi: tiroteio termina com uma vítima fatal (NP Expresso)

Brasília/DF: Sargento do Bope salva vida de médico ferido em acidente na BR-060 (Metropóles)