O religioso argentino Jorge Bergolio está hospitalizado há uma semana e não há previsões de quando deixará o hospital. Poucas informações são divulgadas a respeito da saúde do jesuíta de 88 anos, que foi internado em 14 de fevereiro.
A Santa Sé, que tenta ser tranquilizadora, diz que ele retomou suas atividades. De acordo com uma fonte do Vaticano, o papa está recebendo seus colaboradores mais próximos, lendo, assinando documentos e fazendo ligações.
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Mas, embora o estado do chefe da Igreja Católica esteja “melhorando ligeiramente”, de acordo com o último boletim médico, a duração de sua hospitalização – a quarta desde 2021 – permanece incerta. O papa Francisco não aparece em público há sete dias, e o Vaticano permanece em silêncio sobre sua agenda para as próximas semanas.
Essa falta de clareza reacendeu a especulação sobre sua capacidade de desempenhar suas funções a médio prazo, embora no direito canônico não conste nenhuma medida em caso de problema grave que possa afetar sua lucidez.
Francisco tem se manifestado sobre a possibilidade de deixar o cargo: ele sempre deixou a porta aberta para a renúncia, em linha com seu antecessor Bento XVI, e revelou que, logo após sua eleição em 2013, assinou uma carta de renúncia caso sua saúde o impedisse de exercer sua função. Mais tarde, ele disse que queria continuar enquanto sua saúde lhe permitisse, afirmando que se governa “com a cabeça, não com as pernas”.
No entanto, a gravidade da atual infecção nos pulmões somada a uma já longa lista de antecedentes – operações no cólon e no abdômen, dificuldades de locomoção, infecções respiratórias – pode mudar o contexto.
Jorge Bergoglio conseguiu superar seus problemas de mobilidade relacionados ao excesso de peso e à dor no joelho usando uma cadeira de rodas. Mas suas dificuldades respiratórias, para um octogenário que teve o lobo superior do pulmão direito removido aos 21 anos de idade, levantam mais questões. Em várias ocasiões desde o início do ano, o bispo de Roma foi forçado a cancelar compromissos e delegar a leitura de seus textos, ou até mesmo parar no meio de uma homilia, com a voz sem fôlego.

O papa Francisco usou uma cadeira de rodas em público pela primeira vez em maio de 2022, desde que dores no joelho passaram a limitar sua capacidade de andar. © Andrew Medichini / AP
Corrente anti-Bergoglio
Nas últimas horas, vários cardeais – o mais alto escalão da hierarquia da Igreja Católica – falaram abertamente sobre a possibilidade de uma renúncia. “Tenho toda a confiança na lucidez do Papa”, disse o cardeal francês Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha. “Ele é livre e (…) se considerar que é a melhor coisa para o bem da Igreja, ele o fará”. Para o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, Francisco poderia renunciar “se encontrar sérias dificuldades no desempenho de seu serviço”. “Ele terá a última palavra, em plena consciência”, declarou em uma entrevista publicada na sexta-feira no jornal Il Corriere della Sera.
Essas declarações ocorrem em um cenário de grande preocupação com o papa argentino, com falsas notícias de sua morte surgindo nas redes sociais e vozes, particularmente nos círculos conservadores americanos, pedindo que Bergoglio “vire a página”.
“Na Internet e nos sites americanos, há uma forte corrente anti-Bergoglio: mesmo que nunca seja explícita, ela mostra claramente um desejo de mudança que também é expresso através de notícias falsas”, lamentou o arcebispo Ravasi, considerando que “há uma forte polarização”.
Nos bastidores, uma atmosfera pré-conclave (evento que pode se dar pela morte ou renúncia de um papa) se desenvolveu nos últimos meses, alimentada pelos principais oponentes do papa Francisco.
O jesuíta argentino está enfrentando violenta oposição interna pelas reformas que realizou na Igreja. Alguns o acusam de tomar decisões inovadoras, como a proibição da missa em latim e a abertura de bênçãos para casais do mesmo sexo. Ao mesmo tempo, o ex-arcebispo de Buenos Aires, que é muito popular entre os fiéis, tem recebido muitas expressões de afeto e orações de todo o mundo pedindo sua recuperação.
Em sua conta no Instagram, seguida por quase 10 milhões de pessoas, centenas de mensagens em vários idiomas desejam sua rápida recuperação.
