
Donald Trump faz juramento em Washington, 20/1/25 – Foto: Kevin Lamarque/AP
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, parabenizou Donald Trump nesta segunda-feira (20) por sua posse, afirmando que seu retorno à Casa Branca é uma “oportunidade” para alcançar uma “paz justa” na Ucrânia.
“Nós tomamos conhecimento da declaração do recém-eleito presidente dos Estados Unidos e de membros de equipe sobre o desejo de restaurar contatos diretos com a Rússia, que não foram interrompidos por nós, mas pela administração que agora se encerra. Também ouvimos a declaração dele sobre a necessidade de fazer tudo que for possível para evitar a Terceira Guerra Mundial. Certamente, acolhemos essa atitude e parabenizamos o presidente eleito dos Estados Unidos por sua posse.”
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“Nós nunca recusamos o diálogo, sempre estivemos prontos para manter uma atitude de cooperação com qualquer administração americana. Eu disse isso em inúmeras ocasiões. Prevemos que o diálogo será construído em uma base igual e mutuamente respeitosa, levando em conta o papel significativo desempenhado por nossos países em uma série de questões-chave na agenda mundial, incluindo o fortalecimento da estabilidade estratégica e da segurança.”
“Também estamos abertos ao diálogo com a nova administração dos Estados Unidos sobre o conflito ucraniano. O mais importante, aqui, é abordar as causas raízes da crise, sobre as quais conversamos muitas vezes.”
“Hoje é um dia de mudança e um dia de esperança para a resolução de muitos problemas, incluindo desafios globais”, disse Zelensky nas redes sociais. “O presidente Trump é sempre decisivo, e a política de paz por meio da força que ele anunciou oferece uma oportunidade de fortalecer a liderança americana e alcançar uma paz justa e de longo prazo, que é a principal prioridade”, acrescentou.
O chefe da OTAN, Mark Rutte, afirmou que o retorno de Trump “vai revitalizar os gastos e a produção de defesa” na aliança.
“Somos mais fortes quando trabalhamos juntos, e estou ansioso para trabalhar com o presidente Trump”, disse o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, acrescentando — após Trump ameaçar impor tarifas de 25% sobre as importações canadenses — que “Canadá e os Estados Unidos têm a parceria econômica mais bem-sucedida do mundo.”
Já o Panamá reagiu duramente à promessa de Trump de que os Estados Unidos “recuperariam” o Canal do Panamá, afirmando que a importante via interoceânica permaneceria sob o controle do país. “O canal é e continuará sendo do Panamá”, disse o presidente José Raul Mulino, em uma declaração publicada nas redes sociais.
“Querido amigo”
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, parabenizou seu “querido amigo” Donald Trump por sua posse e disse que espera que os dois países voltem a trabalhar juntos.
“Estou ansioso para trabalhar em estreita colaboração mais uma vez, para beneficiar nossos dois países e para moldar um futuro melhor para o mundo”, escreveu Modi, do nacionalista Bharatiya Janata Party (BJP), na rede social X.
A União Europeia (UE) espera trabalhar com o novo presidente dos Estados Unidos, para enfrentar “desafios globais”, afirmou a presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), Ursula Von der Leyen. “Juntas, nossas sociedades podem alcançar uma maior prosperidade e fortalecer sua segurança comum. Esta é a força duradoura da associação transatlântica”, afirmou na rede social X.
“Os EUA são nosso aliado mais próximo, e o objetivo da nossa política é sempre uma boa relação transatlântica”, afirmou o chanceler alemão Olaf Scholz. Já a chefe do governo italiano, Giorgia Meloni, que esteve presente na cerimônia de posse em Washington, expressou seus “melhores votos” a Donald Trump, pelo início de seu novo mandato.
“Tenho certeza de que a amizade entre nossas nações e os valores que nos unem continuarão reforçando a parceria entre Itália e Estados Unidos, enfrentando juntos os desafios globais e construindo um futuro de prosperidade e segurança para nossos povos”, escreveu a líder de extrema direita nas redes sociais, destacando o papel da Itália na “consolidação do diálogo entre Estados Unidos e Europa”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, lembrou os “laços históricos de afeto do presidente Trump com o Reino Unido” e a “profunda amizade” e insistiu para que “juntos, defendermos o mundo contra a tirania e trabalharmos por nossa segurança e prosperidade mútuas”.
Israel espera aliança reforçada
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu afirmou em mensagem de vídeo que “os dias mais belos” de aliança dos EUA com Israel estão por vir. “Acredito que trabalharmos juntos levará a aliança EUA-Israel a níveis ainda maiores”, disse o premiê, que elogiou o que chamou de “momentos revolucionários” que marcaram o primeiro mandato de Trump.
“Ele se retirou do acordo perigoso sobre o programa nuclear iraniano, reconheceu Jerusalém como capital de Israel, transferiu a embaixada americana para Jerusalém e reconheceu a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã”, destacou Netanyahu.
“Ele negociou os acordos históricos de Abraham, por meio dos quais Israel alcançou a paz com quatro países árabes”, continuou o premiê, expressando confiança em que sua aliança resultará na “derrota do eixo do terror iraniano”.
Netanyahu agradeceu ao republicano por seus esforços para a libertação de reféns israelenses em poder do Hamas desde outubro de 2023. “Estou ansioso para trabalhar com vocês para que os últimos reféns retornem, para destruir a capacidade militar do Hamas e acabar com o seu poder político na Faixa de Gaza, e para garantir que Gaza nunca mais represente uma ameaça para Israel.”
Já Sami Abu Zuhri, um dos chefes do Hamas, disse estar feliz com a saída de Biden, “pois ele tem o sangue dos palestinos em suas mãos”. Ele afirmou ainda que espera que “Trump possa construir sua política em uma base equilibrada capaz de bloquear o caminho de Netanyahu”.
Trump diz que assinará decreto para “acabar com toda censura” nos EUA

Donald Trump ficou a poucos metros de Joe Biden durante discurso de posse nos Estados Unidos – Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
Durante o discurso de posse como presidente dos Estados Unidos nesta segunda-feira (20), Donald Trump disse que acabaria “com toda censura para restaurar a liberdade de expressão”.
O republicano pontuou que houve esforços ilegais e inconstitucionais federais para restringir a liberdade de expressão, observando que assinará uma ordem executiva para “imediatamente parar toda a censura do governo e trazer de volta a liberdade de expressão” para o país.
Nos comentários após o juramento nesta segunda, Trump também afirmou que irá decretar emergência nacional na fronteira com o México, assim como emergência nacional de energia.
Fontes afirmaram à agência de notícias Reuters que o republicano estava preparando até mais de 100 ações para o primeiro dia e além.
Além disso, um documento da Casa Branca informou que Trump vai tirar os EUA mais uma vez do Acordo Climático de Paris.
(com AFP e CNN)
