O furacão Milton fez sua entrada na costa da Flórida como uma tempestade de categoria 3, apresentando ventos que alcançaram 193 km/h e provocando inundações de até 2,1 metros. Após uma hora, a tempestade foi reclassificada para categoria 2, com ventos reduzidos para 177 km/h.
Por volta da 1h30, ao passar por Tampa, a intensidade caiu para categoria 1, com ventos de 144 km/h. A principal preocupação das autoridades é a possibilidade de chuvas intensas e inundações, que já afetam diversas cidades. Em Tampa, os serviços de emergência foram suspensos até que as condições se tornem seguras para os socorristas.
Continua depois da Publicidade
Aproximadamente 400 mil moradores estão sem energia elétrica na cidade. No condado de Martin, foram relatados feridos e danos significativos a várias residências.
Tornados também foram registrados em áreas centrais do estado, como Orlando, e as equipes de busca e resgate estão em operação, embora ainda não haja informações precisas sobre o número de vítimas. Mortes ocorreram no condado de Saint Lucie, a cerca de 225 quilômetros a leste de Sarasota, na costa do Golfo do México.

Seis condados receberam ordens de evacuação obrigatórias, e 51 dos 67 condados do estado estão sob estado de emergência – Foto: reprodução
Em entrevista, o xerife do condado, Keith Pearson, afirmou que há “múltiplas fatalidades” no local, sem estimar o número exato. Todavia, um porta-voz dos bombeiros local disse à NBC News que ao menos duas pessoas morreram e vários feridos foram levados para hospitais Além dos ventos fortes, as autoridades estão preocupadas com as “storm surges”, que podem chegar a alturas entre 2,7 e 3,8 metros.
Na Baía de Tampa, a água começou a recuar, levando as autoridades a alertar sobre os perigos de entrar na água. Seis condados receberam ordens de evacuação obrigatórias, e 51 dos 67 condados do estado estão sob estado de emergência. Antes da tempestade, cerca de 300 mil clientes já estavam sem energia. O governador Ron DeSantis anunciou a abertura de 150 abrigos de emergência, que já acolhem aproximadamente 31 mil pessoas.

A chegada do furacão na Flórida nesta quarta-feira (09) Foto: reprodução
O presidente Joe Biden descreveu a tempestade como a “pior do século” a atingir a Flórida e pediu que aqueles sob ordem de evacuação deixassem suas casas imediatamente. A mobilização da Guarda Nacional conta com cerca de 8 mil membros, e o governo está disponibilizando combustível para reabastecer os postos.
Vários aeroportos na Flórida suspenderam suas operações, resultando no cancelamento de mais de 2,5 mil voos. Além disso, instituições de saúde ao longo da costa oeste fecharam temporariamente e transferiram pacientes como medida de precaução diante da chegada do furacão.
Milton, Helene, Beryl: como são escolhidos os nomes para furacões e tempestades
Usar nomes humanos – em vez de números ou termos técnicos – nas tempestades e furacões é uma forma de ajudar na hora de divulgar os alertas. Isso faz com que as pessoas se lembrem e consigam absorver melhor a informação.
A divulgação de uma lista de nomes para os ciclones tropicais do Atlântico foi criada em 1953 pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) e seu padrão tem sido usado em outras regiões do mundo.

Mulher lamenta estragos enquanto furacão Milton se aproximava da Flórida, em 9 de outubro de 2024 — Foto: Bill Ingram/USA Today/ Reuters
Veja abaixo a lista de nomes para a temporada de 2024:
- Alberto
- Beryl
- Chris
- Debby
- Ernesto
- Francine
- Gordon
- Helene
- Isaac
- Joyce
- Kirk
- Leslie
- Milton
- Nadine
- Oscar
- Patty
- Rafael
- Sara
- Tony
- Valerie
- Wiliam
Como são escolhidos?
Os nomes são escolhidos em um comitê internacional, antes da temporada, desde 1953. À época, apenas nomes femininos eram usados, mas isso mudou em 1970, quando nomes masculinos passaram a ser incluídos.
Em 2014, porém, um estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirmou que furacões com nomes de mulheres matam mais pessoas que aqueles com nomes masculinos, porque costumam ser levados menos a sério e, consequentemente, há menos preparação para enfrentá-los.
Os cientistas analisaram dados de furacões que atingiram o país entre 1950 e 2012, com exceção do Katrina em 2005 – porque o grande número de mortos poderia distorcer os resultados.
O estudo, que foi divulgado na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), afirmou que cada furacão com nome masculino causa, em média, 15 mortes. Já os que têm nomes femininos provocam cerca de 42.
