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O município de Lábrea no AM tem 1,4 mil casos notificados de Hepatite Delta, aponta Fiocruz

Do total de casos notificados, apenas 140 estão sendo acompanhados, de acordo com o Centro de Testagem Rápida e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde do município (Semsa).


Equipes de saúde monitoram a alta ocorrência de hepatite Delta (HDV) em comunidades ribeirinhas do sul do Amazonas. O município de Lábrea, com 45 mil habitantes, tem aproximadamente 1,4 mil casos notificados, mas só 140 estão em acompanhamento.

A informação é do Centro de Testagem Rápida e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA-Lábrea) e foi divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em uma nota sobre o tema.

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A cidade fica às margens do Rio Purus, a 407 km de Porto Velho (RO) e a 850 km de Manaus (AM). O percurso até a capital do Amazonas leva 30 horas de viagem pela BR-319 ou cinco dias de barco.

A hepatite Delta é considerada endêmica da Amazônia brasileira, ou seja, tem uma grande incidência nesta região. Mas as dificuldades de acesso dificultam o controle da situação. Mais de 70% dos casos registrados no Brasil entre 2000 e 2022 ocorreram na região Norte.

A situação gerou um alerta na Fiocruz, que enviou uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Virologia Molecular para comunidades ribeirinhas de Várzea Grande e Acimã, no Rio Purus.

Equipes pesquisadores e profissionais da saúde estiveram na região para monitoramento e realização de testes – Foto: Fiocruz Rondônia

Durante dois dias foram realizados testes rápidos e exames laboratoriais, mas o foco principal da ação foi o diagnóstico e rastreamento das hepatites virais, em especial a hepatite Delta, que é o tipo mais agressivo, segundo a entidade.

Na ocasião, foram atendidos 113 moradores nas duas comunidades, sendo que 16 foram diagnosticados com hepatite D. As amostras foram levadas para a Fiocruz Rondônia onde foram processadas e avaliadas, e os indivíduos com diagnóstico positivo estão sendo assistidos pela equipe de saúde de Lábrea e o Ambulatório de Hepatites Virais, que auxilia na conduta clínica dos pacientes.

A chefe do Laboratório de Virologia Molecular, Deusilene Vieira, que coordenou a equipe, explicou que o rastreio e monitoramento das hepatites virais já vinha sendo realizado em Rondônia, mas foi ampliado para as comunidades ribeirinhas do Sul do Amazonas em dezembro de 2023, após a chegada ao Hospital Cemetron, em Porto Velho, de dois irmãos vindos de Lábrea, com 19 e 23 anos, com suspeita de superinfecção para o vírus da hepatite Delta.

“A chegada desses dois pacientes acendeu um alerta para que investigássemos as circunstâncias de transmissão e os possíveis fatores envolvidos na propagação da doença, considerando o contexto familiar em que esses casos surgiram e o fato de Lábrea ser uma região endêmica para a hepatite Delta. Então, nós decidimos ampliar o rastreio para outras localidades”, comentou.

De acordo com a Fiocruz, entre 2000 e 2022 foram diagnosticados 4.393 casos de hepatite Delta em todo o país. A maior incidência ocorreu na Região Norte, com 73,1% dos casos, seguida das regiões Sudeste (11,1%), Sul (6,6%), Nordeste (5,9%) e Centro-Oeste (3,3%). Em 2022 foram 108 novos diagnósticos, com 56 (51,9%) casos confirmados na Região Norte e 23 (21,3%) no Sudeste.

Saiba mais

A hepatite Delta é o tipo mais agressivo da doença. Ela está associada a casos graves de doença hepática, cirrose hepática e câncer de fígado. Muitas vezes, a condição se desenvolve sem sinais, o que pode prejudicar o início do tratamento.

Quando há sintomas, eles podem variar entre cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, observação de pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

A transmissão pode ocorrer pelo contato com sangue contaminado; em relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada; da mãe para o bebê, na gestação e no parto; por compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates e outros objetos cortantes ou perfurantes.