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Novo premiê francês é alvo de onda de “antissemitismo e homofobia” nas redes sociais

Associações francesas denunciam "onda de ódio antissemita e homofóbico" contra o novo primeiro-ministro francês Gabriel Attal na rede social X. A União dos Estudantes Judeus da França (UEJF) pediu, nesta quinta-feira (11), sanções contra os autores das mensagens.


“A nomeação de Gabriel Attal como primeiro-ministro é alvo de uma nova onda de antissemitismo e homofobia no X”, denuncia a UEJF em uma mensagem postada na mesma rede social. “Não há mais tempo para advertências, agora é hora de ações”, continua a associação pedindo sanções para os autores dos tweets.

“Sionista de merda” e “bicha sefaradita”, são alguns dos insultos recolhidos pela UEJF no X.

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Na terça-feira (9), logo após a nomeação de Attal, o presidente do Conselho representativo das instituições judias da frança (Crif), Yonathan Arfi, lamentou uma “onda de comentários antissemitas e homofóbicos nas redes sociais”.

Novo premiê francês, Gabriel Attal – Foto: reprodução

“Para os haters, ele é claramente e antes de tudo um primeiro-ministro limitado à sua orientação sexual ou à origem de seu nome. Para os espíritos republicanos, é um primeiro-ministro, simplesmente”, publicou na rede social de Elon Musk.

Attal é de ascendência judia por parte de pai. A mãe do premiê é russa e católica ortodoxa.

Mensagens e cartas de insultos

Não é a primeira vez que o primeiro-ministro recebe mensagens ofensivas. Em uma entrevista em novembro ao canal de tevê francês TF1, quando era ministro da Educação, Attal afirmou ter recebido cartas com insultos e mensagens nas redes sociais de caráter antissemita, além de outras mensagens de ameaça depois que proibiu a abaya, um tipo de vestimenta muçulmana, na escola.

Ele também afirmou ter sido alvo de insultos homofóbicos e disse ter “construído uma carapaça contra isso”.

A UEJF pede “sanções os tweets de ódio”, e “prisão para os principais promotores do ódio” e uma “multa dissuasiva contra X que se recusa a moderar” seu conteúdo.

O X já está sendo investigado pela Comissão Europeia pela publicação de “conteúdos ilegais” após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Desde 18 de dezembro, a Comissão abriu uma “investigação formal” por faltas presumidas às regras europeias em matéria de moderação de conteúdos e transparência.

O processo é o primeiro desde a entrada em vigor da nova legislação europeia sobre serviços digitais, em 25 de agosto.

Se o X não conseguir convencer a Comissão Europeia sobre seus meios de moderação, a multa aplicada pode ser de até 6% de seus rendimentos mundiais, além de uma proibição de operar na União Europeia.

Fusão de ministérios marca novo governo francês liderado por Attal

Dois dias depois da nomeação de Gabriel Attal como primeiro-ministro, os nomes da equipe do novo governo foram finalmente anunciados pelo secretário-geral da presidência, Alexis Kohler, no Palácio do Eliseu.

A fusão de ministérios importantes e a nomeação de ministros vindos da direita foram os principais pontos do anúncio.

Os ministros da Economia, Bruno Le Maire, do Interior Gérald Darmanin, da Justiça, Eric Dupond-Moretti, e da Defesa, Sébastien Lecornu, continuarão no cargo.

A grande surpresa foi a nomeação da ex-ministra da Justiça do governo de Nicolas Sarkozy, Rachida Dati para a pasta da Cultura, em um claro aceno à direita. Em 2021, ela declarou que os membros do seu partido de direita, Os Republicanos, que decidissem integrar o governo ou o partido do presidente francês, Emmanuel Macron, eram “traidores”.

A nomeação de Dati levou à exclusão da futura ministra de seu partido, Os Republicanos (LR). “Nós estamos na oposição. Lamentamos as consequências de sua escolha”, declarou o presidente da legenda, Eric Ciotti, em comunicado. Outra representante da direita, Catherine Vautrin, será a encarregada dos Ministério do Trabalho e da Saúde, que também foram fusionados.

Revolta dos professores

Amélie Oudéa-Castéra continua encarregada dos Esportes e dos Jogos Olímpicos, mas sua pasta foi ampliada para acolher também a Educação — conduzido anteriormente pelo próprio Gabriel Attal com bom índice de aprovação — e a Juventude.

O presidente Emmanuel Macron afirmou que a Educação seria uma das prioridades de seu segundo mandato, mas os sindicatos dos professores consideraram “preocupante” e “desdenhoso” a fusão dos dois ministérios e a nomeação de Oudéa-Castéra que terá muito trabalho até julho com a preparação dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

“Mais que surpresos, é revoltante ver como a Educação nacional é tratada, apesar de atravessar uma crise sem precedentes”, lamentou Sophie Vénétitay, secretária geral do principal sindicato de professores francês, Snes-FSU.

(Com informações da AFP)