Considerada um ícone ferroviário mundial a Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi a 15° ferrovia a ser construída no país entre 1907 e 1912. A ideia da ferrovia nasceu na Bolívia, em 1946 quando o engenheiro boliviano José Augustin Palácios convenceu as autoridades locais de que a melhor saída de seu país para o oceano Atlântico seria pela bacia Amazônica.

Homens ao lado da locomotiva em trecho da Ferrovia – Foto: Domínio público (Arquivo Nacional)
Após duas tentativas frustradas para a construção no século XIX, espalhou – se o mito de que, mesmo com todo o dinheiro do mundo e metade de sua população trabalhando na obra, seria impossível construí – lá. O complexo foi a primeira grande obra de engenharia civil estadunidense fora dos EUA após o início das obras de construção do Canal do Panamá, na época ainda em progresso.
Continua depois da Publicidade
A EFMM também garantiu para o Brasil a posse da fronteira com a Bolívia e permitiu a colonização de vastas extensões do território amazônico, a partir de Porto Velho, fundada em 4 de julho de 1907.
Comemoração e discussão
Com tantas histórias e um legado que todo o cidadão portovelhense sente orgulho, atualmente revitalizada com o investimento de R$ 30 milhões, a Estrada de Ferro encontra-se fechada. O complexo histórico terá uma empresa para administrar o espaço, o que vem gerando desconforto em alguns moradores da capital.
A empresa vencedora do processo licitatório foi o Grupo Amazon Fort Soluções Ambientais e Serviços de Engenharia Ltda.
Após postagens de homenagens a comemoração dos 111 anos do Complexo, as opiniões estão completamente dividias, tem quem ache uma falta de respeito com a população a Estrada de Ferro estar fechada e tem quem agradeça a revitalização.
A empresa Amazon Fort, tem até o dia 21 de outubro para efetivar a abertura do local ao público.

O Servidor Federal, Jorge Valdo Soares, visitando a ferrovia em 2018 – Foto: reprodução
O complexo ferroviário são bens imóveis da União Federal, legítimo possuidor do imóvel localizada na Avenida Farquar s/n, Centro, CEP 76.801-020- Porto Velho/ RO, denominado Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, incorporado ao patrimônio da União, pertencente à extinta Rede Ferroviária Federal S/A.
A transferência se deu por força do decreto n: 58.501, de 25 de maio de 1966 e foi registrado sob a matrícula n: 1060, no Cartório de Registro do 1º Ofício de Registro de Imóveis de Porto Velho, jurisdição de Rondônia, e com 366 quilômetros até a Estação de Guajará-Mirim, com matrícula registrada também no cartório de Guajará-Mirim.
A curiosa história da estrada
Conhecida como “Ferrovia do Diabo”, a estrada de ferro Madeira Mamoré, que teve seu último trecho finalizado no dia 30 de abril de 1912, possui um histórico bastante sombrio. A ideia era promover o progresso, porém diversos incidentes ocorreriam a seguir, dando à ferrovia a fama conquistada.

Autoridades durante inauguração de trecho da ferrovia – Foto: Domínio público / José Rosael / HélioNobre / Museu Paulista da USP
Fome, mortes e doenças
Segundo informações da Biblioteca Nacional, milhares de pessoas perderam suas vidas enquanto trabalhavam na construção da Ferrovia do Diabo. Isso ocorreu devido à insalubridade, à fome e inúmeras doenças que as acometiam, como malária e disenteria. Não havia medicamentos para tratar os doentes e as condições de trabalho, apesar de bastante precárias, eram naturalizadas pelos empresários.
Falência da empresa
A princípio, as obras da Madeira-Mamoré Railway Company seriam realizadas sob o comando dos irmãos norte-americanos Philips e Thomas Collins, que assinaram os documentos do empreendimento em 1877, dezesseis anos após o surgimento da ideia.
A dupla partiu no ano seguinte para a Filadélfia com engenheiros, trabalhadores, máquinas e carvão mineral e, em janeiro de 1879, decretou falência.
Como a empresa Collins não poderia mais dar prosseguimento ao projeto, o mesmo foi repassado ao engenheiro Percival Farquhar (1864-1953), também estadunidense, quem foi considerado um dos maiores empresários da história do país.
Extração do látex
De acordo com a fonte, o objetivo era construir uma estrada de ferro que atravessaria os estados do Amazonas e Rondônia passando pela fronteira do Mato Grosso, o que seria um importante passo para a indústria do látex. As obras foram iniciadas em 1907 e finalizadas em 1912. Mesmo assim, o resultado não saiu como o esperado.
Prejuízos
A ferrovia gerou lucros apenas nos dois primeiros anos de atividade, uma vez que houve queda considerável da participação brasileira no mercado da borracha, tendo em vista que a Ásia oferecia um produto de boa qualidade e fácil extração. Isso fez com que as atividades de Farquhar entrassem em falência.
Transformada em rodovia
Em 1937, o então presidente Getúlio Vargas apontou Aluízio Pinheiro Ferreira como novo diretor da ferrovia, função que exerceria até o ano de 1966. Mais tarde, Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a substituição da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré por uma rodovia, depois de 54 anos de acúmulo de prejuízos.
