O Museu Nacional da Dinamarca informou, na terça-feira (27), que irá devolver para o Brasil um manto Tupinambá que foi levado no período colonial, durante a ocupação holandesa no século 17.
A peça com plumagem avermelhada está no acervo do museu dinamarquês há mais de 300 anos.
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Manto Tupinamba -Exposicao – Foto: reprodução
O manto era utilizado em rituais religiosos importantes e outras cerimônias indígenas. A peça representa uma parte da cultura material e das tradições artesanais do povo Tupinambá.
As negociações para a devolução do manto ao Brasil envolveram o trabalho da embaixada brasileira em Copenhague, do Museu Nacional do Rio de Janeiro e do Museu Nacional da Dinamarca.
“O patrimônio cultural desempenha um papel decisivo nas narrativas das nações sobre si mesmas e na auto compreensão das pessoas. É assim no mundo todo e por isso é importante para nós ajudar na reconstrução do Museu Nacional brasileiro após o incêndio devastador de alguns anos atrás”, afirmou Rane Willerslev, diretor do Museu Nacional da Dinamarca .
Em uma nota conjunta, os Ministérios das Relações Exteriores, da Cultura, da Educação e dos Povos Indígenas agradeceram a devolução do item.
“O Governo brasileiro felicita e agradece o Governo dinamarquês e o Museu Nacional da Dinamarca pela aprovação da doação, que tem grande valor físico, cultural e espiritual para os povos originários brasileiros e, especialmente, para os Tupinambá e contribuirá para o resgate da história e da cultura dos povos indígenas nacionais.”
‘Preciosidade’, ‘valor incomensurável’: a importância do manto
Paleontólogo, o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, afirma que desconhece uma peça que esteja fora do Brasil mais importante do que o manto tupinambá.

Alexander Kellner, Paleontólogo e diretor do Museu Nacional – Foto: reprodução
“Não tem mineral, não tem fóssil, não tem artefato que consiga ser mais importante que esse manto. Ele representa as primeiras populações brasileiras, é um artefato de uma das primeiras populações brasileiras. E, diferentemente por exemplo das múmias dos egípcios, que são muitas, os mantos são poucos”, afirma Kellner.
