Política

Brasil

Proposta da UE para Mercosul é “inaceitável”, diz Lula – Veja vídeo

Em Roma, durante uma entrevista coletiva, o presidente Lula falou sobre a importância das relações bilaterais entre o Brasil e a Itália e também sobre as negociações do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. O chefe de Estado brasileiro considerou "inaceitável" a proposta enviada pelos europeus. Lula, que chega a Paris nesta quinta-feira (22) para participar de uma Cúpula sobre o Novo Pacto Global de Financiamento, não poupou críticas ao governo francês.


“A carta adicional que a União Europeia enviou ao Mercosul é inaceitável”, declarou Lula sobre o documento. No texto, o bloco faz novas exigências, principalmente em relação a questões ambientais. “É inaceitável”, diz Lula. Segundo ele, os europeus estabelecem “punições” aos países que não cumprem o Acordo de Paris, que eles próprios não respeitam.

O presidente brasileiro diz que o Mercosul prepara uma resposta aos europeus e defende que as negociações possam ser benéficas para ambos. Na sequência, comentou que irá abordar o tema na reunião que terá com o presidente Macron, que o receberá para um encontro bilateral na sexta-feira (23) no Palácio do Eliseu.

Continua depois da Publicidade

“A França é muito dura na defesa de seus interesses agrícolas”, declarou. “Mas precisa entender que os outros também defendem suas agriculturas”, acrescentou, dizendo que cada país deve abrir mão de seu “protecionismo”, em alusão à postura dos franceses. Recentemente, o parlamento francês aprovou uma resolução pedindo ao governo Macron para se posicionar contra o acordo, alegando assimetrias e falta de reciprocidade no cumprimento das regras ambientais e sanitárias vigentes na Europa.

Lula saiu em defesa do jornalista australiano Julian Assange, que está desde 2019 em um presídio de segurança máxima na Inglaterra, acusado pelo governo dos Estados Unidos de violar a legislação norte-americana contra espionagem, foi debatido nesta quinta-feira (15) pela Comissão de Direitos Humanos (CDH). A prisão de Assange — que em 2010 divulgou no site Wikileaks, do qual era editor, uma série de documentos secretos sobre as invasões dos EUA ao Iraque e ao Afeganistão — foi o fio condutor da audiência pública com o tema Liberdade de Imprensa, Opinião e o Direito à Informação, que também tratou do assunto na perspectiva do Brasil.

Guerra na Ucrânia

Na coletiva concedida antes de embarcar para Paris, Lula também lembrou de seu encontro com o Papa Francisco, com quem se diz alinhado na busca pela paz na Ucrânia. O presidente afirmou que o papa é “a maior autoridade política da Terra” e que é sua participação no processo de paz é extremamente importante. O investimento em guerra não faz sentido com “tanta fome no mundo”, ressaltou.

Um dos compromissos de Lula na Itália foi um encontro com o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, que também já foi ministro da Fazenda e que visitou Lula quando ele estava preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR). “Foi uma visita mais pessoal, de solidariedade. Uma visita de agradecimento e gratidão”, comentou.

Durante a entrevista, Lula também lembrou da herança da imigração italiana e falou sobre a cooperação entre os dois países, que têm um fluxo comercial de cerca de € 10,5 bilhões. Para o presidente, há potencial para aumentar os negócios entre os dois países e essa possibilidade foi discutida durante a reunião com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.