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Eleições 2026

Artigo questiona metodologia de pesquisa BTG/Nexus e levanta debate sobre influência dos questionários eleitorais

Análise aponta possível assimetria na formulação de perguntas, mudanças entre cenários pesquisados e efeitos da ordem do questionário sobre a percepção dos eleitores; instituto ainda não se manifestou sobre as críticas.


Um artigo publicado nesta terça-feira (14) pelo professor e pesquisador Rogério Pires levanta questionamentos sobre a metodologia utilizada na mais recente pesquisa eleitoral BTG/Nexus, divulgada nesta semana. O autor argumenta que determinados aspectos do questionário podem influenciar a interpretação dos resultados e reforça a importância da transparência na elaboração de levantamentos de opinião durante o período eleitoral.

Segundo a pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07981/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 34%. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

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Embora os números tenham recebido destaque na divulgação do levantamento, o artigo concentra as críticas na construção do questionário aplicado aos entrevistados.

Formulação das perguntas é alvo de críticas

Um dos principais pontos levantados por Rogério Pires diz respeito à forma como a pesquisa mede a rejeição política dos eleitores.

De acordo com o artigo, os entrevistados foram convidados a avaliar seu grau de concordância com duas afirmações: “Sou Anti-Lula” e “Sou Anti-Bolsonaro (e sua família)”.

Na avaliação do autor, a redação das perguntas apresenta uma assimetria metodológica, já que uma delas se refere exclusivamente ao presidente Lula, enquanto a outra inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.

Para Pires, essa diferença poderia ampliar o universo de respostas negativas relacionadas ao campo bolsonarista, uma vez que o entrevistado poderia declarar rejeição a qualquer integrante da família Bolsonaro, enquanto, no caso de Lula, a avaliação estaria restrita ao próprio presidente.

O pesquisador afirma que essa construção pode interferir na composição dos grupos utilizados pelo instituto para medir os níveis de polarização política do eleitorado.

Alterações entre cenários também são questionadas

Outro aspecto destacado pelo artigo envolve as mudanças na lista de candidatos apresentados aos entrevistados em diferentes rodadas da pesquisa.

Segundo o autor, nomes como o do deputado Aécio Neves, que apareceu em alguns levantamentos e foi retirado em outros, podem alterar a distribuição das intenções de voto, especialmente entre eleitores identificados com o campo da direita.

Na avaliação apresentada, ainda que esses candidatos registrem baixos índices de preferência, alterações frequentes nos cenários dificultariam comparações precisas entre diferentes pesquisas da mesma série histórica.

Ordem das perguntas entra no debate

O artigo também chama atenção para o chamado efeito de “priming”, conceito amplamente discutido na literatura sobre pesquisas de opinião e psicologia cognitiva.

Segundo essa teoria, perguntas feitas anteriormente podem influenciar as respostas dadas em questões posteriores.

Pires observa que a pesquisa BTG/Nexus inclui um bloco de perguntas sobre divergências públicas envolvendo Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro e argumenta que, caso esse tema tenha sido apresentado antes das perguntas sobre intenção de voto ou avaliação dos candidatos, poderia haver influência sobre as respostas dos entrevistados.

O autor afirma que os relatórios públicos da pesquisa não deixam clara a sequência completa das perguntas aplicadas, o que, em sua avaliação, reduz a transparência do levantamento.

Precedente no TSE é citado

Como exemplo do debate sobre metodologia em pesquisas eleitorais, o artigo menciona uma decisão liminar do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu temporariamente, em junho deste ano, a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel após questionamentos apresentados pelo Partido Liberal (PL).

Na ocasião, a legenda alegou que a estrutura do questionário poderia induzir respostas dos entrevistados. Posteriormente, a AtlasIntel contestou a acusação, afirmando que o conteúdo apontado pelo partido foi apresentado apenas após o encerramento das perguntas eleitorais. O caso ainda aguarda decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

Debate sobre transparência

Ao concluir sua análise, Rogério Pires defende que pesquisas eleitorais exercem papel relevante na formação da opinião pública e podem influenciar estratégias de campanha, alianças políticas e o chamado voto útil.

Por isso, o pesquisador sustenta que, além da divulgação dos resultados, os institutos devem oferecer ampla transparência sobre a metodologia empregada, incluindo a redação das perguntas, a ordem de aplicação do questionário e os critérios utilizados na construção dos cenários eleitorais.

Até o momento da publicação desta reportagem, o instituto Nexus não havia se manifestado sobre as críticas apresentadas no artigo.