Com a disputa eleitoral definida na maioria do país, tanto Kamala Harris como Donald Trump investem neste sábado (02) na Carolina do Norte, um dos Estados-pêndulo que devem decidir a corrida pela Casa Branca. Esse será o quarto dia consecutivo que os rivais estarão na mesma região.
Uma pesquisa AtlasIntel publicada nesta quinta-feira 31 mostra Donald Trump com 49,1% das intenções de voto entre prováveis eleitores na disputa presidencial dos Estados Unidos, contra 47,2% de Kamala Harris. O pleito ocorrerá na próxima terça-feira (05).
Continua depois da Publicidade
Candidatos inexpressivos eleitoralmente, como Jill Stein (1%) e Chase Oliver (0,2%), também aparecem no levantamento.
Em um cenário sem outros postulantes, o republicano Trump marca 49,6%, ante 48,2% da democrata Kamala. Votos nulos chegam a 1,5%, enquanto indecisos representam 0,7%.
A vice-presidente participará de um comício em Charlotte, enquanto o líder republicano discursará em Gastonia e em Greensboro. A escolha não ocorre à toa: este sábado também é o último dia para o voto antecipado na Carolina do Norte, onde ambos batalham pela conquista dos 16 membros do Colégio Eleitoral.
Kamala Harris também vai estar em Atlanta, no Estado da Georgia, e Trump em Salem, na Virgínia. Enquanto isso, os vice-candidatos a presidente, o democrata Tim Walz e o republicano JD Vance, investem em dois outros Estados-pêndulo: ambos estão, neste sábado (02) em Las Vegas, na capital do Nevada, e no Arizona; Walz em Flagstaff e Vance em Scottsdale, separados por apenas 250 quilômetros.
Estratégia do convencimento
A apenas três dias das eleições, a estratégia de ambas as campanhas é o poder de convencimento. Como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, a meta de Harris e Trump é “tirar as pessoas de casa”, diz Maurício Moura, doutor em Economia e Política, professor da Universidade George Washington, na capital americana.
Para atingir esse objetivo, vale tudo: do acirramento dos discursos, cada vez mais violentos, até a convocação de celebridades. Harris contará com o apoio do diretor de cinema Spike Lee em seu comício na Georgia. Walz estará ao lado da atriz Eva Longoria em Las Vegas.
Mas o professor é cético sobre o poder de mobilização desta estratégia. “Eu sou da escola que acha que celebridade não move voto na dimensão que lhe é atribuído”, afirma.
Embora reconheça que é positivo para qualquer partido ter o apoio de famosos, o efeito prático, segundo ele, é ínfimo. “Mas qualquer coisa que possa impactar no incentivo para sair de casa para votar, em prol do comparecimento, é importante. Por isso que essas figuras são agregadas à campanha”, ressalta.

Trump e Kamala trocam acusações sobre inflação, aborto, imigração e Putin em debate – Foto: Win McNamee/Getty Images
Eleitorado feminino no apoio à Kamala Harris
A reta final da campanha também é marcada pela maior diferença de intenções de votos das eleições presidenciais americanas entre o eleitorado feminino e masculino desde 1980, cerca de 15 pontos, em média. Entre as eleitoras abaixo dos 30 anos, a preferência pela democrata chega a dobrar, segundo pesquisa do instituto Survey Monkey para a NBC News, divulgada na semana passada.
Por isso, a campanha de Harris concentra sua energia na defesa dos direitos reprodutivos femininos, enquanto declarações sexistas de Trump aumentam a rejeição entre as americanas. Por outro lado, o líder republicano conta com um forte apoio do eleitorado masculino jovem, principalmente homens abaixo dos 40 anos com baixo engajamento político e que se informam por veículos de comunicação não tradicionais.
Propostas de Kamala
Kamala Harris chegou a ser escolhida por Biden como uma intermediária entre os Estados Unidos e países da América Central para discutir a questão migratória. A ideia seria convencer outros governos a desestimularem a migração.
A estratégia democrata se tornou pouco eficaz, e Kamala acabou sendo apelidada pelos republicanos de “czar da fronteira” — em referência aos imperadores russos que tinham poderes plenos. Com isso, os adversários tentaram colar na democrata a responsabilidade pelos problemas migratórios.
Kamala vem adotando um discurso mais moderado. Quando trata do assunto, tenta lembrar que os Estados Unidos foram formados por imigrantes. Ela também pede para que estrangeiros não venham ao país de forma ilegal e diz que lutou contra o tráfico internacional quando era procuradora da Califórnia.
A democrata promete enviar e aprovar uma lei no Congresso para reforçar a segurança na fronteira. Segundo ela, a proposta foi construída em conjunto com vários setores da sociedade, incluindo os agentes que patrulham a região.
Posicionamento de Trump
Em fevereiro deste ano, o Congresso dos EUA chegou a discutir uma proposta bipartidária sobre a fronteira. O projeto, no entanto, não avançou. À época, Trump pediu para que os republicanos votassem contra o texto para evitar uma vitória política de Biden.
Na campanha, Trump promete retomar políticas migratórias da época em que era presidente, entre 2017 e 2021. Ele também afirma que irá fazer a maior deportação em massa da história dos Estados Unidos.
Para Donald Trump, a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos está resultando em uma onda de crimes. No entanto, não existem dados que comprovem isso. Em setembro deste ano, o FBI afirmou que os Estados Unidos vivem uma redução nos registros de crimes violentos.
Com agências
