O empresário e ativista político Renan Santos oficializou neste sábado (1º) sua candidatura à Presidência da República pelo partido Missão, em um evento realizado em São Paulo. Em seu primeiro discurso como candidato, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), além de defender propostas controversas para a segurança pública e a política de defesa nacional.

Kim Kataguiri, Renan Santos e outros membros MBL protestam a favor do impeachment de Dilma, em março de 2016 – Foto: Folhapress
Renan afirmou que sua candidatura não representa uma “terceira via”, mas sim uma alternativa própria à atual polarização política brasileira. Durante o discurso, disse rejeitar tanto o rótulo de antipetista quanto a ideia de que sua campanha seja apenas uma oposição ao governo federal.
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Ao atacar seus principais adversários, o candidato classificou Flávio Bolsonaro como “farsante” e afirmou que o senador não teria condições de derrotar Lula em um eventual segundo turno. Também declarou que pretende retirar o parlamentar da disputa ainda no primeiro turno das eleições.
Segundo levantamento Datafolha citado durante o evento, Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto, tecnicamente empatado com outros candidatos da chamada centro-direita, enquanto Lula lidera a corrida presidencial e Flávio Bolsonaro ocupa a segunda colocação.
Segurança pública é principal bandeira
A segurança pública foi apresentada como o principal eixo do programa de governo do candidato. Em uma das declarações que mais repercutiram durante o lançamento da campanha, Renan afirmou que pretende acabar com os roubos por meio do endurecimento das punições aos criminosos, utilizando a frase: “Ninguém vai roubar nada, porque nós vamos matar quem roubar.”
Entre as metas anunciadas estão:
- reduzir o número de homicídios para, no máximo, 10 mil por ano;
- diminuir a taxa básica de juros para menos de 6%;
- alcançar superávit nominal nas contas públicas;
- retirar cerca de 8 milhões de pessoas das favelas, transformando comunidades em bairros urbanizados;
- alfabetizar nove em cada dez crianças brasileiras.
Defesa nacional e programa nuclear
Outro ponto que chamou atenção foi a defesa de um fortalecimento da indústria militar brasileira. Renan declarou que pretende retomar um programa espacial robusto e afirmou desejar que o Brasil desenvolva tecnologia para construir armas nucleares e aeronaves militares de última geração utilizando recursos minerais estratégicos do país.
O candidato também disse que pretende ampliar o protagonismo internacional do Brasil, defendendo um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU baseado na relevância geopolítica do país.
Vice promete ofensiva contra o crime
O candidato a vice-presidente, o militar da reserva Aroldo Medina, também adotou um discurso de enfrentamento ao crime organizado. Durante o evento, afirmou que pretende comandar pessoalmente uma operação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, caso a chapa seja eleita.
Na mesma linha, o deputado federal Kim Kataguiri, um dos fundadores do MBL, afirmou que um eventual governo do partido promoveria um “choque de lei e ordem” sem precedentes no país.
“Livro Amarelo” reúne plano de governo
Além da candidatura presidencial, o partido Missão apresentou oficialmente o chamado Livro Amarelo, documento que reúne as principais propostas da legenda para áreas como segurança pública, economia, saúde, educação, defesa e meio ambiente.
A publicação, dividida em três volumes e 14 capítulos, propõe um amplo ajuste fiscal, reformas estruturais e medidas voltadas ao aumento da competitividade econômica, redução da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecimento da presença internacional do Brasil. O partido também anunciou a criação do Instituto Livro Amarelo, que será responsável por difundir as propostas entre seus candidatos em todo o país.
Primeira disputa presidencial
A eleição de 2026 marca a estreia de Renan Santos como candidato à Presidência da República e também a primeira participação do partido Missão em uma eleição presidencial. Fundada por integrantes do MBL, a legenda obteve registro definitivo na Justiça Eleitoral no fim de 2025 e, até o momento, não anunciou alianças com outras siglas para a disputa nacional.
Quem é Renan Santos

Renan Santos: fundador do MBL quer chegar ao Planalto. (Foto: Divulgação/Luiz Rebelato)
Aos 42 anos, Renan Santos é empresário, ativista político e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016. Paulistano, iniciou o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação.
Após anos à frente do MBL, Renan participou da criação do partido Missão, legenda formada por integrantes do movimento e registrada pela Justiça Eleitoral no fim de 2025. A eleição de 2026 marca sua primeira disputa por um cargo eletivo e também a estreia do partido em uma eleição presidencial.
Ao longo da pré-campanha, Renan tem buscado se apresentar como uma alternativa à polarização entre PT e PL, defendendo uma agenda centrada no combate ao crime organizado, reformas econômicas, fortalecimento das Forças Armadas e aumento do protagonismo internacional do Brasil. Entre suas propostas mais controversas estão o endurecimento das políticas de segurança pública e a defesa do desenvolvimento de um programa nuclear brasileiro.
