
Flávio e Lula investiram no Sudeste, mais populoso, no 1º turno – Foto: Luís Adorno/UOL e Diogo Zacarias/Divulgação
A nove dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) permanece aberta. Pesquisas divulgadas nesta semana mostram uma corrida eleitoral marcada por diferenças pequenas, redução da vantagem registrada em alguns levantamentos anteriores e resultados que, em sua maioria, se encontram dentro da margem de erro.
Continua depois da Publicidade
Os números mais recentes indicam uma vantagem numérica de Flávio Bolsonaro em diferentes institutos. Entretanto, levantamentos como o PoderData apontam empate entre os dois candidatos, enquanto CNT/MDA e Datafolha registram diferenças que não permitem estabelecer uma liderança estatisticamente conclusiva.
O cenário torna os últimos dias de campanha decisivos para as duas candidaturas, que precisam consolidar suas bases eleitorais, conquistar os eleitores ainda suscetíveis a mudanças de opinião e estimular a participação no dia da votação.
Pesquisas mostram diferenças pequenas entre os candidatos
Entre os levantamentos divulgados em 15 e 16 de outubro, os resultados variam de empate numérico a uma vantagem de quatro pontos percentuais para Flávio Bolsonaro nos votos válidos.
Na pesquisa PoderData, divulgada em 16 de outubro, os candidatos aparecem com 50% dos votos válidos cada. O instituto ouviu 3.000 eleitores entre os dias 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Já o levantamento CNT/MDA, também divulgado no dia 16, aponta Flávio com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula. Foram entrevistadas 2.014 pessoas entre 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
No Datafolha, publicado em 15 de outubro, Flávio registra 51% dos votos válidos, enquanto Lula soma 49%. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores entre 13 e 14 de outubro, em 153 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa Gerp, divulgada em 16 de outubro, apresenta uma diferença maior: 52% para Flávio e 48% para Lula nos votos válidos. O levantamento entrevistou 2.400 pessoas entre 14 e 16 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Embora os resultados apontem vantagem numérica para o candidato do PL em três desses quatro levantamentos, as diferenças estão dentro das respectivas margens de erro. Por isso, não é possível afirmar que a liderança esteja estatisticamente consolidada.
Comparativo das pesquisas de segundo turno — votos válidos
| Instituto | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) | Divulgação |
|---|---|---|---|
| PoderData | 50% | 50% | 16/10 |
| CNT/MDA | 50,5% | 49,5% | 16/10 |
| Datafolha | 51% | 49% | 15/10 |
| Gerp | 52% | 48% | 16/10 |
Fontes: PoderData, CNT/MDA, Datafolha e Gerp, conforme levantamentos divulgados na imprensa. Os resultados são estimativas de intenção de voto, com metodologias e margens de erro próprias.
Os dados mostram que a disputa continua concentrada em uma faixa estreita. A diferença entre os candidatos varia de zero a quatro pontos percentuais nos levantamentos apresentados, o que mantém aberta a possibilidade de mudanças até o encerramento da campanha.
Pesquisa Gerp foi a única que mais se aproximou do resultado no primeiro turno

Apuração no primeiro turno
O que aponta a Gerp para este segundo turno:

Apuração no segundo turno
Vantagem numérica de Flávio não significa vitória definida
A comparação com as pesquisas realizadas logo após o primeiro turno ajuda a compreender a movimentação do eleitorado.
No Datafolha divulgado em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. No levantamento publicado em 15 de outubro, a diferença caiu para dois pontos: 51% a 49%.
O PoderData também registrou aproximação entre os candidatos. Segundo os resultados divulgados em 16 de outubro, o senador e o presidente chegaram a 50% cada um nos votos válidos. No levantamento anterior do instituto, realizado entre 10 e 12 de outubro, Flávio tinha 51%, e Lula, 49%.
A sequência sugere que a vantagem inicialmente observada em parte das pesquisas diminuiu em alguns levantamentos. Isso não significa, necessariamente, uma transferência direta de votos entre os candidatos: variações também podem decorrer de mudanças na amostra, diferenças metodológicas e oscilações naturais das estimativas.
O quadro, portanto, exige cautela. Uma pesquisa mede a intenção de voto no período em que as entrevistas são realizadas, e não antecipa com certeza o resultado das urnas.
Rejeição pode limitar o crescimento das candidaturas
Outro fator relevante para a reta final é a rejeição eleitoral, que ajuda a medir a resistência do eleitorado a cada candidatura.
Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro, 54% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% declararam o mesmo em relação a Lula.
Os percentuais elevados sugerem que os dois candidatos enfrentam dificuldades para ampliar suas bases de apoio sem considerar a resistência existente em segmentos do eleitorado.
Em uma disputa tão equilibrada, a estratégia de campanha não se resume a convencer eleitores a trocar de candidato. Também envolve evitar a desmobilização de apoiadores, reduzir resistências e conquistar pessoas que ainda não decidiram como votar ou que cogitam votar em branco ou anular o voto.
A rejeição, contudo, não deve ser interpretada isoladamente como previsão do resultado. Eleitores que declaram resistência a um candidato podem rever sua posição, e a disposição de votar em uma candidatura não é necessariamente equivalente à rejeição da adversária.
Comparecimento às urnas pode ser decisivo
A participação eleitoral também está entre os elementos capazes de influenciar o desfecho. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 16 de outubro apontou que 96% dos entrevistados pretendiam comparecer ao segundo turno, enquanto 1% declarou não ter intenção de votar e 3% permaneciam indecisos sobre o comparecimento.
Apesar da intenção declarada, o comparecimento efetivo pode ser diferente. No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%, segundo os dados divulgados sobre a votação de 4 de outubro.
A diferença entre intenção e comportamento real torna a mobilização uma prioridade para as campanhas. A capacidade de levar apoiadores às urnas pode ter peso especial em uma eleição na qual as estimativas de intenção de voto estão próximas.
As candidaturas também precisam avaliar os efeitos das campanhas regionais, da circulação de informações nas redes sociais, dos debates públicos e da repercussão de propostas econômicas e sociais sobre a decisão do eleitor.
Três cenários possíveis até 25 de outubro
Com base nos levantamentos disponíveis, é possível identificar três cenários plausíveis para os dias finais da disputa. São hipóteses analíticas, e não previsões de resultado.
1. Manutenção da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro
Se a vantagem observada em parte das pesquisas se mantiver e o candidato conseguir consolidar os votos recebidos no primeiro turno, Flávio poderá chegar à votação com uma posição favorável. Nesse cenário, a estratégia seria preservar o apoio de sua base eleitoral, evitar perdas entre eleitores já conquistados e ampliar a mobilização.
A principal ressalva é que os resultados atuais ainda não demonstram uma liderança estatisticamente consolidada. Uma diferença pequena pode desaparecer em levantamentos posteriores ou na votação efetiva.
2. Continuidade da recuperação de Lula
Caso a tendência de aproximação registrada em pesquisas como Datafolha e PoderData continue, Lula poderá reduzir a distância e transformar a disputa em um empate ainda mais estreito ou em uma vantagem numérica.
Para isso, a campanha precisaria manter seus eleitores mobilizados, conquistar apoios adicionais e estimular o comparecimento de grupos que possam ter impacto relevante no resultado nacional. A evolução desse cenário dependerá de mudanças reais na intenção de voto e da participação efetiva no segundo turno.
3. Resultado definido por diferenças mínimas
Um terceiro cenário é o de uma votação extremamente equilibrada, com a definição do vencedor dependendo de pequenas diferenças na distribuição dos votos válidos. Nesse caso, eventuais mudanças na preferência de eleitores indecisos, votos brancos e nulos e níveis de comparecimento poderiam influenciar o placar final.
A existência de uma disputa apertada, porém, não significa que haverá necessariamente uma diferença mínima nas urnas. Pesquisas podem divergir entre si, e a votação pode produzir um resultado mais amplo do que o sugerido pelos levantamentos anteriores.
O que observar nos últimos dias
Até a votação, alguns indicadores merecem atenção especial:
- Evolução dos votos válidos: acompanhar se a diferença entre os candidatos aumenta, diminui ou permanece estável em pesquisas sucessivas.
- Votos totais e indecisos: verificar a proporção de eleitores que ainda não consolidaram a decisão e daqueles que pretendem votar em branco ou anular.
- Rejeição: observar se a resistência a cada candidatura aumenta ou diminui e se isso altera o potencial de crescimento.
- Comparecimento: avaliar a capacidade das campanhas de transformar intenção declarada em participação efetiva.
- Consistência entre institutos: comparar levantamentos com datas de campo próximas, considerando tamanho da amostra, margem de erro, metodologia e registro eleitoral.
A leitura conjunta desses fatores tende a oferecer uma visão mais consistente da disputa do que a observação isolada de um único levantamento.
Segundo turno será em 25 de outubro
De acordo com o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o segundo turno das eleições de 2026 está marcado para domingo, 25 de outubro. A votação ocorrerá das 8h às 17h, no horário de Brasília.
Até lá, as pesquisas continuarão funcionando como instrumentos para acompanhar as oscilações do eleitorado, desde que interpretadas dentro de seus limites metodológicos.
O quadro registrado em 16 de outubro é de forte competitividade: Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente em parte dos levantamentos, enquanto outros apontam empate técnico. A redução da distância em algumas pesquisas indica que a disputa não está encerrada e que a mobilização eleitoral poderá ser determinante.
A definição do próximo presidente dependerá, em última instância, dos votos efetivamente depositados nas urnas. Até o fechamento da votação, qualquer cenário permanece sujeito a mudanças.
