
Presidente afirmou que sua esposa é uma das pessoas que fala não para ele “muitas vezes” – Foto: Reprodução (internet)
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, continuará participando ativamente da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A confirmação foi divulgada nesta quarta-feira (7) pela assessoria da primeira-dama, após críticas internas sobre o espaço ocupado por ela nas atividades eleitorais.
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Em nota, a equipe de Janja afirmou que sua atuação é legítima e conta com o respaldo do presidente. A assessoria também reforçou que o objetivo da campanha é a reeleição de Lula.
A manifestação ocorreu depois de declarações da ex-senadora Kátia Abreu (PT), coordenadora da campanha petista no Tocantins. Durante reuniões de integrantes da campanha, Kátia defendeu uma mudança na estratégia para o segundo turno e avaliou que a primeira-dama vinha tendo mais espaço do que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Em entrevista à GloboNews, a ex-senadora resumiu sua avaliação com a defesa de “menos Janja e mais Alckmin”. Segundo Kátia, o vice-presidente poderia ser mais explorado eleitoralmente, especialmente por sua imagem ligada à experiência administrativa e à economia.
Janja diz que continuará na campanha
Após a repercussão das críticas, Janja enviou uma mensagem a Kátia Abreu e reafirmou que não pretende diminuir sua participação na campanha. De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a primeira-dama argumentou que suas aparições eleitorais ocorrem com o aval de Lula. Kátia, por sua vez, afirmou ao jornal O Globo que não havia recebido a mensagem.
A discussão ganhou força dentro do PT justamente no momento em que a campanha tenta reorganizar sua estratégia depois de um resultado abaixo das expectativas no primeiro turno.
Lula termina primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro
Lula chegou ao segundo turno em segundo lugar. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, uma das menores já registradas entre os dois primeiros colocados em uma eleição presidencial brasileira.
O resultado contrariou parte das expectativas construídas durante a campanha. Em comparação com o primeiro turno de 2022, Lula recebeu cerca de 3,38 milhões de votos a menos e caiu de 48,43% para 45,16% dos votos válidos.
Outro fator que chamou atenção foi a abstenção. Segundo levantamentos publicados após a votação, mais de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, o equivalente a cerca de 21% do eleitorado. Analistas avaliam que a ausência pode ter afetado de maneira diferente os dois principais candidatos e se tornou um dos focos da estratégia petista para o segundo turno.
Lula admite falhas e cobra mudanças na campanha
No mesmo dia em que a permanência de Janja foi reafirmada, Lula fez uma avaliação dura sobre a condução de sua campanha.
Durante encontro com parlamentares aliados em Brasília, o presidente afirmou que a campanha do primeiro turno foi a “menos organizada” de que participou desde 1989, quando disputou pela primeira vez a Presidência da República. Lula também disse que o desempenho ficou abaixo de seu potencial e que poderia ter feito mais.
A declaração foi feita na presença de Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador da campanha. Parte do encontro chegou a ser transmitida pelo canal do partido no YouTube, mas a transmissão foi interrompida durante a fala do presidente.
Lula também disse ter ficado surpreso por não ter terminado o primeiro turno na liderança. Na avaliação do presidente, as ações realizadas pelo governo nos últimos anos não foram suficientes para convencer uma parcela do eleitorado.
Campanha busca nova estratégia para o segundo turno
Após o resultado das urnas, a campanha petista passou a discutir mudanças na comunicação e na organização eleitoral. Entre as medidas está uma tentativa de aproximar Lula das redes sociais, com vídeos mais espontâneos e gravados no formato de selfie.
Parlamentares aliados também cobraram uma comunicação mais direcionada aos eleitores mais jovens e maior presença digital. A avaliação interna é de que a campanha conseguiu mobilizar apoiadores em eventos presenciais, mas teve dificuldades para disputar espaço nas redes.
Outra mudança em discussão envolve o papel de Geraldo Alckmin. Aliados avaliam que o vice-presidente foi pouco utilizado no primeiro turno e pode ganhar maior protagonismo na segunda etapa da disputa, especialmente na tentativa de ampliar o diálogo com eleitores de centro.
A chapa Lula-Alckmin foi oficialmente mantida pelo PT na convenção nacional realizada em agosto, quando o partido confirmou a candidatura à reeleição do presidente e a permanência do atual vice-presidente na composição.
Disputa será definida em 25 de outubro
Com Flávio Bolsonaro e Lula classificados, o segundo turno está marcado para 25 de outubro. A diferença inferior a dois pontos percentuais no primeiro turno mantém a disputa aberta e aumenta a importância das estratégias de mobilização, especialmente entre os eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em outros candidatos.
Nesse cenário, a campanha de Lula tenta combinar mudanças na comunicação, maior participação de lideranças políticas e recuperação de votos, enquanto enfrenta uma disputa interna sobre como distribuir o espaço entre integrantes da chapa e aliados — incluindo Janja e Alckmin.
A confirmação de que Janja permanecerá nos palanques indica que, apesar das críticas, Lula não pretende afastá-la da campanha neste momento. A decisão ocorre paralelamente à reorganização da estratégia eleitoral para a reta final da disputa.
Fontes consultadas: UOL, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Agência Estado e Deutsche Welle.
