Política

Eleições 2026

Flávio Bolsonaro convoca ato na Avenida Paulista para o 7 de Setembro

Candidato do PL à Presidência pretende reunir apoiadores às 15h e transformar o feriado da Independência em um dos principais momentos de mobilização de sua campanha.


 

O senador e candidato à Presidência da República Flavio Bolsonaro (PL) convocou apoiadores para um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 7 de setembro. A concentração está prevista para as 15h, segundo comunicado divulgado pela campanha na terça-feira (25).

Continua depois da Publicidade

A mobilização ocorre em plena campanha eleitoral e deve ser usada pelo candidato para demonstrar a capacidade de mobilização de sua base política a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições de 2026.

Segundo informações divulgadas pela campanha e repercutidas por veículos de imprensa, lideranças políticas, religiosas e comunitárias estão sendo estimuladas a gravar vídeos e divulgar mensagens nas redes sociais para ampliar a participação no evento.

“7 de setembro é dia de mostrar a força de quem acredita em um Brasil diferente”, afirma a convocação divulgada pela equipe do candidato.

Paulista volta a ser palco central do bolsonarismo

A escolha da Avenida Paulista tem forte peso simbólico para o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O local foi palco de grandes manifestações bolsonaristas nos últimos anos e, desde 2021, o feriado de 7 de Setembro passou a ser utilizado com frequência para mobilizações desse campo político.

Em 2022, durante o Bicentenário da Independência, apoiadores de Bolsonaro ocuparam a Paulista. Naquele ano, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estimou 50.443 participantes no ato, enquanto os organizadores apresentaram estimativas muito superiores.

Em 2024, já fora da Presidência, Jair Bolsonaro voltou à Paulista no 7 de Setembro. A manifestação teve como principais pautas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedidos de impeachment e defesa de anistia para condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Uma estimativa do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), apontou 45,4 mil pessoas no pico do ato de 2024.

Flávio tenta consolidar herança política de Bolsonaro

O ato também faz parte da estratégia de Flávio Bolsonaro para se apresentar como principal herdeiro eleitoral do movimento criado em torno de seu pai.

O PL oficializou a candidatura do senador à Presidência em julho, durante convenção nacional realizada em São Paulo.

Desde então, a campanha tem buscado reproduzir símbolos e estratégias associados ao bolsonarismo, incluindo a realização de grandes atos públicos e a mobilização de grupos religiosos e lideranças políticas.

Em agosto, Flávio iniciou oficialmente sua campanha com um evento em Copacabana, no Rio de Janeiro. A estratégia inclui ainda viagens pelo país e a tentativa de fortalecer sua presença nos principais redutos eleitorais da direita.

O candidato também terá como vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), de Alagoas, escolha que deve levar a campanha a ampliar a presença no Nordeste.

Malafaia não comandará a organização neste ano

Uma mudança importante em relação às manifestações anteriores é a ausência do pastor Silas Malafaia na organização do ato deste ano.

Malafaia coordenou manifestações realizadas na Paulista e em Copacabana a pedido de Jair Bolsonaro nos últimos anos, mas afirmou que não está à frente da organização do evento de 2026. O pastor, no entanto, continua declarando apoio à candidatura de Flávio.

A mudança ocorre justamente no momento em que a campanha de Flávio procura assumir diretamente o controle da mobilização de rua e transformar a manifestação em uma demonstração de força eleitoral.

Ato ocorre em cenário de disputa acirrada

A mobilização também ganha importância diante do cenário eleitoral registrado nas pesquisas mais recentes.

Em levantamento da Quaest divulgado em 25 de agosto, Flávio Bolsonaro aparece com 30% das intenções de voto em São Paulo, empatado tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também com 30%, no cenário apresentado pela pesquisa.

O desempenho em São Paulo é estratégico para a campanha. Além de ser o maior colégio eleitoral do país, o Estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição e mantém uma relação de apoio a Flávio, embora venha evitando uma presença constante ao lado do candidato presidencial.

Tarcísio, por sua vez, lidera a disputa pelo governo paulista, segundo a mesma pesquisa Quaest, com 40% das intenções de voto contra 27% de Fernando Haddad (PT).

Campanha busca transformar feriado em demonstração de força

A convocação para a Paulista ocorre, portanto, em um momento estratégico da corrida presidencial. A intenção da campanha é aproveitar o caráter simbólico do 7 de Setembro para reunir a militância, ampliar a exposição nacional de Flávio e mostrar que o movimento político associado ao sobrenome Bolsonaro mantém capacidade de mobilização mesmo sem Jair Bolsonaro na disputa.

O desafio será transformar a presença nas ruas em capital eleitoral próprio para Flávio, que tenta consolidar sua candidatura como representante do bolsonarismo na eleição presidencial de 2026.

Serviço: o ato está previsto para 7 de setembro de 2026, às 15h, na Avenida Paulista, em São Paulo. A programação e os detalhes sobre a estrutura da manifestação ainda podem sofrer alterações pela organização.

Contexto

A realização do ato ocorre poucas semanas antes do primeiro turno das eleições de 2026 e coloca novamente a Avenida Paulista no centro da disputa política nacional. Diferentemente de 2022, quando Jair Bolsonaro era presidente e candidato à reeleição, e de 2024, quando participou de uma manifestação contra Alexandre de Moraes, desta vez o evento será diretamente associado à campanha presidencial de seu filho.

A expectativa da campanha é utilizar a mobilização para medir o tamanho da base bolsonarista e reforçar a imagem de Flávio como candidato capaz de ocupar o espaço político deixado pelo pai.