
Antônio Rueda foi eleito para o comando do União Brasil no curso da maior crise da história do partido – Foto: Cristiano Mariz
O partido União Brasil, liderado por Antônio Rueda, consolidou uma ampla rede de influência ao controlar os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) em sete estados brasileiros. Esses órgãos, responsáveis por arrecadações bilionárias e com autonomia financeira, passaram a ser vistos como verdadeiros centros de poder político e, segundo críticos e investigações em curso, também como possíveis facilitadores de práticas corruptas.
Apesar de negar envolvimento direto nas indicações, Rueda é apontado como o fiador político por trás das nomeações nos Detrans do Rio de Janeiro, Paraná, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul. Em muitos casos, a presidência do órgão é ocupada por pessoas próximas ao dirigente, o que acende alertas sobre a politização de funções administrativas e o uso de cargos públicos como moeda de troca.
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Só no Rio de Janeiro, onde o controle do Detran é atribuído diretamente a Rueda por parlamentares do próprio partido, o orçamento da autarquia ultrapassa R$ 2,39 bilhões em 2025. Com independência financeira e pouca transparência, o Detran fluminense é apontado por adversários políticos como um “cofre aberto” para interesses escusos e negociações paralelas dentro do governo estadual.
A Polícia Federal investiga Rueda por ocultação de patrimônio, incluindo jatinhos avaliados em mais de R$ 60 milhões que estariam registrados em nome de laranjas. A operação, batizada de Carbono Oculto, levanta suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados para a compra de veículos de luxo e imóveis de alto padrão – bens incompatíveis com a renda declarada de um advogado cujo escritório não figura entre os mais requisitados do país.
O escândalo alimenta desconfianças de que o comando dos Detrans esteja sendo instrumentalizado para sustentar financeiramente esquemas de corrupção e enriquecimento ilícito. Como exemplos, há acusações de contratos suspeitos, como o firmado em Rondônia com uma empresa que teve como funcionário o atual presidente do Detran local – irmão do governador e pré-candidato a deputado.
A situação não é isolada. No Distrito Federal, o número 2 do Detran-DF é sócio de Rueda em seu escritório de advocacia. Em outros estados, os presidentes indicados também possuem vínculos estreitos com o partido, com muitos deles ocupando cargos estratégicos após acordos políticos pouco transparentes.
Embora Rueda alegue que os filiados do União Brasil têm “autonomia” para fazer suas próprias nomeações, o padrão de indicações revela um modelo centralizado, que favorece a ocupação de postos públicos por aliados de confiança, geralmente sem critérios técnicos. O Detran, nesse contexto, torna-se não apenas um órgão de fiscalização de trânsito, mas uma peça-chave num jogo de poder e possíveis práticas ilícitas.
A denúncia de parlamentares fluminenses ao TSE reforça esse cenário. Segundo eles, Rueda atua com autoritarismo dentro da legenda e promove perseguições políticas enquanto negocia cargos nos bastidores — como o comando do Detran/RJ — sem transparência nem diálogo com as bases locais.
Diante disso, cresce a percepção de que os Detrans, ao invés de cumprirem sua função institucional, estão sendo usados como canais para desvio de recursos, manutenção de estruturas paralelas de poder e enriquecimento de dirigentes partidários.
