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Centrão mantém preferência por Tarcísio e avalia que candidatura de Flávio Bolsonaro pode não avançar

Dirigentes veem movimento do senador como estratégia para preservar influência da família Bolsonaro; aliados acreditam que Tarcísio tem mais potencial de unir direita.


Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — Foto: Reprodução/Facebook

Mesmo após o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que teria sido escolhido pelo pai como sucessor para disputar a Presidência em 2026, líderes do Centrão mantêm a avaliação de que o nome mais competitivo do campo à direita continua sendo o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Dirigentes e articuladores políticos ouvidos reservadamente afirmam que Tarcísio reúne mais condições de agregar siglas como PL, PP, Republicanos, União Brasil e PSD numa frente única contra a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT). A candidatura de Flávio, por outro lado, é vista como uma aposta mais restrita ao núcleo bolsonarista.

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Suspeita de “blefe” e dificuldades de articulação

Nos bastidores, parte da cúpula do Centrão avalia que o gesto do senador possa ser um movimento estratégico para manter protagonismo político em meio à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e inelegível desde 2023.

Essa leitura sustenta a hipótese de que Flávio pode não levar a candidatura até o fim, sobretudo por não reunir apoio amplo e por enfrentar rejeição maior do que a de Tarcísio. Dirigentes frisam ainda que o anúncio ocorre com grande antecedência, deixando o senador exposto a ataques de adversários até o período de registro das candidaturas.

Falas de aliados e impacto no campo da direita

Aliados de Tarcísio reiteram que o governador só aceitaria disputar o Planalto se houvesse unidade real entre as forças da direita — e se não estivesse no centro das disputas internas do bolsonarismo. A possibilidade de várias pré-candidaturas no mesmo espectro político, incluindo Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD-PR), preocupa lideranças que temem fragmentação no primeiro turno.

Caiado reafirmou sua disposição de concorrer, enquanto Zema declarou que a pré-candidatura de Flávio “faz sentido” ao considerar a estratégia de múltiplos nomes no primeiro turno.

Reações internas e polarização

A recepção mais entusiasmada ao nome de Flávio partiu do núcleo fiel do bolsonarismo, incluindo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que reforçaram apoio integral às decisões de Jair Bolsonaro.

Já dirigentes do União Brasil e PP voltaram a criticar a polarização — sem citar diretamente Flávio ou Tarcísio — e defenderam uma candidatura capaz de reduzir tensões e apresentar um projeto “responsável e voltado aos interesses do país”.

Riscos políticos para Flávio

Além do desgaste natural de uma pré-campanha antecipada, Flávio também enfrenta histórico de controvérsias, como o caso da rachadinha, cujo processo foi anulado pelo STF em 2021. Aliados admitem preocupação com a possibilidade de que o senador se torne novo alvo de investigações no contexto jurídico que envolve a família após a prisão do ex-presidente.