A Organização Meteorológica Mundial, OMM, lançou nesta terça-feira seu primeiro Relatório Global sobre Recursos Hídricos. De acordo com a publicação, o mundo esteve mais seco do que o normal em 2021, impactando economias, ecossistemas e a vida da população.
O documento “Estado dos Recursos Hídricos Globais 2021” fornece uma visão concisa da disponibilidade de água em diferentes partes do mundo.
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Rios com pouca água
Entre as áreas consideradas excepcionalmente secas estão a região do Rio da Prata, na América do Sul, afetada por uma estiagem persistente desde 2019.
Na África, grandes rios como o Níger, Volta, Nilo e Congo tiveram fluxo de água abaixo da média em 2021. A mesma tendência foi observada em rios em partes da Rússia, Sibéria Ocidental e na Ásia Central.
Por outro lado, houve volumes de rios acima do normal em algumas bacias da América do Norte, no norte da Amazônia e na África do Sul, assim como na bacia do rio Amur, na China, e no norte da Índia.
Secas e enchentes
A área da bacia amazônica sofreu tanto inundações como secas em 2021. Durante a enchente, o nível da água na estação de Manaus no Brasil estava acima do limite, quebrando o recorde da cheia anterior de 2012.
Em janeiro de 2021, o ciclone tropical Eloise causou fortes chuvas em Moçambique, Madagascar e na África do Sul. As inundações subsequentes afetaram mais de 467 mil pessoas.
Em abril de 2021, um ciclone tropical atingiu o Timor-Leste e partes da Indonésia, causando inundações em ambos os países.

Crise climática
A OMM alerta que cerca de 3,6 bilhões de pessoas têm acesso inadequado à água pelo menos um mês por ano e que isso deve aumentar para mais de 5 bilhões até 2050.
Segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, “os impactos das mudanças climáticas são frequentemente sentidos através da água, secas mais intensas e frequentes, inundações mais extremas, chuvas sazonais mais fortes e derretimento acelerado das geleiras, com efeitos em cascata nas economias, ecossistemas e todos os aspectos de nossas vidas diárias”.
Para ele, o relatório pretende compreender melhor as mudanças na distribuição, quantidade e qualidade dos recursos de água doce. Isso influenciará nos investimentos em adaptação e mitigação do clima, assim como na campanha das Nações Unidas para fornecer acesso universal nos próximos cinco anos a alertas precoces de perigos como inundações e secas.
Estudo da água
Entre 2001 e 2018, a ONU Água informou que 74% de todos os desastres naturais foram relacionados à água.
A recente Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP27, no Egito, pediu aos governos que integrem ainda mais a água nos esforços de adaptação. Foi a primeira vez que a água foi mencionada em um documento final da COP em reconhecimento à sua importância.
O relatório da OMM analisa o fluxo de água, o volume de água que flui através de um canal de rio em um determinado momento, e também avalia o armazenamento de água na superfície terrestre.
O relatório destaca um problema básico: a falta de dados hidrológicos verificados acessíveis. Com uma nova política, a OMM quer acelerar a disponibilidade e o compartilhamento dessas informações, incluindo descargas fluviais e informações sobre bacias hidrográficas transfronteiriças.

Alterações globais dos recursos disponíveis
Além das variações do fluxo do rio, o armazenamento geral de água terrestre foi classificado como abaixo do normal na costa oeste dos Estados Unidos, no centro da América do Sul e Patagônia, norte da África e Madagascar, Ásia Central e Oriente Médio, Paquistão e norte da Índia.
Já na África Central, no norte da América do Sul, especificamente na Bacia Amazônica, e no norte da China ficou acima do normal.
Blocos de gelo
As geleiras e calotas polares são consideradas o maior reservatório natural de água doce do mundo. Segundo a OMM, mudanças nesses recursos hídricos afetam a segurança alimentar, a saúde humana, a integridade e a manutenção do ecossistema e levam a impactos significativos no desenvolvimento econômico e social.
A OMM acrescenta que as projeções de longo prazo do escoamento da geleira e o momento do pico de água são insumos essenciais para as decisões de adaptação de longo prazo.
Seca no Brasil
Em outubro de 2022 os destaques são feitos por Região e por Unidade da Federação, acompanhando-se o surgimento, desaparecimento, evolução ou involução do fenômeno da seca em cada uma dessas áreas.
Na Região Nordeste, devido à melhora nos indicadores, houve o recuo da seca fraca (S0) no noroeste do Maranhão, sul do Ceará, centro de Pernambuco e litoral sul da Bahia. Ainda, houve o desaparecimento de uma porção de seca fraca (S0) entre o leste do Maranhão e o oeste do Piauí.
Na Região Sudeste, em decorrência de chuvas acima da média, houve melhora na condição de seca, marcada especialmente pela diminuição das áreas com seca grave (S2), extrema (S3) e excepcional (S4) em Minas Gerais e São Paulo. Por outro lado, devido à persistência de anomalias negativas de precipitação, houve avanço da seca moderada (S1) no nordeste de Minas Gerais.

Foto: reprodução
Na Região Sul, chuvas acima da normalidade favoreceram a atenuação da seca no norte do Paraná, que passou de grave (S2) para moderada (S1). Por outro lado, houve aumento da área com seca fraca (S0) no Rio Grande do Sul, devido às chuvas abaixo da média nos últimos meses em parte do leste gaúcho.
Na Região Centro-Oeste, chuvas acima da média nos últimos meses favoreceram melhora na condição geral de seca: a seca excepcional (S4) deixou de ser registrada, houve pequena diminuição da área com seca extrema (S3), bem como o recuo da seca grave (S2) no sudoeste de Goiás, nordeste de Mato Grosso do Sul e sudeste de Mato Grosso. Por outro lado, a seca moderada (S1) avançou no norte do Mato Grosso, em função da piora nos indicadores.
Na Região Norte, destaca-se o agravamento da seca no norte do Tocantins, que passou de moderada (S1) para grave (S2), devido à piora nos indicadores.
Redação: Portal CINCO
Com informações da Organização Meteorológica Mundial – OMM
