
Moraes determina prisão e afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj – Foto: Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress
A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (3), o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo da Silva Bacellar, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além da prisão, Moraes ordenou o afastamento imediato do parlamentar do comando da Casa, apontando “fortes indícios” de obstrução de investigação e interferência indevida na Operação Zargun.
A investigação apura o vazamento de informações que teriam permitido que o deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias — apontado como próximo ao Comando Vermelho — se antecipasse às ações da PF durante a operação deflagrada em 3 de setembro de 2025.
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Vazamento e tentativa de ocultar provas
Segundo a PF, Bacellar teria atuado para alertar TH Joias da operação iminente. O imóvel relacionado ao investigado foi esvaziado um dia antes da ação policial, e Bacellar teria trocado de telefone para evitar apreensões. Conversas extraídas do celular atribuído a TH Joias mostram fotos enviadas no dia da operação, exibindo agentes dentro da residência monitorada.
A PF aponta ainda orientação para retirada de objetos e tentativa de ocultação de provas, classificando a conduta como voltada a frustrar a investigação e proteger integrantes da organização criminosa.
Operação Zargun: tráfico, corrupção e infiltração no poder público
A Operação Zargun investiga uma rede criminosa ligada ao tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. A ação envolve PF, MPF, Ministério Público do Rio e Polícia Civil, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ).
O grupo criminoso teria se infiltrado em estruturas da administração pública para garantir acesso a informações sigilosas, importando armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais.
“Fatos gravíssimos”, afirma Moraes
Ao autorizar a prisão, Alexandre de Moraes afirmou que os fatos são “gravíssimos” e citou indícios de participação de Bacellar em organização criminosa, violação de sigilo funcional e obstrução de investigação. O ministro também apontou risco de novas interferências, dada a influência política do parlamentar.
Moraes destacou que estão presentes os requisitos para a prisão preventiva — fumus commissi delicti e periculum libertatis — ressaltando que a medida é necessária para resguardar a ordem pública, a instrução penal e a aplicação da lei.
Buscas e medidas contra assessor
O ministro também autorizou buscas em endereços de Bacellar, incluindo gabinetes na Alerj, para apreensão de armas, eletrônicos e documentos. Para o assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado, acusado de auxiliar na tentativa de fuga de TH Joias, foram impostas medidas cautelares como tornozeleira eletrônica, restrição de contato com outros investigados e proibição de uso de redes sociais.
Comunicação à Alerj
Por se tratar de parlamentar com prerrogativas previstas na Constituição, Moraes determinou que a Alerj seja comunicada para deliberar sobre a manutenção da prisão.
